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21 de julho de 2016

[Coluna Lunar] Aprendendo com Sailor Moon: Autoafirmação

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Texto de: Igor Gilla

“Olá. Meu nome é Usagi. Tenho 14 anos e estou na oitava série. Sou uma menina preguiçosa, um pouco atrapalhada que adora ler mangás e jogar vídeo game.”

Não precisa passar mais do que um ou dois episódios para percebermos uma das maiores características desse anime que amamos tanto. Estou falando de autoafirmação.

“Autoafirmação? Como assim?”

Então, autoafirmação é uma palavra que remete defesa de si mesmo. Defender o que se é diante do mundo. Insistir na dura tarefa de ser você mesmo diante de toda sociedade. Você, suas concepções e opiniões. Que, vamos combinar aqui, no cantinho escuro da lua pra ninguém ver? Tá difícil atualmente, né? Pois é.

“Ué?! Mas o que isso tem a ver com Sailor Moon? Tá louco, migo?”

Tô louco não. Sou doido varrido. #Aloka

Naquelas pequenas introduções do anime e do mangá sempre víamos Usagi se apresentar para nós. Sem se furtar de dizer quem ela realmente era. E olha, se ela não tinha vergonha de dizer que era preguiçosa e que só queria dormir mais, por que não admitirmos nossas formas de ser? Nossos gostos, pensamentos, desejos?

Porque auto afirmação não vem sem aceitação.

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Quando aceitamos o que somos, como somos, o que gostamos e o que queremos, podemos pisar firme no chão e insistir que sejamos aceitos enquanto pessoas. Marcamos lugar no mundo, construímos nosso espaço, coisa fundamental para viver em sociedade. É nesse pequeno pontinho no meio do povo que fazemos a nossa diferença ser mais uma opinião a contar. E se não há uma Sailor igual a outra, também não há uma pessoa igual a outra. Nossas diferenças constroem nossa sociedade e com elas ficamos mais ricos de saber, viver e estar.

O que seria do azul se todos gostassem do amarelo? Lembra dessa? Então.

Então que quando somos diversos, somos mais interessantes. A diferença que nos compõem vem de nossas sementes estelares, da nossa forma de brilho do coração puro, são únicos como as estrelas, e como as estrelas, cada corpo celeste é um e nem por isso o céu é feio.

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“Ainda não tô vendo Sailor Moon apesar das quotes. o.o?”

Não só nossa Usagi, mas cada Sailor que conhecemos tem sua personalidade e se orgulha dela. Ami é inteligente e que usa isso a seu favor na luta, ainda que seja uma luta diferente. Rei é a nossa temperamental e isso não é ruim, ou você não reparou que quando ela tá enfezada ela bota pra quebrar? E se formos a fundo vamos achar coisas em cada personagem dessa história.

Não há uma Sailor que não se orgulhe de quem é, que não faça disso sua forma de lutar. E talvez seja isso que Naoko tenha a nos passar hoje. Acredite em você, aceite seus acertos, seus erros, siga adiante. (Óbvio, sem esquecer que se a gente erra, precisamos reconhecer nossos erros e melhorar, e pra isso, ouvir é primordial.)

Vejam lá hein, povo? Autoafirmação não é razão pra agressão gratuita. Respeito é o básico! Vamos respeitar todos. Depois vai dizer que eu que falei pra ser sem noção. Pelo amor da lua! Serenity tá olhando, hein?!

Então, no episódio de hoje aprendemos que você pode ser você sim e isso dá forças, dá poderes, e com eles responsabilidades (essa é outra história!), quer dizer, cuidado para não exagerar e se afirmar tanto a ponto de querer que todo mundo seja como você. Saber ouvir faz parte da autoafirmação, afinal, conhecer um pouco de si é saber que você também erra e precisa melhorar sempre.

E não se esqueça: a luz da lua sempre traz uma mensagem de amor. Vamos ler juntos?

6 Responses to “[Coluna Lunar] Aprendendo com Sailor Moon: Autoafirmação”

  1. avatar Hugo disse:

    Eu nunca havia interpretado a apresentação introdutória da Serena como uma autoafirmação. É um viés interessante. De fato, Serena não parece MESMO ter vergonha do que é. Não que ela estandardize sua personalidade como algo a ser seguido, mas ela veio mesmo para quebrar o conceito até então arraigado de super-heroína perfeitinha, né?

    Texto adorável, parabéns. 🙂

    • avatar Igor Gilla disse:

      Muito obrigado! <3
      Acho que Sailor Moon tem muito a nos ensinar sobre isso. E não só a Serena/Usagi, as outras meninas também. Todas tem essa força em suas personalidades. E ela quebra mesmo essa coisa de protagonista intocável e supra humano.

  2. avatar Lucas disse:

    Belo texto, sem palavras, muito bom <3

    Realmente cada um é único, tem sua forma de lidar com as coisas, seu tempo para desenvolver alguns aspectos, crescer e agir. O anime mostra isso desde os anos 90 e ainda ensina que não temos que nos envergonhar de quem somos, além de claro sempre colocar em pauta a esperança e a luta por um futuro melhor.

  3. avatar Anderval disse:

    Realmente, concordo. Sailor Moon é um anime que, através das suas fases, nos ensina muito sobre a questão da autoaceitação. E isso é visto em TODAS as personagens. A Ami-chan sofre bullying por ser inteligente, a Rei-chan é excluída por ser espiritual, a Mako-chan sofre preconceito por ser alta e forte e a Minako-chan por ter uma vida dupla enquanto Sailor-V. Isso, aliás, é bem representado no filme Sailor Moon R. Mas apesar de todas essas características e consequências, elas não mudam sua personalidade e se agarram nela mais do que nunca. E encontram força na amizade verdadeira. Acho que o anime trabalha bem essa questão de amizade verdadeira, que valoriza o outro apesar das suas características (como a Usagi-chan e a Rei-chan, que vivem brigando por ter temperamentos BEM diferentes, mas no fundo, se amam). E essa questão da autoafirmação, da identidade, também é trabalhado em outras fases, como em Sailor Moon S, com a Haruka e a Michiru, em Sailor Moon SS, com o Olho de Peixe. Enfim, taí um anime pra ensinar muita coisa pra garotada.

    • avatar Igor disse:

      Muito a ensinar mesmo, Anderval. Sailor Moon fala de autoafirmação o anime todo. É um eixo guia. É lindo ver como essas personagens desabrocham em suas histórias e como isso é potente. É por isso que nos inspira. E não há nada de mais potente nisso: sermos nós. E acredito que seja por isso que a amizade dessas personagens é tão intensa e verdadeira. Quando não há o que esconder de alguém, quando podemos ser nós mesmos, o amor é mais forte.