Sailor Moon Vol. 6

Review do mangá da JBC

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Apesar do rosa choque e da pose pentelha da personagem na capa, o volume 6 do mangá de Sailor Moon representa um grande marco para toda a história. Nele começa o arco Infinity (conhecido como Sailor Moon S) e há diversas evoluções da autora, no que diz respeito ao desenvolvimento da história e nas novidades que surgem. Com certeza, além de ser a temporada queridinha na versão anime, este é um arco que tem tudo para cativar o leitor.

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A História

O ato 27 introduz a nova ameaça que deverá ser enfrentada pelas guerreiras. Um ser intitulado Pharaoh 90 anuncia a era da destruição e exige de sua lacaia Kaolinite que não haja interferências em seus planos. Todos os seus movimentos são sentidos por Rei e por Mamoru, que não entendem bem o significado destes pressentimentos. Enquanto isso, Usagi continua a mesma de sempre e precisa aguentar as broncas de Chibiusa, que está em treinamento de guerreira. No entanto, a maior novidade está na apresentação da famosa violonista profissional Michiru Kaiou e “a jovem esperança das pistas de corrida japonesa”, Haruka Tenou. Por coincidência (ou não), estes dois personagens surgem nas vidas de Usagi e Mamoru, plantando uma sementinha do ciúmes e deixando várias interrogações na cabeça.

Em seguida, novos monstros aparecem, só que ao invés de atacarem as pessoas, eles nascem delas. Eles surgem principalmente em alunos da Academia Infinito, direcionando toda a investigação das meninas para a escola. Ao chegarem lá, além de reverem Haruka e Michiru num tom bem ameaçador, Chibiusa acaba encontrando Hotaru Tomoe, uma garota que diz sofrer de várias crises e que de cara mostra a Sailor Moon e a Sailor Chibi Moon que possui um curioso poder de cura. De longe, dois vultos que parecem uma guerreira sailor e um mascarado de smoking observam a batalha.

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Todos estes acontecimentos levam as garotas a suspeitarem ainda mais da Academia Infinito. Rei usa a desculpa de fazer um retiro espiritual em uma montanha para investigar o acampamento dos calouros da Academia Infinito. Por ser seu aniversário, todas as outras aparecem de surpresa para comemorar. Como esperado, o acampamento era apenas uma armadilha para transformar os alunos em daimons. O plano foi arquitetado por Eudial, uma das Witches 5 (Bruxas 5, na tradução JBC), que diferente do anime, nem tem tempo de respirar. Mais uma vez a batalha foi observada pelo vulto do que parece uma guerreira sailor. Mas ela é diferente da outra!

É aqui que temos uma das cenas mais emblemáticas E BIG SPOILER caso não tenha visto, então, a partir daqui PULE PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO SE NÃO QUISER SABER. Curiosa para descobrir se é ou não uma nova guerreira, Sailor Moon parte em debandada atrás do vulto da sailor misteriosa. Ao perceber que está sendo seguida, a guerreira deixa um aviso a Sailor Moon e rouba-lhe um beijo. Este acontecimento deixa Usagi muito confusa, não sabendo se com isso traiu ou não seu amado Mamo-chan.

A tensão entre o casal aumenta quando Mamoru pega Haruka convidando Usagi para um recital de Michiru e a situação piora ainda mais quando Usagi convida todas as meninas, menos ele. Entretanto, ela também está toda enciumada por ter visto Michiru convidando Mamo-chan para o mesmo recital e ao invés de a ter chamado, convida Chibiusa para ir junto. Típica situação de namorados com briguinhas pequenas e que deixam a relação abalada.

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Contudo, o recital acaba interrompido quando Minako convoca as garotas para irem até onde acontecia o show de Mimi Hanyou, em que Minako toda tiete, resolveu ir com a desculpa de investigar mais sobre os novos inimigos. Na verdade a famosa cantora é Mimete, uma das Bruxas 5 e que planejava transformar seus fãs e colegas da Academia Infinito em daimons. A bruxa não teve nem chances contra o golpe de Sailor Uranus, que aparece junto de Sailor Neptune, deixando as meninas estarrecidas com a presença de novas guerreiras, que por sinal, não são nada amigáveis.

A partir deste momento todas as dúvidas deixadas ao longo dos atos anteriores vão sendo esclarecidas. Os sonhos de Rei e Mamoru passam a acontecer também com todas as outras sailors e explica-se que o surgimento da era da destruição tem relação direta com a junção de 3 misteriosos talismãs, sendo este o principal objetivo dos novos inimigos, que se auto denominaram Arautos da Morte (de acordo com a tradução JBC). Eles querem obter o poder do Cristal Taioron, mas a maga Kaolinite percebe que Sailor Moon possui um brilho muito mais poderoso, que vem obviamente do Cristal de Prata.

Também descobrimos (não que não soubéssemos…) que as novas guerreiras são Haruka Tenou e Michiru Kaiou, Sailor Uranus e Sailor Neptune, respectivamente. Aqui também acaba o suspense em relação ao sexo de Haruka, que por ser uma sailor, só poderia ser mulher, mas a personagem deixa bem claro que para ela não é importante ser homem ou mulher.

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O volume caminha para o final com a reconciliação de Usagi e Mamoru quando os dois criam o Cálice Sagrado, que não possui ainda nenhum poder por apenas ser o dever de casa de Chibiusa. Paralelamente, Ami se infiltra como estudante temporária na Academia Infinito e sofre o ataque de Viluy, a terceira bruxa, que se disfarçou como a garota gênio, Yui Bidou. Durante a luta, surpreendentemente, Sailor Mercury é salva por Uranus e Neptune, colocando em dúvida o tal afastamento que a novas sailors impuseram. O gancho para o novo volume se dá com a aparição de uma velha personagem, que supostamente estava morta.

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A Edição

O trabalho feito pela editora JBC neste volume não ficou de todo mal. Pela perspectiva das revisões, podemos dizer que melhorou 100% em relação aos anteriores, uma vez que erros de digitação, ortografia, gramática e mesmo a congruência com os termos utilizados em volumes anteriores, não foram notados.

Com relação a tradução… é… então… alguém gosta da Top Therm aí? Já que não dá para falar de coisa boa, vamos falar que encontramos muitas novidades nesse volume, só que às vezes novidades não são exatamente coisas boas. Quanto aos diálogos, tivemos uma melhoria considerável nas palavras que são adequadas aos personagens e de vocabulário usual. Obviamente, leitura é conhecimento, mas a adaptação das palavras utilizadas precisa ser no mínimo coerente aos personagens a que elas são utilizadas.

No entanto, em relação a nomenclaturas de golpes, personagens e afins, percebemos que a JBC começou a se dar conta de quanto se embananou quando optou por traduzir os poucos termos que são originalmente em inglês.

Com o propósito de ser acessível a todo público (porque fãs de Sailor Moon sabem mais inglês que pessoas comuns \o/), vimos ao longo dos volumes anteriores todos os ataques e denominações sendo traduzidos, ora de acordo com a dublagem, ora de acordo com uma tradução ao pé da letra, ora com adaptações sensatas e ora algumas que foram viajadas na maionese, causando estranheza para alguns.

Vamos ter em mente que estas adaptações não estão totalmente erradas, mas levando-se em conta que Sailor Moon já tem tradição e uma história de fandom no Brasil com quase 20 anos, qual a intenção de causar tal estranheza nesse público, que até que se prove o contrário, é o maior grupo consumidor do produto?

Desta forma, o nariz torcido para o “Clamor Mortal” de Sailor Pluto estava indicando que sim, Sailor Uranus e Sailor Neptune também sofreriam do mesmo mal quando aparecessem e infelizmente, foi o que aconteceu. Com Sailor Neptune o caso nem foi tão assustador, se pensarmos no termo da dublagem. Mas no quesito escolha das palavras utilizadas para readaptar, não podemos dizer o mesmo. Maremoto de Netuno não é a melhor adaptação para “Deep Submerge”, que de forma bem simples podemos dizer que é Submersão Profunda. Mas então, qual a explicação para usar “Submersão Absoluta”? Provavelmente apenas no mais profundo da palavra “Deep”, em inglês, é que poderemos tirar o significado de “absoluto” e, mesmo assim, se pensar no que é o golpe, mais fácil você se afundar no mar profundo que se afundar no mar absoluto, o que não tem sentido algum por sinal. (Vamos mergulhar absolutamente?!)

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O ataque de Sailor Uranus, originalmente “World Shaking”, em uma tradução bem simplória pode ser “Mundo Tremendo”, mas porque diabos acabou como “Abalo Global”? Pode ser uma adaptação razoável, porém não a melhor (sabe aquela situação de estranhamento do ataque de Sailor Pluto? Essa!). A dublagem brasileira utilizou “Terra, Trema!”, que também não é uma adaptação 100% fiel, mas é mais próxima de “World/Mundo” (Terra, o nosso mundo) “Shaking/Tremendo” (Trema, do verbo tremer). Mas a equipe da JBC acreditou ser melhor abalar as estruturas dos fãs a utilizar o termo da dublagem, que aliás ela usou em outras situações sem necessidade (diga olá Fulgor das Águas de Mercúrio).

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Enquanto a equipe de tradução perde tempo reinventando a roda dos ataques e procurando palavras que destaquem o quanto eles pensaram em uma adaptação, outros termos jogam essa impressão por água abaixo, principalmente quando se lê “Jupiter Coconut Cyclone” traduzido como “Ciclone de Coco de Júpiter”. É claro que NESSE ataque eles TINHAM que ser literais ¬¬*. Porque, no mínimo, procurar palavras alternativas, que dessem o mesmo significado e ao mesmo tempo fizessem sentido, seria demais neste caso…

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No entanto, nem tudo está perdido. Você pode considerar 90% da edição bem traduzida e adaptada. Depois de relevar os pontos acima, a utilização de “Arautos da Destruição” para traduzir  “Death Busters” e a bipolaridade do termo Mugen, que para determinadas situações aparece como Mugen, mas para outras, traduzem para Inifnito (o.O hã?), nem é tão grave assim (ou é?).

O que queremos destacar aqui é que Sailor Moon possui diversos termos confusos de serem traduzidos e adaptados, e por esta razão, a decisão de traduzi-los só causou uma enorme lambança de termos, que podem não ser errados, mas que também não são os mais adequados. Para o fandom, público consumidor garantido, isso faz uma enorme diferença. Para o público em geral, que hoje compra e amanhã não sabe, pode causar uma incrível confusão. Só que infelizmente, já é tarde demais… Metade dos volumes se foram e apenas cabe a nós rezar para Serenity para que quando outro ciclone de coco aparecer, não doa tanto.

 

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