O Império Solar e a Linhagem Sagrada
Livro I – A Linhagem Sagrada
Capítulo II - Chegadas
Um toque suave a acordou, um suspiro partiu dos lábios da Rainha e seus olhos azuis abriram-se lentamente. Sentou-se na cama com dificuldade em se manter acordada, em um murmúrio ela disse:
_ Gostaria de dormir só mais três minutos!
Uma risada feliz foi ouvida, Neo Queen Serenity sorriu encantada. Os braços do marido a envolveram e ela aconchegou-se a ele, pensando no quanto adorava ouvi-lo rir. Fazia com que se lembrasse dos dias em que ele era o misterioso e sério Tuxedo Kamen, ou o reservado Mamoru, pensando bem ela sempre o fizera rir, mas o som a fazia sentir-se muito bem e não zangada como no passado. Virou-se e ofereceu os lábios ao marido, sorrindo ele curvou-se e beijou-a, segundos depois ele a soltou e ela disse:
_ Tem certeza de que tenho que acordar?
_ Vamos Usako! Hoje é seu aniversário! – ele pareceu se lembrar de alguma coisa e voltou à beijá-la.
_ O quê é isto? – ela perguntou rindo.
_ Seu beijo de Feliz Aniversário. Mas vamos levante-se, Lunna e nossa filha prepararam uma festa incrível e a aniversariante tem de estar acordada.
_ Tudo bem, você venceu. É ótimo para me acordar.
_ Eu sei – com um sorriso maroto continuou, - sou o único que consegue.
Ela mostrou a língua para ele e riu logo depois, só com Mamoru podia voltar a agir como a antiga Usagi.
Uma linda sala havia sido decorada para o aniversário da rainha, balões, fitas e flores brancas e rosas enfeitavam a sala, uma mesa cheia de doces enchia a vista. Praticamente, todos os detalhes haviam sido preparados pela Princesa de Cristal Tokyo, Small Lady já tinha completado onze aos e ela adorava organizar festas no castelo. Porém não estava satisfeita naquele dia, os convidados da festa eram predominantemente mais velhos, havia poucas pessoas de sua idade na corte. As senshis e seus pais não eram tão divertidos como antigamente, mas a Rainha ainda precisava de uma festa e Chibiusa ficava feliz em organizá-la.
_ Miau! O quê está pensando Small Lady? – perguntou Lunna desconfiada.
_ Nada Lunna. Será que a mamãe me deixa ir passear com Sailor Pluto depois da festa.
_ Eu vou também! – gritou a pequena gatinha, Diana filha de Luna e Ártemis, e companheira constante da Small Lady.
_ Você não vai a lugar algum gatinha. Ainda está de castigo – disse Lunna autoritária.
_ Mas mamãe...
_ Não Diana!
_ Miau!
A Small Lady riu e saiu de perto das gatas. Aquela festa ia ser muito longa.
A Rainha com as antigas senshis e outros representantes da nobreza de Cristal Tókio dançaram durante a noite inteira, até mesmo Sailor Pluto dançou e se divertiu. A Princesa de Cristal Tókio estava com Diana perto da mesa de doces, comendo. Uma bela mulher de vestido azul aproximou-se dela rindo e indagou:
_ Por quê não vai dançar Small Lady?
_ Com quem tia Ami?
Ami Mizuno virou os olhos pela sala procurando alguém da idade da princesa, mas não encontrou ninguém e suspirou resignada. Neo Queen Serenity e Sailor Pluto aproximaram-se, a rainha tocou uma mexa de cabelo rosa da filha e perguntou:
_ Por quê está tão tristinha filha?
_ Não tem ninguém da idade dela aqui Majestade. – disse Ami.
_ Por quê será que os mais jovens não quiseram vir.
_ Porque eles sabem como as festas de adultos são chatas! – exclamou a Small Lady.
Setsuna sorriu e disse:
_ A Small Lady deseja ir visitá-la no passado majestade!
_ Ah, então foi por isso que se ofereceu para preparar a festa!
_ Só agora você percebeu. – adiantou-se a Sailor Mars com um sorriso maligno.
_ Posso mamãe?
_ Tudo bem. Mas Diana vai com você. E...
_ Sim, majestade?
_ Leve a princesa a tempo de ver nossa primeira festa como adultos Setsuna. Quem sabe ela não gosta?
Uma gota formou-se na todas as senshis, já a Small Lady e Diana não entenderam nada.
Na superfície do planeta vizinho do sol, quatro figuras emergiram, o planeta portador dos poderes do gelo e da água alegrou-se com a chegada de seus visitantes.
Um olhar assustado e infantil vasculhou cada canto do planeta, pela primeira vez o jovem Príncipe da Terra não sabia onde era o seu lugar. Só uma coisa ele sabia, aquele planeta não era seu. Pertencia tanto a esse planeta gelado como pertencerá as chamas de sua estrela natal.
Uma jovem de longos cabelos azuis ergueu os braços e das profundezas do planeta uma imensa torre de gelo levantou-se com um estrondo, ela estava reconstruindo o antigo castelo do planeta e este congelava o solo ao redor de sua colossal sombra. Com um sorriso feliz ela olhou para Linus e disse:
_ Eu voltei! Eu voltei para casa! – olhando as outras, disse decidida. - E vou ficar aqui.
Os ventos rodearam o planeta, Mercúrio recebia contente sua Lady.
_ Usagi-chan!
Usagi acordou de seus devaneios e olhou para a mãe com um sorriso dizendo calmamente:
_ Sim, mamãe!
_ Sua comida está esfriando.
_ Eu não estou com fome.
Os três Tsukino olharam para Usagi espantados, era incrível ela não sentir fome. Aliás, nos últimos dias Usagi estava muito diferente, estava estudando para entrar na universidade, acordando mais cedo e não estava fazendo muitas bobagens. A Sra. Tsukino aproximou-se da filha com cuidado e perguntou:
_ Algum problema filhinha?
_ Não mamãe, está tudo ótimo. Maravilhoso.
_ Tem certeza? – indagou o Sr. Tsukino.
_ Claro papai. Mas papai, essa noite o Mamo-chan vem falar com o senhor.
_ Mamoru-san, mas por quê?
_ Usagi? – indagou a Sra. Tsukino preocupada e já percebendo o quê ela queria insinuar.
Um sorriso iluminou a face da jovem Princesa da Lua e ela inclinou a fronte afirmativamente.
_ Sim, mamãe.
_ O quê? – indagou o Sr. Tsukino.
_ Bem... – começou Usagi quando a campainha tocou:
_ Eu abro. – disse ela correndo.
_ Oi odango tama! – disse Chibiusa entrando com Diana.
_ Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Os três correram para a sala para ver o quê estava acontecendo. Nada demais, só Usagi e Chibiusa brigando de novo.
_ Você aqui! Agora não, pode ir embora! – gritou Usagi tentando colocar a menina para fora da casa.
_ Mas que falta de modos são esses filha. Deixe sua prima entrar!
_ Mas... mas...
_ Seja bem vinda de volta Chibusa-chan! – disse a Sra. Tsukino beijando a menina – Como você cresceu, vai ficar muito tempo aqui?
_ Um mês, talvez mais. – disse Chibiusa lançando um olhar maligno para Usagi.
_ Mamãe eu vou sair. Vou visitar a Mako-chan
_ Eu vou também. – gritou Chibiusa.
Usagi lançou-lhe um olhar furioso e Chibiusa fez uma carinha de inocente.
_ Divirtam-se meninas.
Na casa da senshi de Júpiter, Usagi e Chibiusa encontraram as quatro amigas e Ártemis, a chegada da Pequena Dama foi motivo de grande alegria para as garotas que não a viam há anos. Correram para abraçá-la e tamanho foi o entusiasmo que esqueceram Usagi por completo, deixando-a para fora. Depois da segunda batida, Makoto muito vermelha abriu a porta se desculpando com a amiga.
Após a comoção inicial, as jovens foram para a sala para um confortável chá com bolo. Sem grande demora Rei comentou com um sorriso maligno:
_ Bem, mas mesmo com a Chibiusa aqui, vai ter que contar seu segredo para nós. Você prometeu!
_ Que segredo? – perguntou a menina curiosa.
_ A Usagi está guardando um segredo há um tempão, e hoje ela ficou de contar para nós. – disse Minako curiosa.
_ Conta! Conta! – gritaram as meninas em coro.
Usagi ficou vermelha e abriu a boca para falar, mas a campainha tocou. Makoto abriu a porta e Lunna entrou:
_ Você não iam começar sem mim, não é?
Ártemis aproximou-se dela e miou galanteador.
_ Claro que não.
_ Mamãe!
_ Diana, gatinha quando chegou. Chibiusa você aqui também que bom. Mas... algum problema, outro inimigo?
_ Não, na verdade estava entediada...
_ Palavra nova. – comentou Usagi maldosa.
_ Como se você soubesse o quê é? – disse Rei.
_ Sei sim. Mamo-chan me ensinou. – choramingou a princesa.
_ Posso continuar? – Chibiusa começa a se irritar com as outras.
_ Claro. – disseram as duas em uníssono.
_ Daí eu vim.
Gotas gigantes apareceram no rosto de todas as senshis e dos gatos.
_ Qual o segredo? – indagou Ami.
Usagi murmurou:
_ Mamo-chan me pediu em casamento.
_ O quê? – gritaram as senshis.
_ Ele vai pedir para o papai hoje à noite.
Todos ficaram quietos por um instante, depois elas gritaram juntas e correram para abraçar e felicitar Usagi, inclusive os gatos. Formando uma enorme nuvem de poeira onde apenas, braços, cabelos e patas apareciam.
Voltando para casa, Usagi e Chibiusa estavam muito quietas, a gatinha olhava para elas desconfiada. As duas nunca ficavam quietas, normalmente brigavam o tempo todo, o silêncio era algo muito incomum. Olhando para o chão Usagi perguntou:
_ Você não vai dizer nada? Não vai reclamar, gritar, espernear dizendo que o Mamoru é seu?
_ Não.
_ E por quê não?
_ Ora, porque se vocês não casarem eu não vou nascer!
_ Mas, então porque está triste?
_ Não sei. É estranho ver o casamento dos próprios pais. Acho que as coisas vão ficar diferentes, vai ficar tudo igual como em casa, não vou poder mais voltar.
_ Claro que pode!
_ Eu sei. Mas que graça ia ter em vir para cá, se tudo for igual em casa. Acho que vou ter que arrumar amigos novos.
Usagi riu baixinho dizendo:
_ Acho que você precisa é de um namorado!
Chibiusa ficou vermelha e gritou batendo em Usagi.
_ Eu não preciso não, Usagi idiota!
_ Ah, eu te pego!
Chibiusa saiu correndo com Usagi atrás dela, Diana miou feliz, tudo voltava ao normal e começou a correr atrás das garotas.
Três figuras estranhamente vestidas materializaram-se em um parque. As poucas pessoas que as viram encantaram-se com a beleza das jovens e exuberância de seus trajes. Uma menininha correu encantada e perguntou:
_ Vocês são as sailors senshi?
_ Não, nós somos princesas. – disse a Lady Earth.
_ Andy! – exclamou Melly.
A Lady Earth ergueu suas mãos e delas saíram uma nuvem de folhas e murmurou:
_ Esqueçam!
As pessoas voltaram a caminhar naturalmente, passando perto das Ladys sem vê-las. Melly olhou para a prima escandalizada:
_ Você enlouquedeu Andy, não sabia quem era aquela menina e disse-lhe quem somos. Todos são inimigos aqui.
_ Você não entende Melly. Ela é minha súdita... eu senti. Todos são da Terra, são os mesmos de séculos atrás.
_ Isso é impossível.
_ São os descendentes de meus súditos, eles continuaram a cuidar do planeta e foram eles que o preservaram, durante todos esses anos. Não são nosso inimigos, muitos tem nosso sangue Lucios! Eles só precisam se lembrar. Voltar a confiar em nós – a Lady Earth estava radiante. – Milene estava certa. Voltamos para casa e nossos planetas precisam de nós.
_ Provavelmente, seus súditos irão confiar mais em nós se nos vestirmos como eles. – disse Melly. Com um movimento das mãos, trocou suas vestes reais por um vestido parecido com o das mulheres que caminhavam pelo parque.
Andy e Lucios seguiram seus gestos. Lucios estava um pouco confuso e perguntou para a mãe:
_ Onde está o sol mamãe?
_ Olhe para cima filho, ele está lá – a jovem apontou para o círculo vermelho se pondo, quase imperceptível, mas ainda capaz de cegar olhos comuns. – É ele quem dá a vida ao nosso planeta.
_ Não podemos perder tempo Andy, temos que achar as senshis.
A bela Lady Earth olhou para a prima com uma expressão revoltada, e foi secamente que respondeu:
_ Não é este o meu objetivo Melly. Milene e você vieram para cá para destruir as senshis. Eu vim para cá para reassumir o trono em meu planeta, e reintegrá-lo ao Império Solar. As instruções foram bem claras sobre isso.
Melly suspirou e concordou.
_ Precisa se atualizar dos últimos acontecimentos do planeta.
_ Exatamente, vamos a uma biblioteca.
Os Tsukino estavam esperando ansiosamente Mamoru para o jantar. A Sra. Tsukino colocara seu melhor vestido e preparara uma refeição tão gostosa, que o cheiro espalhava-se por todo o bairro, o que deixou o Sr. Tsukino ainda mais nervoso. Usagi estava com uma expressão sonhadora e vestia um vestido rosa rodado e Chibiusa outro exatamente igual, só que vermelho. O Sr. Tsukino já com raiva disse:
_ Mas por quê ele está demorando tanto?
_ Ele já está chegando, querido.
_ Mas o quê ele vai vim fazer aqui, que vocês não querem me contar?
_ Você já vai saber! – Chibiusa exibia um sorriso conspirador.
A campainha tocou, Usagi e Chibiusa correram para abrir a porta, mas Usagi tropeçou no sapato e foi Chibiusa, quem abriu a porta.
_ Oi Chibiusa-chan, quando chegou?
_ Hoje, cheguei para a festa – disse ela rindo.
Ele se aproximou de Usagi e a ajudou a se levantar. Sorrindo eles caminharam até a sala de jantar, Mamoru estava um pouco nervoso, mas ele sabia exatamente o quê iria fazer. Olhando para o pai de Usagi ele teve dificuldade em respirar, era muito mais fácil pedir a mão de Usagi para a Rainha Serenity mesmo durante a guerra contra o Reino Negro. O olhar que o Sr. Tsukino dirigiu a ele era realmente assustador, mais assustador do quê o olhar de todos os inimigos que ele já enfrentará. Mamoru engoliu em seco e olhou para Usagi e Chibusa, que estavam do seu lado sorrindo, tomou coragem e avançou na sala de jantar.
_ Sente-se Mamoru-san, estávamos esperando você para começar – disse a Sra Ikukko Tsukino.
_ Nossa que legal! Vocês três juntos parecem uma família. A Chibiusa parece ser a filha de vocês – disse Shingo, o irmão de Usagi, fazendo que três imensas gotas se formassem na cabeça deles.
O Sr. Tsukino não pareceu se importar com a observação, e perguntou para Mamoru desconfiado:
_ O quê você queria me dizer rapaz?
_ Bem, eu...
A Sra. Tsukino chegou e todos ficaram olhando para Mamoru, suando frio ele continuou:
_ Eu gostaria de pedir a mão de Usagi em casamento.
_ O quê?! – exclamou o Sr. Tsukino indignado.
Já o restante da sala, correu para Usagi abraçando-a e congratulando a Sra. Tsukino deu um grande abraço na filha dizendo:
_ Meus parabéns filha!
_ Vai entrar para a família Mamoru-san. – disse Shingo.
_ Esperem aí. Eu ainda não deixei. – gritou o Sr. Tsukino.
_ Você vai deixar não é papai? – perguntou Usagi sorrindo e fazendo carinho no pai.
_ Tem certeza que quer casar com esse aí? – perguntou ele apontando para Mamoru.
_ Tenho sim, papai. – Usagi olhava para Mamoru com grandes corações nos olhos.
_ Bem, então tudo bem. Quando pretendem se casar?
_ Calma! Antes do casamento temos que fazer uma grande festa de noivado. – disse a Sra. Tsukino. – Lembra-se da nossa, querido? Vamos alugar um salão de festa lindo, você precisa de um vestido lindo. Aliás dois. Mas quando pretendem se casar?
_ Vou ter que viajar para trabalhar uns anos em Londres num projeto, e queria que Usako fosse comigo.
_ Quando?
_ Vou em maio.
_ Ah!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – gritou a Sra. Tsukino. – Só temos cinco meses, para o noivado e o casamento. Venha Usagi temos muito que decidir.
A Sra. Tsukino, Usagi e Chibiusa saíram correndo para a sala enquanto os três homens ficaram na cozinha.
_ Hey e o nosso jantar? – perguntou o Sr. Tsukino.
_ Acho que nós vamos ter que nos virar sozinhos – disse Mamoru.
_ Você vai ter que aprender a se virar sozinho mesmo, casado com Usagi – disse Shingo.
O dia amanheceu claro no Templo Hikawa, Hino Rei estava varrendo o chão do templo, metodicamente, como fazia todos os dias, quando um carro parou. Ela parou o quê estava fazendo e gritou:
_ Vovô, temos visitantes!
O avô de Rei saiu de dentro do Templo, andando devagar e ficou ao lado dela, um homem elegantemente vestido saiu do carro e caminhou até Rei e o avô. Os cabelos dele eram tão negros como seus olhos, possuía um andar aristocrático e confiante. Rei ficou olhando para ele parada e diversas imagens passaram por sua mente, mas não conseguia a se concentrar em nenhuma delas. Lembrava daquele mesmo homem, deixando aquele templo e entrando num carro tão lindo como aquele. Quando ele se aproximou da porta do Templo, lágrimas escorreram dos olhos dela e saiu correndo para abraça-lo murmurando:
_ Papai.
_ Eu voltei pequena.
O vovô olhava para os dois com lágrimas nos olhos. Terminando o abraço deles, o vovô aproximou-se dele abraçando os dois disse:
_ Vamos entrar, temos muito que conversar.
Em Mercúrio, o planeta que voltara a abrigar seus soberanos, o jovem Linos sentia-se desconfortável frente àquele frio. Linos nascera num dos lugares mais quentes do sol, crescera sentindo o calor por todos os seus poros e gostava dele, adorava os rios de lava e as ruas em labaredas, mas Mercúrio era um país de gelo, mesmo tão próximo do Sol. Na verdade todo o frio de Mercúrio, vinha de seus governantes que possuíam o poder do gelo em seu sangue, e possuíam o poder de congelar cada camada de seu planeta. Aliás, era exatamente isto que Milene fazia desde que chegara em seu planeta, ela não parara um instante de construir esculturas de gelo. Com perfeição estética construíra um monumental palácio com torres e belos alpendres de gelo puro, cada detalhe, cada ornamento, cada móvel do mais puro e transparente gelo. Depois de construído o castelo, a Lady criou um jardim, com árvores e flores de gelo, além das esculturas cristalinas e um monumental lago sólido.
Linos a olhava com um sorriso nos lábios, enquanto a jovem reconstruía seu reino, ela cantava ria e falava sozinha, seus olhos brilhavam e os cabelos que não pareciam ser afetados pelo frio brincavam felizes movimentavam-se com o vento. Linos olhando para a estrela distante, suspirava, lembrando-se das noites que passara sozinho em seu pilar imaginando a bela Lady Mercury dançando e rindo como ela fazia agora. Agora ela estava do seu lado, mas nada mudara, a jovem nem se dava conta de sua presença. Milene era feliz só, durante todos aqueles anos jamais se interesssara por alguém e ele sempre soubera disso, mas sempre guardara um facho de esperança, talvez Milene com toda sua astúcia conseguisse convencer a avó a aceitá-lo apesar da posição inferior, mas ela jamais mostrara interesse suficiente, nada além de um divertido flerte de menina. Agora, que estavam sempre juntos ele sentia-se cada dia menos correspondido. Sentiu-se invejoso do poder dos condes que podiam escolher suas esposas independentemente da vontade das próprias, como fizera o Conde Cesares ao se casar com a Lady Moon. A ele só restava olhar.
Mas era tarde e era hora dele e de Milene repousarem, teriam alguns dias de paz em Mercúrio, enquanto Andy e Melly se instalaram na Terra. Ele levantou-se e aproximou de onde Milene estava e disse:
_ Milene não acha que é hora de descansar?
_ Ainda é muito cedo, Linos.
_ Olhe, para cima!
_ Hum... aquele não é o Sol. É só outra estrela adormecida, não é hora de dormir ainda.
_ Milady, tem de estar muito bem disposta para acabar com àquelas senshis.
_ Tudo bem, mas antes venha patinar comigo.
_ Patinar?
_ É o que se faz em rios de gelo Linos. Garanto que vai ser mais divertido do que esquiar sobre labaredas fumegantes.
Vendo a reação desconfortável do amigo, Milene sorrindo aproximou-se dele e segurando-o pelas mãos levou-o ao lago. Linos esqueceu totalmente suas reflexões e naquela noite também se esqueceram de dormir.
- Estou muito preocupada, isso não esta funcionando! – exclamou Ami Mizuno largando a caneta sobre sua lista e lançando um olhar desesperado para Mako-chan.
A jovem senshi de Júpiter desviou seu olhar do fogão e concentrou-o na amiga suspirando:
_ Não consegue localizá-las?
Ami balançou a cabeça negativamente com uma expressão de resignação.
Três semanas haviam passado desde o pedido de casamento de Usagi e a rotina das senshis mudara drasticamente. Naturalmente, todas se ofereceram para ajudar nos preparativos, elas pretendiam passar a maior quantidade de tempo possível perto de sua princesa, antes dela viajar. A Sra. Tsukino imediatamente começou a liderar os preparativos, ela fazia questão de oferecer uma festa de noivado tão grande quanto a do casamento e pela falta de tempo entre os dois, os preparativos andavam juntos.
Cada uma das senshis ficou com uma função e eram energicamente orientadas pela Sra Tsukino, que se mostrara uma grande tirana nos últimos tempos. Usagi fora deixada em segundo plano, ficava namorando e experimentando vestidos de casamento. Minako ficará responsável pela decoração das festas e era companhia constante da Sra. Tsukino já que as duas se davam muito bem.
Makoto ficará responsável pela comida, tarefa esta que ela adorava, passava os dias testando os diferentes tipos de doces e pratos para o casamento. Já Ami ficara com o trabalho mais complicado, a lista de convidados. A jovem estava tendo sérias dificuldades em encontrar todas as pessoas que deveriam ser convidadas para as núpcias, Usagi fizera uma lista praticamente impossível, assustando a todos com a sua demonstração de boa memória, ela colocará na lista a maioria das pessoas a quem ajudara nos últimos anos. Mas, as mais difíceis de localizar eram as próprias sailors senshis.
Michiru e Haruka haviam partido para uma turnê de música clássica pela América e estavam incomunicáveis. Hotaru estava com Setsuna e ninguém sabia onde. Rei também fora chamada para viajar com o pai. O Sr. Hino era candidato a vice-presidente e requisitará a presença de sua filha para ajudá-lo. A jovem estava decidida a apoiar o pai e por isso só podia ficar pouco tempo com o avô e com as amigas. A ausência da senshi de Marte foi muito sentida por todos.
Devido a seus afazeres serem mais domésticos, Ami e Makoto estavam cada dia mais próximas. No final do dia todas as sailors encontravam-se na casa de Makoto para experimentar as guloseimas que ela fizera durante o dia e conferir os progressos na lista de convidados.
_ Essa lista é impossível, é incrível como a Usagi-chan conseguiu. – murmurou Makoto sorrindo.
_ Isso simplesmente não esta certo. Consegui localizar amigos de infância da Usagi e até um casal conhecido dos pais de Mamoru-san, mas não tenho nem idéia de como achar as senshis.
_ Não conseguiu falar com a Michiru e com a Haruka?
_ Quando descubro onde elas estão, já partiram para a próxima cidade. O pior é que elas poderiam entrar em contato com Setsuna e Hotaru.
_ Mas a Setsuna não deveria saber de tudo, como senshi do tempo e tudo o mais?
_ É, deve saber. Eu acho que ela chega para o casamento. Mas a Usagi-chan quer que ela seja dama de honra junto com as outras as sailors.
_ É seria legal, cada uma com a cor do seu planeta – sorriu Makoto. _ Mas, mesmo se as achássemos, não iríamos conseguis convencê-las a isso. A Usagi-chan ficou maluca.
_ Eu prometi e acho que não vou conseguir nem achara a Rei-chan para provar o vestido.
_ É muito bom ela estar passando mais tempo com o pai, mas não precisava sumir. Nem o celular atende mais.
Makoto tirou o avental e disse:
_ Ah, eu já terminei aqui por hoje. Poderíamos ir ao Templo Hikawa perguntar se o avô dela teve notícias.
_ Ótimo, vamos! – Ami levantou-se animada sorrindo para a amiga.
Makoto preparou-se para sair com um sorriso. Ela percebia que a preocupação de Ami não era só com a festa, mas sim um nervosismo decorrente da possibilidade da viagem de sua princesa. Como a vida ficaria sem graça e solitária se todas começassem a se separar. Ela entendia a preocupação de Ami, porque também a compartilhava.
A tênue claridade da tarde iluminava as paredes sólidas do templo. Os raios furtivos penetravam pelos galhos dos velhos carvalhos, iluminando o sacerdote e a jovem com quem ele conversava. O som de usas vozes ecoava solitário pelo templo, não se ouvia o barulho dos fiéis ou o gralhar dos corvos, pois estes haviam partido com sua dona. Mas apesar do silêncio espectral no Templo Hikawa, ainda pairava uma atmosfera de paz e alegria no local.
A risada da jovem ecoou devido a um gracejo do vovô.
_ Ora, vovô! O senhor é muito engraçado, gostaria que a minha avó pudesse vê-lo. Seria muito divertido mesmo.
_ Ah, e por quê não nos apresenta Srta. Melly? – os olhos do vovô arregalaram-se comicamente.
_ Creio que isso é impossível vovô. Ela mora muito longe – a Lady Júpiter sorriu ao ver a expressão desapontada do vovô.
Os trajes modernos muito realçaram o talhe delicado de Melly, sem que ela perdesse a graça clássica que sempre possuíra. Ela adicionara flores e jóias antigas sobre o vestido moderno, tão verde quanto seus olhos, garantindo um toque refinado. Os cabelos encaracolados estavam presos por pesadas presilhas de ouro em forma de concha, apenas alguns cachos caiam revoltos, usava também brincos e um colar de pérolas.
_ Oh, que pena! Mas obrigada novamente por trazer noticias de minha neta. É uma lástima que ela não tenha podido vir.
_ Realmente, ela esta trabalhando muito com o pai.
_ Bom, eu não gosto de política. Mas os filhos devem sempre apoiar os pais. Deve entender disso, também esta apoiando sua prima nas eleições.
Um sorriso brotou nos lábios de Melly antes dela responder:
_ Nossa família sempre trabalha unida.
_ Que bom ver que a nova geração respeita as antigas tradições.
_ Nossa avó nos criou bem. Mas infelizmente eu tenho que ir. Já estou atrasada.
_ Ah, claro. A senhorita deve ter muitos afazeres. Obrigada novamente por ter trazido a carta da minha neta.
_ Por nada. Até mais ver vovô.
O vovô acenou uma despedida e entrou no templo.
Melly sorriu displicente caminhou pela avenida de carvalhos, conversando baixinho com as antigas árvores. Uma rajada de vento bateu nas árvores e chegou até a jovem fazendo-a parar abruptamente.
_ É energia dos planetas – murmurou ela aturgida. – Eu posso sentir... Mercúrio, é fraco, mas parece com Milene – dando dois passos para frente ela exclamou: - É Júpiter! Energia de Júpiter, igual a minha. São as senshis, as sailors Mercury e Júpiter estão próximas. Finalmente, encontrei as impostoras.
A jovem Lady Júpiter fez uma grande folha flutuar até seus olhos, e com um piscar dos grandes olhos verdes a face de Linus apareceu na folha.
_ A seus serviços Milady – o Pilar recitou o comprimento mecanicamente.
_ Linus, acabo de sentir a presença do poder de Júpiter e Mercúrio.
_ As sailors senshis estão próximas! – em um misto de espanto e alívio o Pilar exclamou.
_ Exatamente. Onde esta Milene?
_ Reconstruindo os jardins.
_ Droga – com um olhar irritado ela continuou. – Não há tempo para chamá-la. Eu cuido disso.
_ Milady, a senhora não deve ser vista.
_ Eu sei, o que fazer Linus. Estou próxima do Templo Hikawa, no bosque dos carvalhos, monitore a batalha.
_ Sim, Milady.
Melly encerrou a transmissão e deixou a folha cair no solo junto as milhares de outras.
Os olhos verdes da Lady Júpiter fitaram o céu claro. Sua cabeça inclinou-se para trás, os cachos caindo livres pelas costas. Subitamente raios começaram a partir de seu corpo, os olhos escurecendo assim como o céu, à medida que a lady liberava seu poder. Um raio fulgurante cortou os céus e refletiu-se nos olhos de Melly. A Lady abaixou a cabeça e sorriu satisfeita, olhando para as manifestações de seu poder.
Ami-chan! – exclamou Makoto Kino assustada quando viu um raio rasgar os céus.
Ami parou e olhou a amiga, ao ouvir o grande estrondo do trovão ela abriu seu mini computador e começou a avaliar a atmosfera da tempestade que se formava.
_ Essa não é uma tempestade normal – concluiu ela em segundos para Júpiter, embora a amiga não estivesse prestando atenção.
_ É energia, a tempestade, parece tão familiar e mesmo assim é diferente – virando-se abruptamente para a amiga continuou. – Estamos sendo atacadas. Temos novos inimigos.
As duas amigas olharam-se e com uma inclinação da cabeça concordaram:
_ Mercury Crystal Power, make up!
_ Júpiter Crystal Power, make up!
As Sailors Júpiter e Mercury correram até o centro da tempestade. Corriam de volta para a batalha por seu planeta.
O centro da tempestade era um bosque de carvalhos que ficava no caminho para o Templo Hikawa, as árvores faiscavam devido a enorme quantidade de eletricidade no ar. O vento forte balançava os galhos derrubando as folhas sobre o solo ressequido, pois, apesar das nuvens carregadas nem uma gota de água caíra dos céus.
As árvores gritavam pedindo socorro, temerosas perante a eminente tempestade, mas somente Júpiter podia ouvi-las. Makoto que já estava perturbada com a tempestade, aterrorizou-se com o ensurdecedor apelo das árvores.
_ Mercury – Júpiter parou defronte a um gigantesco carvalho.
Ami parou e olhou para a amiga em dúvida.
- É aqui! – gritou a senshi, o som dos trovões abafavam sua voz.
Ami ligou seu visor e abriu o mini computador para avaliar a situação e num estalo atirou-o ao chão, acabara de levar um choque.
_ A quantidade de energia elétrica é incrível – murmurou a jovem espantada. – Vai causar um curto em todo o sistema elétrico da cidade.
Um raio atingiu o solo próximo as sailors fazendo com que Ami pulasse para trás. Makoto continuou calma, apenas levantando a cabeça para o céu.
_ Tem problemas maiores que esse, humana – uma voz fria e masculina soou do alto da árvore.
Ami ergueu os olhos tentando avisatar seus inimigos. Uma risada cristalina partiu do outro extremo do gigantesco carvalho confundindo a sailor senshi de Mercúrio.
_ Saiam! – a voz de Júpiter soou alta e autoritária, o carvalho agitou seus galhos revelando as garotas seus inimigos.
Os dois pularam de seus galhos e caíram no solo lado a lado os inimigos soltando faíscas para todos os lados. O corpo de ambos era de metal líquido, o qual funcionava como um catalisador da energia elétrica que invocavam. Eles eram obviamente um casal, o homem tinha o corpo de metal liso, com um estranho uniforme que se misturava com sua pele; os cabelos espetados e os olhos vermelhos passavam uma expressão fria e concentrada. A mulher tinha uma aparência felina, com escamas de metal como roupa, longos cabelos de metal transparentes, olhos translúcidos e as mãos terminavam em garras. Os dois pareciam uma mistura de demônio e robô, o que muito impressionou as sailors senshis.
_ Quem são vocês? – indagou Mercury.
_ Sailor senshis tão ignorantes – riu a inimiga. – Não me admira que sejam uma fraude.
_ Nós somos electrodroides - começou o estranho demônio – eu me chamo Electron e esta é Magny. E estamos aqui para matá-las, como as impostoras sujas que são – terminou ele diplomaticamente.
A electróide riu perante a expressão espantada das sailors. Electron ergueu suas mãos e liberou uma rajada de raios em direção as sailors, que desviaram pulando para o lado.
_ Patéticas! – riu Magny.
O irmão concordou e preparou-se para lançar outra rajada de energia, mas Ami antecipou-se e gritou seu ataque:
_ Mercury Aqua Rapsody!
_ Ami não! – gritou Júpiter, mas foi em vão, o ataque já havia sido liberado. Quando os dois ataques se encontraram ocorreu uma explosão e as rajadas atingiram Ami, fazendo a jovem gritar e cair desacordada. Júpiter correu para perto da amiga para verificar como ela estava.
- Menina idiota – Electron olhava com desdém para a sailor caída.
Júpiter levantou-se e mirou o electrodroide com os olhos verdes brilhando de raiva.
_ Júpiter Oak Evolution!
O ataque atingiu Electron fazendo-o gritar, parte de seu corpo fora desfragmentado pelos cortes das folhas. Makoto sorriu satisfeita:
_ Não tão fraca como pensou.
Magny correu para o companheiro e tocou-o com suas mãos, reconstruindo o corpo machucado. Júpiter gritou assustada, mas antes que pudesse atacar novamente, os dois liberaram uma poderosa rajada de energia, fazendo com que a jovem caísse de joelhos muito machucada. Magny imediatamente soltou outro ataque fazendo a cair.
Electróns chegou perto das sailors caídas.
_ Vão ser uma ótima oferenda para nossa Lady! – riu ele pisando sobre Júpiter.
_ Supreme Thunder Dragon – murmurou Makoto.
O dragão verde de energia atacou o electrodroide, quando a energia se dissolveu, nada mais restava do inimigo.
-Ah! Você o matou! – gritou a outra.
Júpiter sorriu e murmurou:
_ Foi um prazer.
_ Vai morrer por isso humana! – Magny começou a brilhar, reunindo a energia em suas mãos. Júpiter fechou os olhos pela claridade e esperou pelo ataque.
_ Silent Glaive – a inimiga olhou para cima. – Surprise!
A Sailor Júpiter levantou a fronte e avistou a figura da Sailor Saturn com sua lança abaixada sobre as cinzas da electrodroide, ao seu lado estavam as Sailors Neptun e Urano. Makoto sorriu e murmurou antes de perder os sentidos.
_ Obrigada, amigas!
Notas: Nossa, finalmente terminei esse capítulo. Finalmente, as sailors apareceram também. Espero que estejam gostando da história. Mandem comentários para o e-mail: jamilly@nilf.com.br