Sailor Moon Vol. 10

Review do mangá da JBC

Estampado com a figura memorável de Sailor Saturn, o volume 10 traz o final do Arco Sonho e mostra o crescimento da Naoko como escritora. Ele nos brinda com batalhas emocionantes, amizades sólidas, vilões arrepiantes e até contos de fadas lunares.

A história

O volume já começa fervendo com o retorno das Outer Senshi chegando ao campo de batalha para resgatar as companheiras. A batalha entre as guerreiras e o Quarteto Amazonas é brutal, mas não o suficiente para abalar as vilãs. As guerreiras clamam pela presença da princesa, mas quem vem é Chibiusa, que agora transformada em Sailor Chibi Moon, corre para a batalha ao lado de Hotaru. E que diferença entre a versão do anime e do mangá! Ao invés da menina mimada e chata que estrelou a fase Super S, temos uma guerreira destemida e poderosa que está amadurecendo como pessoa. Essa sim é a Small Lady que a Naoko criou e não a versão do anime. Justificada a raiva dela ao ver as mudanças ocorridas nas telinhas.

Aqui percebemos que ainda conhecemos muito pouco sobre a verdadeira Hotaru. Ela é uma mescla de 3 personalidades: a guerreira solitária, a menina traumatizada pelas dores que sofreu por toda a sua vida e seu renascimento como um bebezinho mimado. Por incrível que pareça ela não precisou nem ir para o divã e se tornou uma pessoa melhor e muito útil nas batalhas, quase conseguindo trazer o Quarteto Amazonas para o lado da luz.

A batalha se intensifica e, mesmo doentes, Usagi e Mamoru se juntam para proteger o planeta. Conhecemos Elysion, o mistério do  Cristal Dourado é solucionado, vemos o sacrifício do cavalo alado para purificar o planeta. As idas e vindas entre pesadelos, as batalha na superfície e interior do planeta fluem de uma maneira natural e não lembram nem um pouco a confusão das viagens ao Pólo Norte do Arco do Dark Kingdom.

mamoru-delicado

Cadê seu cavalheirismo, Mamoru? Pra que acordar as meninas assim?

Com a superfície salva, resta salvar Elysion. O barco do Circo Dead Moon chega até lá e, numa das partes mais legais dessa história, a verdadeira identidade da Rainha Nehelenia é revelada: a Rainha da Lua Nova. Um flashback causado pelo poder do caleidoscópio nos leva  ao Milênio de Prata, logo após o nascimento do bebê de proveta lunar da Princesa Serenity, mais especificamente durante a festa em comemoração ao seu nascimento. Nesse dia Nehelenia se revela pela primeira vez, dizendo que sua origem era a mesma da Rainha Serenity e que luz e trevas precisam um do outro para existirem. Ameaçando a paz no reino, a Rainha Serenity sela Nehelenia no espelho. Contudo, antes de desaparecer, Nehelenia deixou uma maldição ao bebê, prevendo que o Milênio de Prata seria destruído e que a princesinha jamais herdaria o trono. Malévola mandou lembranças!

Nehelenia revela que seu sonho é conquistar a Terra e roubar o Cristal de Prata, como símbolos de que ela é a verdadeira rainha da Lua. Mas Usagi e Mamoru unem suas forças e revelam que o poder não é algo que possa ser roubado, pois ele nasce dentro de cada um. As Sailors assumem sua forma de princesas e as Guardiãs  dos poderes de Sailors (em japonês não tem “fada” no nome delas, elas são apenas “Sailor Power Guardians”) surgem para elevar as guerreiras a um novo estágio. Reunindo os poderes do castelo de cada planeta do sistema solar em um novo Cálice Sagrado, Sailor Moon atinge seu último estágio e a batalha culmina para seu final feliz.

coroacao

Para finalizar, temos um final digno de novela, com direito até a beijo para acordar o príncipe encantado (e a ChibiUsa prova que até nisso ela puxou ao pai). Naoko nos brinda com uma das cenas mais bonitas de todo mangá, onde o Rei e a Rainha liberam os poderes dos cristais sagrados rodeados pelas princesas do Sistema Solar, como um vislumbre do futuro. Aliás, essa cena é a favorita de muitos fãs e esperamos desde já que, pelo amor de Serenity, Crystal não decepcione! A cereja do bolo foi a revelação de que o Quarteto Amazonas eram as futuras guardiãs da Small Lady: as guerreiras detentoras dos poderes dos asteroides (e não pelos planetas-anões como foi traduzido… apenas o asteroide Ceres foi promovido a planeta-anão quando Plutão foi rebaixado e o mangá foi escrito anos antes dessas alterações). E para fechar o arco com chave de ouro temos uma linda mensagem simbólica sobre o poder interior de cada uma.

sailor-asteroides

Se pararmos para pensar, a Naoko até poderia ter parado a história por aqui. O final é bonitinho, fechadinho, tem a cena final perfeita… O arco Stars é até dispensável, abre lacunas que atrapalham o “felizes para sempre” e deixa alguns furos no roteiro. Mas isso é discussão para os próximos reviews…

Parte técnica

Podemos dizer que dessa vez há pouco a reclamar desse volume – ao menos em comparação com o volume 9. O fato de ser uma história tão repleta de acontecimentos também contribuiu para não vermos muitos defeitos. A impressão continua sendo um ponto forte da JBC e dessa vez, eles acertaram na tradução dos ataques da Saturn. Muro do Silêncio é bem mais condizente que a versão da BKS de “Campo de Energia” e “Ataque Surpresa da Alabarda do Silêncio” é grande, mas correto.

ataques-saturn

Por outro lado, a tradução “Beijo da Cura da lua de mel estelar” é terrível, embora nesse caso qualquer forma de tradução seria grotesca. Seria melhor se tivessem imitado a decisão de não traduzir “Tuxedo la Smoking Bomber”, quebrar o “padrão” de traduzir os ataques, e manter o nome desse golpe em inglês como no original: “Starlight Honeymoon Therapy Kiss”.

moon

Lembram dos castelos das Sailors que aparecem noa luta final? Cada Sailor tem o seu castelo… Exceto a Mars, que na tradução da JBC ganhou um castelo extra, que na verdade deveria ser um só, com o nome de “Fobos Deimos” (ou “FobosDeimos”).  Até as guardiãs falam na página anterior para elas usarem “o poder do castelo dos seus planetas-mãe”. Esse erro de interpretação dos katakanas deixou parecendo que a Mars é a princesa mais rica do sistema solar. Será que a Rei tem algum admirador secreto na redação da JBC?

mars

Falando em estranho, o Cristal de Prata mudou de nome e agora se chama “Cristal Lunar Prateado”. Apesar de também existir uma mudança no nome no original de “Guinzuishou” para “Silver Moon Crystal”, o significado traduzido permanece o mesmo, não havendo necessidade de uma mudança na adaptação do nome. Nos amamos o Cristal de Prata! Bastava colocar um “Lunar” ou “da Lua” no final do nome já consagrado. E já que estamos falando de nomes, o que foi esse Cristal Lunar Rosa? Colocar Cristal da Lua Cor de Rosa ou simplesmente Cristal Rosa da Lua seria muito mais eficiente, com o “plus” do nome Cristal Rosa ainda referenciar o formato do cristal que lembra uma rosa… Sério, JBC, quando a gente acha que vocês estão melhorando…

cristal-lunar-rosa

Leia Mais