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8 de agosto de 2016

[Coluna Lunar] Sailor Pluto, Queen Beryl e as outras faces do amor

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O amor é a força mais poderosa do universo, é ele que nos move, que nos faz acordar de manhã e ter um propósito na vida. Existem muitas formas de amor e acho que posso dizer que somos capazes de amar qualquer coisa ou pessoa. A semente dessa força tamanha tem outra característica muito particular, ela tem o dom de nascer tanto em terra rica e macia quanto nos mais árido dos desertos. O solo do nosso coração só nós sabemos, o quanto a visão daquela flor perene nos agrada ou incomoda também só cabe a nós.

O universo dos musicais de Sailor Moon é um mundo à parte onde coisas impensáveis podem acontecer como as Sailors lutarem contra um clã ancestral de vampiros ou a temível Sailor Galaxia fazer renascer Beryl e os Quatro Generais para aumentar seu poder na luta contra a Luz da Esperança.

Mas não importa quão difícil seja a batalha duas coisas são certas: Uma delas é que Usagi vai sempre acreditar no amor e na bondade e lutar até suas últimas forças para defendê-las e a outra é que não importa quantas vidas vivam, quantas lutas travem, quantos inimigos hipnotizem e sequestrem Mamoru, ele vai estar sempre ali para apoiar sua Princesa da Lua.

Tudo lindo, não é mesmo? Nem tanto assim. “Se um coração diz que sim à paixão como pode o outro dizer não? ” Já perguntavam Sandy e Jr. em “A Lenda” (você cantou, que eu sei), eis que respondo: estando o outro já amando alguém, que não você. É trágico, mas mais uma vez, é real. Eu e você sabemos como é isso, como é amar sem ser correspondido, não dá para sair ileso dessa vida. E cada um faz a sua história.

Sailor Pluto é uma guerreira solitária, recebeu a missão um tanto ingrata de zelar pelo Portal do Tempo, ficando sozinha numa dimensão além do tempo e do espaço, observando todas as tragédias e glórias de diversas linhas temporais sem poder viver na pele, de fato nenhuma daquelas emoções. Menos uma. Endymion, o príncipe da Terra despertou não só o olhar de Serenity, com todo o esteriótipo do clássico príncipe encantado, seu charme se espalha por onde ele passa e conquista muitos corações pelo caminho.

Sailor Pluto foi uma das que teve seu coração roubado pelo galante príncipe de olhos azuis como o seu planeta e teve que assistir de longe seu amado viver e morrer por outra, o viu reviver, lutar e prosperar até ser coroado Neo King Endymion ao lado de outra mulher. Acontece que a sua rival no amor era nada mais, nada menos que a mulher a quem Pluto jurou defender com a própria vida. Ela também amava Serenity, um amor diferente, mas tão forte quanto o que sentia por Endymion, se não maior.

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De seu Portal, Pluto viu o amor dos dois e tinha duas opções: ficar feliz com a felicidade deles e aceitar que esse amor ela não poderia viver, ou se ressentir, buscar vingança, se amargurar. Generosa e bondosa como poucas pessoas nesse mundo ela consegue não apenas superar seus sentimentos como vê em Chibiusa a filha que não pôde ter.

Me arrepio em pensar como ressoa no peito de Setsuna toda vez que a Pequena Dama vem de encontro aos seus braços gritando “Puu”, como ela deve se sentir podendo acalentar e cuidar da pequena princesa, derramar um pouco desse amor proibido convertido em amor maternal e ser a segunda mãe da filha do seu amor.

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Mas nem todos os terrenos são de terra boa e a mesma semente que fecundou o coração de Pluto chegou ao coração sombrio de Beryl. Não sabemos muito sobre o passado da mulher que sucumbe às trevas por poder, mas provavelmente ela era membro da corte da Terra, uma vez que tinha acesso ao palácio. Por suas vestes, deduzimos que era alguma serviçal e a primeira coisa que nos vem à mente é que a diferença de casta foi a principal razão pela qual ela nunca teve ao menos coragem de se declarar. Ora, um coração nobre como o de Endymion não veria nenhuma indisposição nisso, mas seu coração já tem dona e ele não consegue enxergar mais ninguém.

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Ressentida, magoada e inconformada ao perceber que seria impossível viver seu sonho de amor, aceitou a proposta de Queen Metalia, se tornou Queen Beryl, promoveu um motim popular dos terráqueos contra o Reino Lunar que levou à queda do Milênio de Prata e tragicamente à morte de seu amado.

Me arrepio em pensar no desespero de Beryl ao ver que seu plano deu errado, que Endymion amava tanto Serenity ao ponto de parar a espada, que feriria mortalmente a concorrente de Beryl, com seu próprio corpo, sacrificando sua vida. Não era para ele morrer, ele viveria e sem sua rival em cena, justo agora que era uma rainha, membro da nobreza, e poderia casar-se com seu príncipe. Mas não era esse o destino reservado a ela e o resto da história vocês conhecem.

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A diferença em lidar com o mesmo sentimento nos faz voltar aos musicais de Sailor Moon. No musical de 2004 –Kakyuu Ouhi Kourin (A Chegada da Princesa Kakyuu), após se tornarem dispensáveis para Sailor Galaxia, a Sailor vilã está prestes a lançar um ataque mortal em Beryl e seus Generais quando Pluto entra no meio e salva a mulher que, movida pelo amor e pelo ódio continua incessantemente voltando e voltando em várias vidas, sempre tentando alcançar o amor, o mesmo amor que Pluto sente.

Naquele momento não há vilãs e heroínas, há duas mulheres partilhando suas dores, enxergando-se uma na outra, sangrando a mesma ferida. Pluto tenta convencer Beryl que se o amor virou ódio, ele pode voltar a ser amor, mas Beryl foi muito machucada para aceitar os conselhos da Sailor. Pluto se compadece daquela mulher, tão sofrida quanto ela e usa de seus poderes temporais para mandá-la para um lugar onde estaria selada, longe de seu amor, mas viva.

Secretamente eu sinto que Pluto fez isso por ter esperança que o Tempo, seu pai que cura todas as feridas, sare as de Beryl e que ela possa sentir mais uma vez o amor. Beryl, ao contrário da solitária Sailor, pode em algum momento viver um amor mais puro e possível e é essa esperança que leva Pluto a fazer jus ao seu título de Guardiã da Revolução e realizar a Revolução do Amor, aquela força irredutível que tudo pode.

Emocione-se com Onna no Ronsou (Disputa entre Mulheres), o dueto entre Sailor Pluto e Beryl, a tradução está logo abaixo do vídeo.

Onna no Ronsou- tradução

(Disputa entre mulheres)

Quando alguém é realmente amado
pode-se ver pela primeira vez a forma de um coração
Você amou aquele homeme, e eu não pude
Prever que eu o amaria também
E o coração assume a forma da solidão

Um destino fatídico e a fé no amor
Foi mortalmente feria por aquela traição
Essa forma só é sustentada por um profundo ódio

Vejo sentimentos de ódio como os de amor
Se o amor renasceu como ódio,
Então que façamos com que ele renasça como amor

De uma mulher que nunca tenha solicitado amor
você pode realmente entender este tipo de solidão?
Eu entendo como
Um amor não dito leva à solidão …

One Response to “[Coluna Lunar] Sailor Pluto, Queen Beryl e as outras faces do amor”

  1. avatar darin disse:

    Que texto mais lindo e real…
    Admito que quando me aprofundei no universo moonie e descobri o amor proibido da plu fiquei indignada.
    Como ela poderia?
    Ela era louca?
    O simples sentimento era errado!!!

    Sempre fui muito ciumenta com o Mamo-chan, tenho raivinha da Rei pelo file do anime…
    Mas olhando por este lado dar para me compadecer da sailor solitária.