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11 de agosto de 2016

[Coluna Lunar] Aprendendo com Sailor Moon: Empatia

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Texto de: Igor Gilla

Se existe uma coisa presente nesse anime é empatia. Você sabe o que é isso? Parece uma palavra fácil de se entender o significado, mas nem tanto. Aliás, está bem em foco na atualidade. Nunca se falou tanto sobre isso. Parece que todo mundo sabe colocar a palavra na frase (às vezes nem isso!), mas o que ela traz parece tão fugaz quanto o rastro das Starlights voando no céu da noite.

Se você viu o anime com atenção, estou certo de que vai entender numa boa. Se tem uma coisa que essa franquia tem em seu enredo é empatia. E como tem!

Já reparou que no caminho que a série percorre, seja no mangá, no anime dos anos 90, no Live, no Sera Myu… Usagi vive espalhando um amor imenso? Um amor que cativa cada uma das Sailors: a retraída Ami gênio, a assustadora Rei médium, a briguenta Makoto, a solitária misteriosa Minako… Com simplicidade e ternura, nossa princesa aquece o coração de cada uma de nossas Inner Senshi.

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Pois é, a ternura e bondade da princesa, boas e velhas conhecidas. É ela que desperta a poderosa fonte do amor. E quando estamos cheios desses sentimentos maravilhosos, abre-se um mundo lindo para nós. O mundo do outro.

Esse sentimentos deixam nosso coração de portas abertas para as pessoas que nos rodeiam. Uma cena que me lembro sempre, e ótimo exemplo, é quando no filme “A promessa da Rosa”, relativo a saga R do anime clássico, cada Iner Senshi tem um flashback e lembra da doçura da Usagi com elas, e as fazendo sentir que não estão sozinhas. Que alguém reconheceu cada uma delas como um ser especial. E num ato desesperado, Usagi grita com todas as suas forças que nunca mais deixaria ninguém se sentir só.

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(Alerta spoiler: Filme R)
E sem querer dar spoiler (mas já dando), uma das cenas mais bonitas desse mesmo filme é quando a dona do Cristal de Prata, em pleno ataque inimigo se compadece, o olha nos olhos e vê a dor e a tristeza em seu coração e mostra a ele como ela cuidou daquilo que era mais precioso para ele.

Pois é, isso é empatia. É poder deixar seu próprio coração aberto para ouvir o coração do outro. É ter a ternura e o amor de acolher as lágrimas de alguém que tem uma dor, de sentir a energia vibrante de quem está legitimamente feliz, a monotonia de quem está cabisbaixo, a falta de visibilidade de quem está sem energia, a esperança de quem está acreditando no melhor, ou seja lá o que for, e retribuir isso com um abraço.

Não há como sentir aquilo que está no outro, mas podemos receber essas coisas, boas ou ruins, e nesse abraço dizer sem falar “você não está sozinho”.

Para acabar com seu emocional e fazer você um Moonie ainda mais empático depois deste texto, tenho mais dois exemplos. Em um deles, queria citar minha uma cena favorita minha do anime dos anos 90:

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(Alerta spoiler: Saga Stars anime dos anos 90)
Depois de uma quase vitória, Neherenia satisfeita de ver a desolação da Rainha da Lua, parte para o ataque direto contra nossa Rainha. Ouvindo toda a tristeza que foi a vida de Neherenia, solitária no lado escuro da lua, Usagi se enche de sua compaixão e se entristece, chora. Indignada, Neherenia se revolta e não entende porque não é odiada diante tamanha maldade que cometeu. É então que nossa Usa diz que ela seria muito infeliz se vivesse tão só quanto Neherenia, mas que se ela abrir o coração, todos poderiam amá-la. Que ninguém deveria viver sozinho, na solidão.

A cena é linda, poderosa. Com esse ato de puro amor, os feitiços de Neherenia perdem a força, as Sailors se libertam de suas prisões de espelhos e dizem palavras de acolhimento e amor para a inimiga. Ela começa a lembrar seu sonho de quanto era criança: Não sentir-se só. Neherenia volta a ser uma criança ganha uma chance de recomeçar.

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(Mais um spoiler! Agora do mangá. Arco stars)
E para fechar os momentos épicos de empatia: a cena em que a eternal Sailor Moon salva Sailor Galaxia de cair no caldeirão galático. Ela se lança em direção à vilã, pega sua mão e a trás de volta à terra firme. Sem entender, Galaxia pergunta porque ela agiu assim e Usagi responde que viu em Galaxia ela mesma, solitária. Nas palavras frias de Galaxia, Sailor Moon se reconhece. A solidão dela fez Usagi ver sua própria condição solitária e isso a fez salvar sua oponente.

Mais do que só ter o coração aberto para as outras pessoas, empatia é permitir que o que o outro sente chegue até nós. E isso nos aproxima. É de uma força incrível. Nos torna capazes de encontrar a humanidade num inimigo, tarefa nada fácil, por exemplo. Imagina quantas coisas mais a empatia pode nos permitir realizar…

Um abraço terno e quentinho em cada um que sente uma dor que as palavras mal podem explicar, seja ela qual for, e que vocês possam encontrar o amor através da empatia daqueles que te cercam. Abram seus corações também. Permitam-se serem amados.

E não se esqueçam: a luz da lua traz uma mensagem de amor. Vamos ler juntos?

3 Responses to “[Coluna Lunar] Aprendendo com Sailor Moon: Empatia”

  1. avatar Digo disse:

    Texto maravilhoso. Estou adorando a coluna!

  2. avatar Kuro disse:

    GEEEENTE, que coluna maravilhosa!

    Por favor, Igor, não pare de escrever! Estou aprendendo e refletindo bastante com seus textos 🙂