O Império Solar e a Linhagem Sagrada
Livro I – A Linhagem Sagrada
by Jamilly
Prólogo
O ar era quente e seco. O solo negro ardia em brasas. Havia chamas por toda parte, partindo da terra e queimando as folhas; brilhando nas paredes das casas. As pessoas andavam rodeadas pelas chamas, que acariciavam seus cabelos e aqueciam suas almas. As chamas eram freqüentes em Solaris, elas possuíam a cidade e consumiam tudo que existia nela. Só uma coisa perturbava a normalidade das ruas da capital do Império Solar.
Ela corria pelas ruas em chamas, um vulto azul cristalino como uma gota brilhante de água imersa em uma bola de fogo. A jovem parou ofegante, pequenas gotas de suor escorrendo pela sua face. Ela olhava para os lados vendo as pessoas andando tranqüilamente pela rua; pensando em como era estranho que elas não se queimassem. Um sorriso gentil brotou em seus lábios, com o absurdo de seus pensamentos. Claro que elas podiam andar pelas chamas sem se queimarem. Afinal, como deuses se queimariam?!
Uma nova rajada de vento trouxe as chamas para perto da jovem, que suspirou exasperada. Ela podia até não se queimar, mas a sensação do fogo era muito desagradável. Ela era uma criatura do frio, gostava dos jardins do Palácio onde o clima era agradável e a brisa gentil. Andar pelas ruas de Solaris era-lhe insuportável. Ela precisava fazer alguma coisa. Sabia que a avó não iria gostar, mas não se preocupou com isso. Afinal a avó já lhe perdoara faltas mais graves no passado, sorriu ao lembrar-se que não haviam sido poucas. Além do mais a avó entendia que para ela, andar por entre as chamas era insuportável.
Estendeu os braços para frente e jogando a cabeça para trás gritou:
_ Mercury´s Wind!
Uma golfada azul de vento frio chegou até a garota e levantou-a do chão. Com voz autoritária ela continuou:
_ Wind circle!
O vento começou a circular em volta dela, envolvendo-a em uma cápsula azul. A jovem respirou aliviada dentro do círculo gelado, com um suspiro continuou:
_ Forward!
O vento azul começou a circular em volta dela mais rápido, respingando cristais azuis por todos os lados, até partir.
Com espantosa velocidade, o círculo de vento levou-a pelos ares, sobre as alamedas em chamas. Conforme avançava os habitantes da cidade faziam-lhe referências, as quais ela respondia com um sorriso imponente. Era impossível ver o rosto da jovem dentro do círculo de vento, porém todos em Solaris sabiam que apenas uma pessoa na estrela poderia invocar tal poder. Sabiam também, que não poderiam deixar de prestar suas homenagens a Lady Mercury.
Um jovem de cabelos loiros, usando um uniforme branco com detalhes em vermelho e dourado, corria com a velocidade do vento espalhando chamas pelo caminho. O jovem corria em direção oposta ao círculo de vento e quando o viu parou confuso, segundos depois sorriu prazenteiro. A jovem vendo-o parou seu círculo e retribuiu o sorriso.
_ Bom dia, Milady! – curvou-se sorrindo.
A garota sorriu e com voz jovial respondeu:
_ Bom dia, Linus. Que prazer encontra-lo aqui, há séculos não o vejo. Tem andado tão ocupado em seu Pilar, que não arruma tempo para visitar os amigos?
O jovem engoliu em seco e não conseguiu responder.
_ Mas me diga Linus, sabe onde se encontram minhas primas? – indagou a jovem rindo da confusão do rapaz.
_ As outras Ladys encontram-se no Bosque das Estrelas – retomando o controle Linus indagou: - desculpe-me a curiosidade Milady, mas o quê a trás fora do Palácio?
_ Ora, Linus não precisa me chamar de Milady. Meu nome é Milene e sabe disso. Ah, vovó pediu que chamasse as outras.
A feição do jovem se contorceu de surpresa e mirando os olhos azuis de Milene indagou:
_ As Ladys estão convidadas à reunião?
_ Estamos convidadas para alguma coisa. Não sabia que teríamos uma reunião – aproximando-se dele com um sorriso malicioso, indagou provocante. – Sabe de alguma coisa Linos?
O rapaz engoliu em seco e com voz ligeiramente tremula respondeu:
_ Não nada! Apenas que a Imperatriz convocou os Condes e seus Pilares para uma reunião. Estou indo para lá agora.
_ Hum... interessante! Uma reunião coletiva - pensou alto Milene. – Está marcada para que horas?
_ Quando o sol se por em Plutão.
_ Oh, não! – a garota emitiu um gritinho histérico. – Estou atrasada, te vejo mais tarde Linos. Ah! E não parta logo para seu Pilar. Quero que tome um chá comigo, amanhã.
Sem esperar resposta, a garota saiu flutuando em seu círculo de vento. Linos ficou olhando de longe a bela figura da lady afastando-se. Ela era realmente muito bela, seus longos cabelos eram de um azul claro e estavam adornados por uma coroa de safiras. Usava as mesmas pedras no colo, no pulso e nos dedos, era evidente sua vaidade. Porém, o quê Milene não sabia é que o brilho azul de seus olhos excedia o brilho de qualquer jóia. A jovem possuía um brilho malicioso e radiantemente despreocupado nos olhos que encantava Linos. Usava naquele dia um vestido de seda azul longo de corte reto, com uma capa transparente de organza, lembrando asas de borboletas.
Olhando os últimos cristais deixados pelo círculo de vento derreterem, Linus murmurou:
_ Eu ficarei Milene. Ao menos para um chá.
Emitiu um suspirou e voltou a correr em direção ao palácio.
Os olhos azuis de Milene encheram-se de admiração e pavor ao chegar ao Bosque das Estrelas.
Admiração pela incrível beleza do local e pavor pelo brilho do fogo que irradiava das árvores e que fazia os cristais lunares brilharem. Como em todos os lugares da estrela o bosque queimava eternamente, porém ele possuía a beleza exuberante e exótica que apenas uma floresta dentro de uma estrela poderia ter.
As árvores do bosque eram uma mistura vermelha e dourada. Os troncos e os galhos ardiam eternamente em chamas e as folhas douradas brilhavam. Flores douradas e vermelhas enrodilhavam-se no tronco das árvores e nos bancos de cristal como trepadeiras. O solo do bosque era inteiramente recoberto pelas folhas que caiam das árvores. Graças a isso, o dourado predominava no Bosque das Estrelas.
Uma visão incomum e de beleza rara que fez a jovem tremer. Milene odiava todo aquele calor, sentia-se sufocada pela alta temperatura, enjaulada pelas paredes de fogo. Seu desejo mais íntimo era congelar cada átomo daquela estrela até torná-la uma imensa bola de gelo, infelizmente não se congelava uma estrela principalmente a sua estrela, e ela conformava-se com esse fato.
Com passos lentos e relutantes Milene caminhou pelo bosque, era impossível usar seu círculo de vento ali, poderia causar um incêndio. Passando pelas maiores árvores Milene chegou a uma imensa clareira onde se erguia uma imensa Torre de Cristal.
A torre do Bosque das Estrelas era o local mais alto de todo o Sol, localizava-se na extremidade menos sufocante da estrela e era o observatório de Solaris. Onde as Ladys e a Imperatriz podiam ter uma visão de todo o Império Solar.
Milene adentrou na torre, contente por sair das chamas, o ambiente dentro da torre de cristal era agradável e até mesmo frio. Aquele era o local predileto das Ladys do Império, onde elas passavam a maior parte do tempo quando estavam em Solaris. Se o topo da Torre de cristal era o observatório de Solaris, seu pavimento inferior era a área de recreação das ladys e possuía todo o conforto que os membros da Família Real exigiam.
O ambiente estava vazio. Milene parou, absorta, junto a porta admirando o local. Móveis dourados contrastavam com o brilho prateado da torre, vasos de flores douradas espalhavam-se em todo o aposento, enormes espelhos em pesadas molduras douradas pendiam nas paredes. Ela aproximou-se de um vaso e apanhou uma flor dourada e colocou-a no cabelo, sorrindo fitou-se em um dos espelhos.
Uma voz rouca disse atrás dela:
_ Sempre vaidosa, não, Milene?
A jovem Lady Mercury virou-se em um pulo:
_ Você me assustou, Andy! Onde estão as outras?
_ Perdoe-me Milene. Não era está a minha intenção – murmurou a jovem arrependida. - Elas estão no observatório, nasceu uma nova estrela no Sistema de Uriens, está manhã. – A jovem de voz rouca e suave era Andy da Terra, prima de Milene e Lady Earth.
Andy era uma bela mulher de 26 anos terrestres com olhos profundos e negros. Os longos cabelos negros da Lady encontravam-se presos em um arranjo de ouro e prata brilhantes, ela usava um longo vestido negro com detalhes violáceos e adornava-se com jóias de um ouro pesado e opaco.
_ Mais uma estrela! – exclamou Milene exasperada. - Já temos estrelas demais! Ela já produz vida?
_ Ao que parece não. Mas está muito próxima, teremos de destruí-la. Mas a que se deve sua visita? Nunca saí do palácio.
_ Vovó mandou chamá-las para uma reunião secreta com os Condes e os Pilares.
_ Neuris, nada me disse – Andy franziu a testa em dúvida. - Como ficou sabendo?
_ Encontrei Linos no caminho e ele me disse que fora convocado.
_ Pobre Linos! – suspirou a jovem.
_ Estamos atrasadas prima! – disse Milene impaciente retorcendo as mãos.
_ Sim, vamos até as outras.
As Ladys Earth e Mercury subiram as longas escadas da Torre de Cristal em direção ao observatório.
O observatório da Torre de Cristal era um dos locais mais famosos da cidade de Solaris. Não havia uma única pessoa na cidade, que não desejasse entrar na Torre e observar o universo. Porém somente as Ladys e a Imperatriz podiam entrar na torre, até mesmo a entrada dos Condes era proibida.
O tão famoso observatório consistia de um imenso terraço de cristal que permitia uma visão clara de toda Solaris. Apenas as pessoas da linhagem podiam ver os planetas do Sistema Solar e somente a Imperatriz e as ladys treinadas é que conseguiam ver a Galáxia.
Milene raramente ia ao observatório, apesar de adorar a Torre de Cristal ela não suportava o caminho entre as chamas e só saia do Palácio quando era necessário. Chegando ao topo da Torre de Cristal, Milene e Andy depararam-se com um grupo de jovens absortas na contemplação de uma estrela. Silenciosamente as duas ladys aproximaram-se das outras.
_ Selene! Temos visita – murmurou com sua voz rouca a Lady Earth.
Uma das jovens desviou a atenção do céu e olhou para as recém chegadas. A garota possuía longos cabelos de um loiro translúcido que caíam em cascata pelos seus ombros. Seus olhos eram azuis, sua face suave e seu sorriso gentil. Usava um vestido branco de seda e adornava-se com pérolas nos braços, sobre a cabeça havia singela tiara de pérolas. Usava os cabelos soltos, sem ocultar o símbolo de uma lua crescente em sua testa. Sorriu e disse com uma voz melodiosa:
_ Milene, que prazer vê-la entre nós!
As outras jovens imediatamente desviaram sua atenção da estrela e a depositaram na Lady Mercury.
_ Se o caminho não fosse tão desagradável, viria aqui com mais freqüência Selene – Milene teve um arrepio ao se lembrar das ruas em chamas. – É muito quente, mas tive que vir para trazer um recado de vovó.
Um lampejo de dúvida enrugou a testa da Lady Moon, porém antes que pudesse pronunciar outra palavra uma jovem de cabelos encaracolados adiantou-se e abraçou Milene.
A garota possuía cabelos brancos com mechas douradas, e era bem menor que Milene. Seus olhos de um azul cinzento brilhavam inocentemente. Usava um vestido de cetim azul marinho com detalhes em azul celeste e adornava-se com jóias de ouro branco e topázios.
Aos olhos de Selene o abraço das duas Ladys parecia uma tempestade. Uma grande tempestade com raios e granito sendo levados pelo vento. Ás vezes, ela se perguntava o quê poderia acontecer se seus poderes se unissem. Quantos planetas seriam devastados se todos os seus poderes se unissem. Um arrepio percorreu o corpo da jovem e desviou seus olhos das primas. Quando voltou a olhá-las o abraço já havia acabado.
_ Que saudades Lene-chan!
_ Também estava com muitas saudades Carolyne. Quando voltou de Lunos?
_ Agora mesmo. Voltei para avisar as ladys de uma nova estrela em Uriens. Pude vê-la perfeitamente da base de Lunos.
Andy sorriu afagando os cabelos cacheados da prima:
_ A nossa pequena Lady Urano está a cada dia mais esperta, não acha Milene?
_ Sem dúvida Andy, mas é a sua beleza o que mais cresce.
A garota corou e tentou disfarçar um sorriso.
_ Não sou mais tão pequena. Já tenho 15 anos.
_ Você ainda é a mais nova Carolyne, e nada vai mudar isso – disse uma jovem de cabelos channel de um verde escuro.
Carolyne mostrou a língua para a Lady Neptune. A jovem Vilis respondeu mostrando também a língua. Ela era dois anos mais velha que Carolyne, seus cabelos estavam adornados com uma grinalda de diamantes e pérolas, usava um vestido de um verde tão profundamente escuro quanto seus cabelos e possuía grandes olhos verde esmeralda.
_ Não briguem meninas! – soou uma voz suave como o vento. – Vovó não vai gostar nada de saber disso!
_ Mas você não vai contar nada, não é Ann? – indagou Selene com um sorriso malicioso nos lábios.
_ Só conto se vovó perguntar – retrucou a Lady Saturn.
Ann tinha longos cabelos, de um roxo suave, levemente encaracolados. Usava um vestido lilás com detalhes em roxo escuro. Seus olhos eram de um azul violeta, mais forte do que o de qualquer uma das outras Ladys. Usava diamantes e granadas no pescoço e nos pulsos. Apenas de ser três anos mais velha que Carolyne e de ser a Lady com maior potencial mágico, ela era a mais imatura.
_ Sim, pode contar a vovó, se ela perguntar. Mas nada de indiretas. Certo Ann? – disse uma jovem de longos cabelos castanhos totalmente presos por pequeninas esmeraldas em um penteado recatado. Esmeraldas muito semelhantes a seus olhos, terrivelmente verdes, usava um vestido muito claro de cetim verde, com saía ligeiramente rodada e desprovido de decotes. Com um sorriso doce a Lady Júpiter olhou para Ann.
_ Ora... mas eu jamais faria isso Melly! – murmurou Ann.
_ Espero que esteja dizendo a verdade Ann.
_ Chega de conversa meninas, se Milene veio aqui ela deve ter algum motivo. Deixem que ela fale – a voz vinha da Lady Pluto.
Nelune era uma jovem de 16 anos terrestres, muito alta que possuía cabelos assustadoramente negros adornados por uma tiara de granadas. Nesse dia usava um vestido negro com detalhes em branco. Usaba jóias de granada e ouro branco.
Milene estava conversando com a pequena Lady Urano e não a ouviu. Então Lady Marte levantou-se e disse com voz clara e fria:
_ Milene! A quê devemos sua visita?
A jovem Lady Mercury congelou espantada e dirigiu seus olhos azuis até Marssy.
A Lady Mars era uma mulher linda. Usava um longo vestido de um vermelho profundo que contrastava com sua pele branca. O vestido possuía um decote acentuado nas costas e no colo e seus longos cabelos negros caiam soltos por suas costas e seus olhos eram mais escuros do que os de qualquer outra lady. Usava um pesado colar de rubis e um anel magnífico de diamantes em seu dedo, que lhe era mais caro do que todos os poderes que possuía.
Marssy possuía apenas 18 anos terrestres, mas era uma das Ladys mais poderosas. Já tendo concluído seu treinamento conhecia todos os segredos de seu poder. Entre todas as Ladys apenas Marssy e Selene tinham seu potencial mágico totalmente desenvolvido e eram consideradas adultas. Ambas exerciam grande influência sobre a Imperatriz e sobre as demais Ladys. Milene sabia que a Lady Mars não a via com bons olhos. Marssy era dona de um temperamento explosivo e não compreendia o por quê de Milene não sair do Palácio.
Imediatamente Milene respondeu:
_ Vovó esta nos convocando para uma Reunião no Templo Lion Sun, – após tomar fôlego continuou – os Condes e os pilares também estarão lá.
_ Para que hora está reunião está marcada? – indagou Marssy com um sorriso nos lábios.
_ Quando o sol se por em Plutão.
_ Estamos atrasadas. Vamos Ladys!
Nelune aproximou-se de Marssy sorrindo e disse:
_ E a nova estrela?
_ Quer cuidar disso Lune-chan?
A jovem sorriu e balançou a cabeça afirmativamente. Sob a aparência suave e fria da Lady Pluto escondia-se uma frágil criatura que ansiava por amor e não compreendia seu corpo e seu espírito, mas era terrivelmente dócil e sempre se esforçando para agradar a todos. Tudo isso fazia com que fosse a preferida de Marssy, que sempre a tratara com o carinho e a delicadeza que devotava apenas a seu marido. Nelune sabia disso e fazia questão de sempre agradar a Lady de Marte, temendo decepciona-la afinal, era sua única amiga.
Nelune de todas as ladys era a que parecia mais indefesa. Ela era extremamente alta, mais alta do que qualquer uma das ladys. Possuía longos cabelos negros que caiam soltos até sua cintura. A jovem possuía enormes olhos de um rosa delicado e brilhante que causavam espanto e admiração em todo o Império Solar. Sua pele era azeitonada, o quê fazia com que seus os seus olhos brilhassem ainda mais.
A Princesa de Plutão fechou os olhos e concentrou-se. Lentamente, começou a flutuar, uma luz forte negra esverdeada saiu de um símbolo em sua testa. A luz que começou a sair de sua testa lentamente como um pequeno fio branco viajou pelo espaço e tempo rapidamente e atingiu a estrela recém nascida, quando Nelune voltou ao solo e abriu seus olhos era como se a estrela nunca tivesse existido. Os braços esguios de Marssy a envolveram e com um sorriso amável ela disse:
_ Bom trabalho menina.
Selene levantou-se lentamente e com voz suave disse:
_ Ladys! A Imperatriz nos espera.
O Palácio de Ouro era uma enorme construção formada de chamas, irradiando luz. As chamas naturalmente não permaneciam estáticas, moviam-se lentamente como era de sua natureza. Acompanhando o ritmo da própria estrela. Apesar do Palácio de Ouro ter uma aparência fantástica, ele era um terreno de paz; sua enorme forma abobada e suas torres redondas fulminantes davam impressão de intensa sabedoria entrelaçada com a vitalidade. Ele fora construído há milênios e guardava o conhecimento de todo o Império Solar, porém ele nunca permanecia imutável, o Palácio de Ouro era instável, movia-se conforme seu mundo, sempre a acompanhá-lo. Não importando quantos milênios aquela estrela viveria, seu Palácio sempre estaria jovem.
Aquela estrela conhecida pelos terráqueos como Sol, não era apenas o centro do Sistema Solar. Ela não era só o astro que fornecia calor e energia para os planetas mais próximos. Aquela estrela era a sede do Império Solar que governava a todos os outros sistemas planetários de sua galáxia.
O Sol era uma estrela jovem e não possuía tanta força como outras estrelas de sua galáxia, mas graças a sua governante era a primeira da Via Láctea. O Sol era a única estrela conhecida cujo espírito fora desperto.
Há milênios, a Imperatriz Solaris despertara o espírito da estrela e comungando com ele receberá seu poder. A Imperatriz e a estrela tornaram-se uma só entidade, à vontade de uma era a vontade da outra e ambas queriam construir um Império.
Na época, Solaris era a única que podia andar pelas chamas sem ser consumida, e esse era um grande inconveniente à Imperatriz e a construção de seu Império. Com o propósito de trazer pessoas para povoarem a estrela e estender seu domínio por todos os planetas do Sistema Solar, Solaris concedera sementes da estrela aos seres dos planetas. Porém, essas estrelas sementes só brilhavam intensamente nos seres que podiam despertar o espírito dos planetas. Estes seres especiais foram os escolhidos para formar o Império Solar.
Aqueles, entre os portadores das estrelas sementes brilhantes, que comungaram com o espírito de seus planetas tornaram-se os governantes dos mesmos. A estes a Imperatriz concedeu uma última graça, seu próprio sangue e junto a ele o dom da longa vida. Aqueles que possuíam o sangue da Imperatriz passaram a integrar uma pequena e única linhagem conhecida em todo o Império Solar como a Linhagem Sagrada e cada geração dessa linhagem viveria um milênio. Em troca de seu sangue a Imperatriz ordenou que a segunda criança nascida dos membros da Família Real de cada planeta fosse entregue ao Império.
Os primogênitos ou primogênitas reinavam e possuíam o poder supremo de seus planetas. Todas as segundas crianças assim que nasceram foram entregues a Imperatriz e ficaram conhecidas como as Ladys do Império Solar. O poder das Ladys brilhava intensamente em Solaris e junto com elas o Império cresceu e estendeu-se por toda a Galáxia.
Quatro Condados e diversos pilares foram erguidos por toda a Via Láctea, a fim de estender o domínio do Império e controlar a Galáxia. Os servos mais fiéis da Imperatriz, em Solaris, receberam os títulos de Condes e o sangue real e tornaram-se os generais do Império Solar. Os próprios condes escolhiam, seus Pilares, entre os mais fiéis e talentosos guerreiros do Império.
Os Condes eram as figuras mais respeitadas e temidas de todo o Império Solar. Eles representavam a Imperatriz durante as batalhas enquanto as Ladys cuidavam da diplomacia. Tratava-se de quatro condes, o Conde White Falcon, o Conde Phoenix, o Conde Dragon e o Conde Hawk, cada um deles representando um pássaro zelando pelo Império. As Ladys Moon, Mars e Earth eram casadas com os Condes Phoenix, Hawk e White Falcon respectivamente.
As regras de conduta das Ladys eram muito severas. O casamento só era permitido entre os membros da Linhagem Sagrada, e somente as garotas totalmente treinadas possuíam permissão para as núpcias. O poder das Ladys era vital para o Império, entretanto ele era limitado. Pois as Ladys que viviam em Solaris eram apenas a continuação dos poderes de seus planetas. O poder total residia na mão das primogênitas e ele só seria transmitido as Ladys do Império Solar se suas irmãs morressem.
Se isso acontecesse, elas teriam de voltar para casa e assumir seu papel como Governantes dos Planetas do Sistema Solar.
Legendas:
Mercury´s Wind – Vento de Mercúrio
Wind circle – Círculo de vento
Forward – Avante
Phoenix – Fênix
White Falcon – Falcão branco
Hawk – Falcão
Dragon - Dragão