Dias de um passado quase esquecido
Dias de um passado (quase) esquecido
By Lexas
Joaotjr@hotmail.com
Novembro/2001 - Não ... não
... meus filhos ... não ... No meio de toda aquela escuridão, ele estava parado, olhando para o vazio . Não
conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido . - Qual o problema, Seo ? A pergunta de Mamoru atravessou os
tímpanos dele . - É mesmo, Seo . – dessa vez, quem se manifestava era a mulher a qual tinha chamado de “dama da
escuridão” – Qual o motivo do seu desespero ? - Eles estão mortos, se é o que querem saber . - E daí ? - Eu
realmente sinto pena de você . O que você foi ... decadente . Não espero que compreenda o que sinto . - Não espere
mesmo . A única coisa que me importa são duas coisas : primeiro, eles nos foram úteis . – aquilo perfurou o
coração de Seo como uma estaca . Ela estava certa . Mesmo morrendo, eles foram extremamente úteis . Alias, haviam
sido mais úteis mortos do que vivos ... era uma triste realidade, mas era verdade . – Segundo ... uma das Sailors
aprendeu um pouco mais sobre seu verdadeiro poder ... e foi magnifico . - Cale-se ! O grito assustou a mulher
e Mamoru . Era a primeira vez que ambos presenciavam Seo perder a paciência . - Como ousa, seu ... seu ... -
Vamos, diga . DIGA ! – Seo se aproximava dela, encarando-a . Por alguns segundos sua foice se aproximava do rosto
dele, ameaçando-o . – Acha que tenho medo de você ? Ora, não me faça rir ! Não pense que me assusta ! Estou cansado
disso, entendeu ? CANSADO ! Enquanto você fica se deliciando com os mortos, eu fico sofrendo pelos mortos ! Tenha o
mínimo de respeito por eles ! - Não me diga o que fazer ! Você sabe muito bem o que tem que fazer ... e eu também! E
eles também ! - Você me dá nojo . - Cuidado com a língua, Seo. Lembre-se de que você não precisa dela para
agir . - Não me desafie . Não ouse . Seo se aproxima ainda mais, encarando os olhos da mulher, olhando bem fundo
nos olhos dele . Eles ficam assim por alguns momentos, até que a mulher se afasta um pouco . - Não pense que eu sou
qualquer um . Não pense que me amedronta com essa arma . Saiba que eu não preciso de você, entendeu ? - Eu digo
o mesmo de você, Seo . Posso matá-lo nesse instante, se quiser . - Tente . Mamoru, claro, estava calado, pois
não queria interferir na conversa dos dois ... - Você é patético, Seo . - Isso por que eu não sou da sua
laia . E agradeço por isso, do contrário, a situação estaria pior do que agora . - O que está insinuando ? - O que
você ouviu . Sua função é apenas uma, e a minha é outra . Não meta-se onde não deve, ou vai acabar atrapalhando mais
ainda . - Acha mesmo que eu não posso resolver seus problemas melhor do que você ? - Não me faça rir ! Eu
riria se a situação não tivesse chegado a esse nível ! Se tivesse deixado as coisas em sua mão, as outras já estariam
aqui, e exterminariam cada um de nós ! - Isso é uma proposta, Seo ? - Como ? - Você ouviu ... isso é uma
proposta ? - Não ouse ... - Não me diga que está com medo ... ou seriam suas crianças ? Oh, me desculpe, esqueci o
quanto você se irrita com isso ... - Pois bem, “dama da escuridão”, o que planejas ? - Primeiro ... pare com esse
nome idiota antes que eu resolva matá-lo ... segundo ... você verá . Digamos, em um, dois ... hoje é Sábado, se não
engano . - Não gostaria de saber as horas também, senhorita ? São exatamente 13:18 ... - Perfeito . Isso tudo
estava precisando de uma mão forte para seguir em frente ... minhas mãos ... suas crianças trabalharam direitinho, mas
ainda tem muito o que aprender . Estou me retirando, Seo . - Não seja idiota ! Não acredito que alguém como você
nunca tenha jogado xadrez !!! - Hã ? Ah, sim, claro . Compreendo o que quer dizer, mas ... - ... vai continuar
com isso ? Quer estragar tudo, logo agora ? - Seo ... o que acha de sacrificarmos mais um de seus filhos ? -
Prefiro te matar . - Então ... não se meta nos meus assuntos, se não quiser sofrer minha ira, ficou claro ? -
Você é que não entendeu . Talvez eu tenha que colocar um pouco de juízo na sua cabeça . Você sabe muito bem quem eu
sou e o que eu sou ... e, no entanto, não me escuta . Pense bem nisso . Não gosto de me vangloriar, mas estou certo, e
você sabe disso . - Seo ... com quem pensa que está falando ? Ora ... por acaso acha que eu sou uma inculta ? É
isso que está insinuando ? Ora, Seo ... para alguém que se vangloria do que sabe, você está me decepcionando ...
Ela bate seu cajado no chão, emitindo um ruído que assustara Mamoru . Não obstante, ela aproxima seu rosto para
bem perto de Seo . - Seo ... eu sei muito bem quem você foi e o que você era ... acha mesmo que
pode me ensinar alguma coisa ? Ora, eu é que digo para não me fazer rir ! Não pense que está conversando com uma
de suas crianças, Seo ! Eu não sou como elas, e você sabe muito bem disso . Aliás, talvez seja hora de lembrar-se
de tudo o que sabe sobre mim ... * * * * * * *
* * * * * - Pelo Cristal de Prata ... A única expressão de Amy, após subir
as escadas na tentativa de conseguir descobrir algo . Pois bem, não iria descobrir nada, por que não havia nada ali .
Logo atrás, Makoto subia as escadas, vendo exatamente o que já esperava : nada .Simplesmente nada . - Mako-chan
...ela ... ela ... - Purificou o lugar . As palavras de Makoto faziam sentido . Amy chegou a ver as chamas
sendo expelidas do alto do templo, mas não imaginava que a destruição havia sido tão grande . Imaginava que o templo
não estivesse inteiro, mas isso ... simplesmente não havia nada ali . Nada . Alguns restos de arvores terminando de
serem consumidas pelas chamas, algumas barras de metal que na verdade haviam se tornado poças derretidas ... e mais
nada . O fogo de Rei fora tão poderoso que havia consumido por completo aquela área . Nem o antigo bosque do templo
fora poupado . Tudo estava terminando de ser consumido pelas chamas . Mais alguns minutos e ninguém diria que um dia
houvera um templo e um bosque naquele lugar . Não demorou para se lembrar de que Rei era uma sacerdotisa e, como tal,
tinha como função proteger aquela área de espíritos malignos . Pelo visto, Rei resolveu “purificar” a área do “mal” .
- Vamos embora daqui, Amy . Não há nada que possamos fazer . - Mas ... - Deixe . Um pesar enorme bateu no
coração de Amy . - Megumi ... - Não há nada que possamos fazer . - Mas ela ... era apenas uma criança ... -
Vamos, Amy ... – dizia ela, com os olhos fechado e a cabeça abaixada . - ... não há mais nada que possamos fazer aqui
. Vá atrás de Rei . - Tem razão . Ela estava muito abalada ... e você ? - Eu vou ficar mais um pouco, antes dos
bombeiros chegarem, não que sobre algo para eles salvarem . Tenho que resolver uns assuntos . Amy desce as escadas
rapidamente, no intuito de alcançar Rei . Makoto ficara ali, parada . Volta e meia ela olhava para aquele corpo
caído no chão, aquele vegetal . Não imaginava que Rei pudesse fazer algo desse tipo de maneira tão ... poderosa .
Havia usado seu golpe mais poderoso ... mas mesmo ele nunca havia tido tamanho poder de destruição! Esperava que
Amy a encontrasse antes que ela fizesse alguma besteira . Mas, voltando seus pensamentos para assuntos mais
atuais, ela observava ao seu redor . Tudo destruído . O templo . Dias incríveis . Dias maravilhosos . Festas,
encontros, desencontros, eventos especiais ... e combates, claro . Tudo aquilo fazia parte daquele lugar . Um
lugar que não existia mais . Pois o templo Hikawa havia sido destruído . Já estava morto antes de Rei agir,
pois eram seus sonhos e esperanças que mantinha aquele lugar vivo . Era sua determinação que protegia aquele lugar
. No momento em que aquelas pessoas o atacaram ... aquilo morreu . E, como sacerdotisa, ela apenas o purificou,
limpando a sujeira deixada por presenças malignas . - É ... acho que é isso ... É meio estranho de dizer isso,
mas ... obrigado por tudo ... e adeus ... templo Hikawa . E me desculpe, Megumi . Não permitirei que mais ninguém
morra, tem a minha palavra . Prometo que continuarei cuidando de sua mãe, da mesma forma que sempre protegi a
todas . Eu juro . Adeus ... pequena guerreira de Marte ... * * * *
* * * * * * * * Morte ... morte ... morte ...
morte ... morte ... morte ... morte ... Megumi ... Morte ... Morte ... Megumi ... Morte ... Aquilo não parava de
ecoar em sua mente . Não estava mais agüentando, mas não conseguia fazer aquilo parar . A bela mulher caminhava
pelas ruas da metrópole conhecida como Tóquio, andando a esmo . Ela facilmente se perdia em meio a multidão, mas
qualquer um que a observasse com atenção perceberia um detalhe em seu rosto : indiferença . Seu rosto estava
indiferente a tudo e a todos . O brilho usual de seu rosto não existia mais, e seus olhos ... estavam vazios .
Totalmente indiferentes ao que se passava ao seu redor . Embora caminhasse, seu maior desejo naquele momento era
cair, despencar, deixar ser levava pelos braços do destino . Queria se entregar ao acaso, e que ele cuidasse de
seu futuro . No entanto, não podia . Sabia que nada disso seria possível . Sabia que, mesmo depois de tudo
isso, ela ainda estaria ali, viva, enquanto outra estava morta . Não estava mais agüentando . Não conseguia mais
controlar a si mesma . Tentava gritar, tentava correr, mas não conseguia .A única coisa que consegue fazer é se
abaixar . Durante longos minutos, ele ficara ali, sentada no chão, com a cabeça entre os joelhos, chorando .
Diversas pessoas passam pelo local, mas não fazem nada . Alguns olham, outros fazem comentário, chamando-a de
louca, outras jogam esmola pra ela, achando se tratar de uma mendiga . Seu coração estava prestes a explodir por
causa de tamanha dor . Tentava não lembrar, tentava não pensar naquilo, mas não conseguia . Apenas chorava mais e
mais, de dor . Aquela dor insuportável, que a consumia lentamente, infectando seu coração e sua alma . Aquela dor
que a castigava, que a culpava, que a punia severamente . * * * * *
* * * * * * * - Impressionante . Mais uma vez Makoto
observara os arredores, sem nenhum resultado . A destruição gerada por Rei havia sido muito poderosa . Até o lago do
templo havia evaporado ! Mas não era isso que ela procurava . Estava atrás de alguma pista, algum rastro .
Infelizmente, Rei não havia destruído apenas os corpos : havia purificado a área, varrendo qualquer padrão energético
que pudesse ter estado ali . Inconformada com aquilo, ela vai descendo as escadas, decidida a ir embora . Eis que
ela avista aquele sujeito que havia sobrevivido ... ou não, considerando o que Rei fez com ele ... mas ainda
respirava . Talvez ... Makoto se aproxima e coloca sua mão sobre ele . Sim, havia funcionado . - Hmm ...
droga, está muito fraco ... deve ser por causa do que Rei fez ... mas ... mas ... isso é ... hmm ... Alguma coisa
estava estranha, pensava . Mesmo estando quase nulo, pode sentir o tipo de energia daquele sujeito ... Não tinha
muito tempo . Os bombeiros estavam se aproximando, e ela ainda não havia descoberto nada de útil . De qualquer
forma, precisava de respostas . E sabia muito bem como consegui-las ... Eis que ela puxa seu telefone da cintura
e começa a discar . Depois de dois toques, ela é atendida ... pela secretária eletrônica . - Alô ? Akira, aqui é
a mamãe ! Escuta, meu anjo, a mamãe vai precisar se ausentar por uns dias, tá legal ? Eu devo voltar na Segunda,
então, cuida da casa, tá bom ? Faça os outros alunos repetirem os exercícios de alongamento e de bloqueio que eu
ensinei, pois eu devo me atrasar um pouco . Se a Rei aparecer, diga que ela é bem vinda para ficar . Procure não
irritá-la, por que ela não está passando muito bem . E, Akira ... se por acaso alguém estranho aparecer por ai ...
fuja . Nem pense em ficar para proteger o Dojo, fuja para a casa de Minako . É uma ordem, entendeu ? Te
amo, meu doce ! Um beijo, e se cuida ! Ela desliga o telefone, e começa a revistar Kleb . Segundos depois, ela
vai descendo as escadarias do templo Hikawa, com um carteira na mão ... * * *
* * * * * * * * * Ela só possuía um
pensamento : onde ela estava ? Não se passaram nem dez minutos que havia saído do templo . Deveria estar por perto
. Amy olhava por todos os cantos, olhando para todas as direções . Queria encontrar Rei, e depressa . Temia que
ela fizesse alguma besteira ... ou algo pior . Não a encontrava de jeito nenhum . Era praticamente impossível,
visto o numero de pessoas que passavam pelo local . Tinha que encontrá-la, antes que ela ... melhor nem pensar
nisso . Melhor encont ... Seus olhos passam perto de um prédio, e avistam uma mulher sentada, encostada nele .
Amy vai se aproximando, confirmando suas suspeitas . Aquilo seria difícil, ela pensava . Não foi por menos :
quando se aproximou, percebeu que Rei chorava baixo, mas alto o suficiente para as pessoas ouvirem . Todos os que
passavam estavam fazendo comentários, a maioria de “baixo escalão” . Quebrando seu medo, ela se aproxima, tentando
um contato . - Rei ? Rei ? - ...... - Rei ... Rei ? Sou eu, Rei . - ...... - Rei, eu ... eu sinto muito
. Me desculpe se ... - ME DEIXE !!! Aquele grito havia atraído mais atenção do que Amy desejava, comprovado quando
ela olha para trás . - Rei, eu ... - Me deixe ... – ela voltara a falar baixo, soluçando – por favor, me deixe !
Por favor ... Ignorando totalmente a roda de pessoas que se formara ao redor para ver a “louca”, Amy se aproxima
mais, sentando-se ao lado dela e colocando seu braço sobre ela . - Eu sinto muito, Rei . Eu ... você tinha
razão, não ia dar certo ... se nós tivéssemos ... - Seu plano estava certo . - Como ? - Não havia outra
alternativa . - Não entendi ! - Temos nossas obrigações com as pessoas . Tínhamos que optar entre todas essas
pessoas, ou ... - Rei ? Rei despenca sobre ela, jogando sua cabeça em seu colo, chorando mais e mais . - Eu
... eu não pude fazer nada, Amy ! Nada ! Amy estava perplexa . Ao seu lado, com a cabeça sobre seu colo, estava Rei,
chorando . Suas lágrimas davam um banho em seu rosto e em sua roupa . - Eu sinto muito, Rei . Sinto muito mesmo
. - Isso não basta ! Eu sou ... eu era a mãe dela ... Ao dizer isso, seu choro aumenta . - Calma, calma .
- Eu tinha a obrigação de protegê-la ... e nem isso eu fui capaz ! Ela deve ter sofrido muito, Amy ! Deve ter tido
muito medo ! Ela devia estar esperando por mim, Amy ! Do jeito que ela é, acreditava que eu apareceria para salvá-la
no último instante ! Seu choro aumentou . As pessoas, vendo a cena, começaram a se afastar, ao perceber que o choro
da mulher ficava mais forte . Nunca Amy havia sentido tanta pena de alguém . Suportaria se lhe acontecesse o
mesmo ? Não sabia responder . A única coisa que sabia era que batia em seu peito uma indignação enorme .Aquilo não
era possível . De todos os inimigos que enfrentaram ... seriam esses seus mais mortais inimigos ? Aqueles que
destroem tudo o que encontram pelo caminho, guerreiro ou não ? - Venha, Rei . Venha comigo . Vamos sair daqui .
* * * * * * * * * *
* * Alguns instantes depois, ambas estavam em uma lanchonete . Amy estava terminando de tomar um chá
quente, enquanto que Rei mal tocara em seu café, o qual já estava frio . Silêncio total . O atendente lhe dera o
habitual bom dia, mas ela nem sequer respondera . Seu olhar estava voltado para a janela, através da qual ela
observava a rua . - Mamãe, mamãe, eu posso ir no fliperama, hein ? Deixa, vai ! Deixa ! - Tá bom,
meu anjo . Mas toma cuidado ao atravessar a rua . Ela balançara a cabeça rapidamente . Aquilo não havia sido
real . Havia passado por aquilo, mas fora em outra época . Uma voz vinda do balcão lhe chama a atenção . - Eu
quero um super-ultra-mega-milk-shake com cereja e um hambúrguer !!! - Claro, mocinha, mas não creio que
isso vá lhe fazer bem tão cedo . O que acha, senhorita Rei ? - Hã ? Como ? - Não gostaria de uma
vitamina de abacate, senhorita Rei ? Parece meio abatida ... - Hã ... não, obrigada . - A senhora não vai tomar
a vitamina que eu pedi pro moço fazer pra senhora, mamãe ? Mas tá tão gostosa ! Eu pedi pro moço colocar mamão,
laranja, açúcar, pêssego, melancia, açúcar, chocolate, limão, açúcar, banana, mamão, melão , açúcar ... deixa eu
provar um pouco ... AAÍÍ !!! Minha roupa ! Só um instante, que eu vou aqui no banheiro me limpar e já volto, mamãe !
- Por favor, não vá, filha ! – dizia isso, segurando as mãos de Amy - Fica comigo, por favor ! Ela estava
péssima, pensava Amy . Estava confundindo-a com sua filha ! - Rei-chan ... - Amy ? Cadê a Megumi ? Cadê ela ?
Cadê ... ? Não demorou muito pra ela cair em si . Amy não sabia o que dizer . Já deu seus pêsames, já disse que
sentia muito, já demonstrou sua preocupação ... até interiormente ela estava se corroendo pelo ocorrido, mas sabia que
nada que falasse adiantaria em algo . Ainda segurando as mãos de Amy, ela tornou a chorar . Só que, dessa vez, sem
ruído . O único sinal de choro era uma lágrima escorrendo de seus olhos . Seu peito estava prestes a explodir .
Não estava mais agüentando . O que faria ? O que faria sem ela ? Não podia agüentar, não podia resistir ... - Eu
... vou matar ... aqueles desgraçados ... - Rei ... eu sei o que está sentindo, mas ... temos que agir com
calma, senão ... - O que faria se Kinji estivesse no lugar de Megumi ? - Eu exterminaria com a raça de todos .
Pronto . Era o que Rei queria ouvir . Nem Amy estava acreditando que acabara de dizer aquilo, mesmo tendo saído no
impulso . - Oh, meu ... Rei, eu não ... eu não queria dizer isso, eu ... - Sim, você queria . O problema é que
está pensando demais . Está pensando civilizadamente demais . Isso não vai adiantar de nada agora . Tenho que ir . -
Espera, Rei ! Não faz nenhuma bobagem ! Você não está muito bem ! Desse jeito, vai acabar fazendo algo do qual vai
se arrepender dep ... - Amy ... durma . Amy mal percebera quando Rei tocara seu dedo em sua testa, e der essa
ordem . Tão logo é pronunciada, Amy sente um cansaço enorme, seguido de um desejo enorme de descansar, como se
estivesse acordada há dias . - Espera ... Rei ... nós somo ... uma ... equipzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ... Ela apaga .
Literalmente . - Eu já me arrependo de não poder ter ajudado a minha filha quando ela precisou de mim , Amy . Dito
isso, ela se levanta, pronta para sair . Antes, no entanto, senta-se novamente, e aproxima sua boca da orelha de Rei .
- Equipe, é o que você queria dizer, não é ? Deveríamos trabalhar em equipe ... sempre foi assim, não foi ? Pois
bem ... eu te procuro quando voltar a acreditar na equipe ... Ela lentamente vai saindo da lanchonete, deixando
uma Amy entregue ao mundo dos sonhos ... * * * * * *
* * * * * * -ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZDÃÃÃZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZDÃÃZZZZZZZZZZZZZZZ
... - Hã ... com licença ? Senhorita ? Senhorita ? - Senhora, por favor ! Me chame de senh ... hã ... o quê
... onde ... o que houve ? - A senhora estava dormindo, senhora . - Dormindo ? Droga ! Ela me paga !
Amy olha no relógio : 14:50; saindo apressadamente um pouco envergonhada pelo ocorrido, ela começa a observar a rua .
Lotada . A essa hora, Rei já estava longe . E agora ? Para onde terá ido ? Procurá-la estava fora de cogitação . Nem
por decreto iria encontrá-la . - Hmm ... talvez ... Makoto ou Akira pudessem sentir sua energia ... ou Sailor
Mercúrio ... A idéia de se transformar foi descartada tão logo surgiu . Não sabia o qual livre de perigos aquela
área estava, e ainda estava em Juuban . Foi aí que a ficha caiu . Seus novos inimigos contavam com uma vantagem
estratégica fundamental : sabiam onde ficava a base do adversário . Isso significa que um ataque pode acontecer a
qualquer momento . - Hmm, acho melhor ... passar em casa antes . Suas roupas estavam suadas e com um odor
forte, devido a agitação que sofrera recentemente, fora o fato de que sua casa ficava a poucas quadras dali ...
* * * * * * * * * *
* * - Mãe ! - Mãe ! Puramente por prática, ela estica os braços, pegando os gêmeos de uma só vez,
dando voltas pela casa com eles . - Mãe, o Kinji me bateu ! - Mentira ! Ela que destruiu o castelo que fiz ! -
Crianças, onde está seu pai ? - Ele foi no mercado, mas disse que já volta ! - Obrigada . - Mãe, aonde que a
senhora vai ? - Fica quieto, seu pastel ! Ela deve tá cansada ! - Pastel é você, sua bruxa ! - É você ! - É
você ! Começou . Não demorou muito para os dois estarem brigando, rolando pela sala toda . Sabendo que realmente
precisava fazer algo, Amy os deixa, torcendo para que eles parassem ... ou ao menos torcia por isso . Abrindo a
porta do banheiro, ela o fecha com força . Rapidamente de despi, pendurando toda a sua roupa e entrando no box,
ligando o chuveiro em seguida . A água estava maravilhosa, pensava . Era gratificante sentir aquilo, percorrendo
cada parte de seu corpo . No entanto, finalmente estava só . Não havia ninguém ali para interrompê-la . Megumi
. Uma pena . Tão jovem, e tão ... morta . Baixa de guerra . Essas coisas acontecem . Ela olha para suas mãos . No
que havia se tornado ? Como pudera ter um pensamento tão ... tão ... frio ? Será que isso era amadurecimento ?
Será que isso era auto-conhecimento ? Será que maior raciocínio significava perda das emoções ? Depois de
refletir sobre isso durante longos segundos, ela deixa ocorrer o que estava entalado dentro de si há horas : chora
. Finalmente chegara o momento em que não conseguira mais se controlar . Sentia aquilo entalado em sua alma,
pedindo pra sair . Sentia a dor de Rei, e se odiava pelo ocorrido . Pior, se odiava pelo fato de que não estava livre
disso acontecer também ... * * * * * * * *
* * * * - Aham ! - Foi ele quem começou ! - Foi ela ! - Anchitka ... que coisa
mais feia ! Parece um menino ! - Hi, hi ... - E você, Kinji ! Que idéia é essa de ficar brigando com a sua irmã ?
Eu não falei que você deveria cuidar dela ? - Mas pai ... - Sem desculpa ! Os dois de castigo ! E já ! Com a
cabeça abaixada, ambos se dirigem até a estante, e pegam, cada um, uma enciclopédia, e das grossas . Eles a levantam
acima da cabeça, e ficam assim, de braços esticados, carregando aqueles livros ... - Vão ficar ai até aprenderem a
trabalhar em equipe ! Onde está sua mãe ? - Foi tomar banho ... paizinho ... - Não adianta, Anchitka ! Vocês
não saem enquanto eu não os liberar ! Apressado, Roger se dirige até o banheiro, com mais pressa do que o habitual .
Precisava falar com Amy o mais depressa possível . Felizmente a porta estava encostada, e ele encontra, no box,
uma cena assustadora : Amy, encolhida no chão, chorando . Quatro anos ... estava certo ? Quatro anos ... era o
tempo em que estavam casados ... antes disso, havia dado um “jeito” nela . Havia feito ela superar aquela fase de
CDF, em que não se socializava muito com as pessoas . Isso antes de se casarem, quanto estavam fazendo o segundo
grau . Ele a conhecera pouco antes de um desentendimento que tivera com duas de suas amigas, Rei e Makoto . Ao seu
ver, Amy estava se sentindo incomodada com os namorados delas, e ambas diziam que ela estava com inveja .Deveriam
ter dado ouvidos a ela . Agora, já era tarde . Mas não adiantava ficar se lamentando pelo passado, tinha que
seguir em frente . E, mais importante que isso, estavam casados, eram uma família, com duas lindas crianças que
iam fazer quatro anos no em outubro, dentro de quatro meses, pra ser mais exato . Casamento é compartilhamento .
Um tinha que apoiar o outro, e ela estava passando por isso . Com todo o cuidado, ele desliga o chuveiro e pega
o roupão, enrolando-o nela . Ele a pega nos braços, e sai do banheiro, indo em direção ao quarto . - PAPI !!! –
gritava Anchitka, preocupada com o que vira - a mamãe tá legal ? - Ela está bem . Eu vou levá-la para o quarto
. Não saiam do castigo até um mandar ... e não entrem no quarto . Ela adentra o quarto, carregando sua esposa, e
a coloca sobre a cama . Aproveitando melhor a posição, ele arruma o roupão em no corpo dela, cobrindo-a totalmente
. - Roger ... - Shhh ! Só um instante . Ele termina de abotoar o roupão . Em seguida, senta-se na cama, ao
lado dela, que estava deitada, com um olhar vazio . - Pronto . Pode falar . - Querido ... por que você ... ? -
Vamos, Amy . Não faça isso comigo . Completamos quatro anos em Janeiro ... já é bastante tempo, querida . - Eu ...
estava tomando banho, e ... - Você estava deitada no chão do banheiro, chorando . Eu vi e você sabe que eu vi, e
também sabe que eu não vou acreditar se você disser o contrário ... - Eu ... – ela faz uma pausa . Não sabia se
tinha forças para dizer o que tinha que dizer - ... hoje de manhã, quando eu fui visitar Minako ...bom, depois, eu
fui falar com Makoto, e depois ... depois .. Ela inclina a cabeça, enquanto agarra com força seu travesseiro .
Não podia dizer aquilo . Não conseguia . - Eu sinto muito, Amy-chan . Eu sei o que você está sentindo . Aquilo
chamou um pouco a sua atenção . - Sua amiga ... Rei ... eu sinto muito por ela . Não posso fazer nada por ela ... se
quiser, pode chorar ... pode dormir ... pode chorar novamente ... mas, quando terminar, eu ainda estarei aqui, do
seu lado ... e se continuar ... eu ainda estarei aqui ... Ela se levantou subitamente e agarrou Roger com força,
olhando em seguida no fundos dos seus olhos . Ela estava péssima, ele percebeu, logo após ver seus olhos :
vermelhos e cheios de lágrimas . - Roger !!!! Por que ? Por que ? – ainda bem que tinha fechado a porta do
quarto, pensava . Sabia o barulho que seria gerado, visto o tom alto e ... desesperado de Amy – Por que essas
coisas tem que acontecer ? Por que ? AAAAAHHHHHH!!!!! Depois do grito, ela colocou sua cabeça sobre o colo dele,
chorando mais e mais, embora ele já esperasse por isso . Ela estava sofrendo, e ele entendia o por que . - Eu
não sei . – dizia, enquanto passava a mão sobre seus cabelos, que estavam desarrumados . – Eu havia saído, quando
vi aquilo . Acho que metade da cidade viu aquilo . Uma chama gigantesca saindo do templo, como se tentasse
desesperadamente devorar tudo o que estivesse a sua volta . Peguei o corra e corri até lá, mas os bombeiros já
haviam chegado e não encontraram nada . Tudo estava reduzido a cinzas . O templo, o bosque, as estátuas ... tudo .
Eu sinto muito . Os bombeiros não descartaram a possibilidade de um atentado, mas o que atearia fogo daquela
maneira sem deixar vestígios ? O templo nem sequer possuía sistema de gás ! Em meio aquele choro, uma pequena
linha de raciocínio se formava, a qual a lembrava de uma coisa : ele não sabia sobre seu segredo . Roger
estava espantado . Nunca vira Amy daquela maneira . Quer dizer, já a vira ficar tristes, chorar, mas nunca daquela
maneira . - Amy ... talvez, elas não estivessem lá dentro ... hoje é Sábado, talvez tenham saído, e ... Amy
levantou o rosto e, em meio as lágrimas, uma expressão séria ; - Você sabe de alguma coisa, não é ? Ela confirmou
com a cabeça . - Vem cá . Roger puxou-a para seu ombro, e ela continuou chorando, bem baixo . Ele ficava
imaginando o que ela saberia . De qualquer forma, não adiantaria . Se ela optara por não lhe contar, não a
pressionaria . Mesmo sendo casados . Amy não se agüentava . Estava exausta ... estava esgotada . Nunca havia
passado por coisa parecida . Em seu intimo, achava que aquilo não era real, que a qualquer momento, Usagi
apareceria e usaria o Cristal de Prata para trazer Megumi de volta . Não . Ela sabia que isso não aconteceria .
Usagi não estava no país, e mesmo que estivesse, não conseguiria trazer Megumi de volta . Megumi estava morta .
Tinha que aceitar aquilo . Não era apenas isso . Era o fato que um deles havia morrido . Eram tão poderosas ... e, no
entanto, tão frágeis . Poderiam morrer com a mesma facilidade que aqueles que protegiam . Ela se afasta um pouco,
ficando sentada de frente para ele, com a cabeça abaixada, e o cabelo cobrindo seus olhos . Tinha que fazer
alguma coisa . Não podia ficar parada ali, sem fazer nada . Tinha ... - Devagar . Aonde pensa que vai ? - Eu
tenho que sair . - Desse jeito ? Não vai conseguir nada . Descanse um pouco . - Não, eu preciso sair . Roger
força sua cabeça contra seu colo . A principio, ela tenta se levantar, mas não consegue, sendo vencida pelo cansaço .
Seu choro volta, embora mais fraco . Lentamente, ela vai se deixando vencer ... * * *
* * * * * * * * * - Dói, não é ? - Hã
? - Eu disse que dói . - Quem é você ? Onde estou ? - Isso importa, Mercúrio ? - Como ? Do que me chamou ? Não
sou quem pensa que sou, eu sou ... - Mitsukai Amy, vulgo Sailor Mercúrio . - Quem é você ? E que lugar é esse ?
- Você não está fazendo as perguntas certas, Mercúrio . Sempre foi a mais precisa e, às vezes, mais odiada
das Sailors . - Certo ... Isto é um sonho, não é ? - Lembra-se de como eu gostava de irritá-la, imitando-a
com charadas e perguntas sem pé-nem-cabeça, que não tinham respostas ? - Eu estou morta ? - Lembra-se de como as
outras a odiaram, pois pensaram que você era a minha favorita ? Ela tentava se concentrar mas, por mais que
tentasse, não conseguia reconhecer a voz . - Ok ... o que eu preciso saber ? Somente uma coisa ... algo muito
importante ... quando acordar, vai achar que foi um sonho , e realmente foi, mas um sonho diferente . Portanto, não
subestime esse sonho ... por que essa será a primeira e última vez que me comunicarei com você, ficou claro ? - Sim
. De cara, ela percebeu que havia algo naquela vez ... que inspirava autoridade ... - Suponho que agora seja o
momento que o sonho acaba ... e obrigado por nada ! - Não subestime esse sonho, Mercúrio . Não subst ... -
Subestimar o que ? Nem sequer há algo para ser subestimado ! Que sonho mais estúpido ! Não me serviu de nada ! NADA !
- Você tem dúvidas ... não se preocupe . Continue com esse seu jeito de pesquisadora ... e Mercúrio lhe concederá
as respostas . Aquilo foi o que mais a surpreendeu : uma luz . Um clarão . De qualquer forma, cobria-a por
completo, impedindo-a de continuar com os olhos abertos ... * * * *
* * * * * * * * - A-a-a ... a luz ... eu vi ...
uma ... luz ? Ela finalmente abre os olhos . Quanto tempo estivera dormindo ? Uma hora ? Um dia ? Ao tentar se
movimentar, ela percebe à situação em que se encontrava : dois braços a circulavam, abraçando-a de maneira bem
calorosa . Não obstante, ela estava bem próxima a um peito, o qual a aquecia docemente . Ela ergue os olhos, e
dá de cara com Roger, encarando-a . Ou melhor, observando-a ; - Sente-se melhor ? - Eu ... quanto tempo eu
dormi ? - Umas três horas . Sente-se melhor ? - Um pouco . E você ? Dormiu também ? - Não . Fiquei aqui, te
observando . Parecia uma criança dormindo . Na hora, me lembrei de Anchitka . - Oh, Roger ... meu amor, você ficou
aqui, do meu lado ... - Eu disse que estaria aqui, não disse ? - Me desculpe, eu ... - Eu é que me desculpo
. - Por que ? - Por não chorar . Sinto muito por sua amiga . Sinto não tê-la conhecido um pouco mais, para também
ter lágrimas para derramar por ela . Me desculpe . Amy se levanta, sentando-se na beirada da cama . Roger faz o
mesmo, acariciando seu cabelo . - Eu ... tenho uma coisa pra te contar . - Pode falar . - É sobre ... o meu
passado . Antes de te conhecer, eu ... eu ... Ele coloca os dedos em seu lábios, silenciando-a ; - Shh . Não
precisa . - Mas ... mas é muito importante isso que eu ... - Você ... ainda não se recuperou do que houve ...
seja lá o que for me dizer ... não está no controle de suas emoções . Não quero que me diga algo do qual vai se
arrepender depois . Vamos deixar isso para depois . Amy fechou os olhos, e algumas lágrimas escorreram por seus
olhos . Ela encostou seu rosto no peito de Roger, e o mesmo colocou sua mão sobre sua cabeça, sentindo em seu
peito as lágrimas escorrerem . Porém, essas lágrimas era diferentes . Não eram lágrimas de tristeza . Amy já havia
liberado elas há pouco e, se ainda restasse alguma, não seria agora que iria vertê-las . Essas lágrimas ... era
diferentes . Eram de alegria ... e amor . Um sentimento forte que, se não conseguisse, ao menos tentava aplacar a
imensa tristeza que a assolava . Estava triste, sim, mas sabia que podia contar com ele . Sentia-se melhor
sabendo que seu parceiro, seu companheiro estava ali para apoiá-la ... e que entendia seu problemas . Tinha um
companheiro, em toda a extensão da palavra, que nunca iria deixá-la sofrer . E, se isso fosse necessário, ele
partilharia de sua dor . Amy levantou sua cabeça, enquanto colocava seus dedos entre os lábios de Roger . Eram
quentes . Estava quentes . Por breves momentos, ela acariciou a face dele . Em seguida, o beijou . E, para
alguém do seu “tipo”, foi um beijo bem “quente” . Mas não simplesmente “quente”, mas cheio de amor . Ela sentia os
lábios dele, tentando engoli-lo, apertando-o com todas as forças, não permitindo que escapasse . Ele, por sua
vez, prosseguia . Resistia a tentação de acariciá-la, pois sabia que, naquele momento, ela não queria apenas
prazer, mas alguém que compartilha-se do que estava sentindo . Em nenhum momento ambos tiraram os olhos um do
outro, pelo contrário, Amy podia ver o brilho nos olhos dele, da mesma forma que ele podia ver a carência nos
olhos dela . Esse era um dos motivos pelos quais Amy havia se apaixonado por Roger : sinceridade . Enquanto que
ela estava praticamente bêbada em seu lábios, ele apenas retornava tudo o que sentia, sem, no entanto, esquecer-se
da situação pela qual passava . Aquele era um dia de tristeza . Por mais que a consola-se, por mais que
conversassem, aquilo não podia ser esquecido . - Shh. – dizia, enquanto a tomava nos braços e a afastava um
pouco – vamos deixar isso pra depois . Agora ... sente-se melhor ? - Um pouco . - Isso é bom . Um pouco
mais calma, ela encostara sua cabeça no peito dele . - Roger ... eu ... nós ... temos problemas . - Eu posso
ajudar em alguma coisa ? - Não . Infelizmente, não há nada que você pode fazer . - Você pode fazer alguma coisa ?
- Sim, eu posso . - Então, não me conte o que é . Se não posso ajudar, então acho que talvez seja melhor que eu não
saiba o que é . Mas, seja o que ... sempre vou te apoiar . Roger ... eu prometo que, quando isso tudo acabar, eu
vou te contar tudo, entendeu ? Tudo . * * * * * *
* * * * * * Tarde da noite, nos arredores do Bairro Juuban . Não
haviam muitas pessoas na rua, o que facilitava seu trabalho . Não que eles representassem problemas, mas não
queria ser notada pelas pessoas erradas . Como uma sombra, ela se movia pelas ruas, imperceptível . Alguns
cachorros, únicos presentes na rua, latiam, ao verem aquele vulto passar perto deles . Não apenas pelo modo que
estava vestido, um manto negro, o qual se confundia com as sombras, e um capuz de mesma cor, o qual não permitia
que sua face fosse vista, devida a escuridão ali encontrada . Ora correndo pela rua, ora saltando entre os
telhados ... ela para no meio da rua, em frente ao seu objetivo : uma escola . - Sim ... Juuban School ...
perfeito . Devia ter me pensado nisso antes . Tantas coisas ... tantos rastros que se espalham por este lugar ...
sim, posso sentir o poder delas, impregnado aqui . É uma pena que não consiga sentir o lugar em que estão, mas
isso servirá . Com extrema leveza, ela ignora a altura do prédio, e salta até seu topo . Embora fosse noite,
era uma bela visão . As estrelas, piscando para todos, a combinação de luzes, fruto das casas, que iluminavam o
bairro ... e a escuridão, imensa e infinita, que engolia o bairro, levando todo o crédito pelo espetáculo que era
realizada a cada noite . Mas o que mais a fascinava não era isso, mas os rastros . Não rastros comuns, mas
rastros especiais . Coisas que olhos comuns não podiam ver . Lá estavam eles, atravessando cada rua daquele bairro
. Todo ser vivo possui uma aura . No entanto, poucos são aqueles que possuem uma aura ativa . Ela é mais do que
a representação do poder de um indivíduo, é a representação do espirito de uma pessoa . Através dela, é possível
descobrir a verdadeira natureza de alguém, bem como algumas outras características . E, os poucos indivíduos que
possuem uma aura ativa ... deixam um rastro, embora não saibam disso . Ela estava tentando sentir esse rastro .
Não estava apenas tentando sentir a energia das pessoas . O rastro de uma aura é muito mais que isso . Uma aura se
sente, se cheira e, as vezes se ouve ... mas esse não era o caso . Nessa noite, ela observava atentamente o
bairro, achando o que queria . Haviam alguns rastros, os quais atravessavam praticamente todo o bairro . E, embora
houvessem algumas diferenças entre os rastros encontrados ... somente um tipo de ser possui um aura daquele tipo,
o qual deixaria aquele tipo de rastro : Sailors . Prestando bastante atenção, ela comprova suas dúvidas : de
uma maneira ou de outra, os rastros seguem e se distância do ponto no qual ela estavam . Por algum motivo, as
Sailors, estejam onde estivessem, ainda freqüentavam aquela escola . No entanto, algo lhe chamou a atenção :
reconheceu o rastro de apenas três, e um deles era o mais forte . Provavelmente, uma das Sailors deveria passar
muito tempo naquela escola . No entanto, havia localizado mais outros cinco rastros : dois deles eram similares
aos rastros deixados pelas auras de Marte e Júpiter . Parentes, provavelmente . O terceiro e o quarto... ela não
conseguia distinguir . Eram similar ao de uma Sailor ... até demais ... mas, ao mesmo tempo em que se pareciam,
eram totalmente diferentes . Sem sombra de dúvida, não era o padrão de nenhuma Sailor conhecida, tampouco similar
. E, quanto ao quinto rastro que ela encontrara ... era totalmente confuso . Aliás, aquilo já estava ficando
totalmente confuso para ela ! Havia encontra, só naquele lugar, dois parentes das Sailors, dois indivíduos que ela
não sabia se eram realmente Sailors ... e um o qual ela não conseguia identificar . No entanto, de uma coisa
ela tinha certeza : todos os rastros que sentiu, possuíam algum poder . Não estava sentindo o nível de energia
deles, mas sim lendo o rastro de suas auras . Toda aura tinha sua assinatura, a qual possuía algumas
características do indivíduo . E, pelo que pode ver, todos possuíam algum poder . Não se comparavam com as Sailors
... mas, sem sombra de dúvida, deveriam ter mais energia do que a maioria dos humanos ... e isso já foi o
suficiente para lhe despertar ... - Pois bem ... que venham as Sailors ... e, se não vierem ... vejamos do que
esses cinco indivíduos são capazes ! * * * * * *
* * * * * * Por outro lado, outra pessoa não concordava com a
beleza da noite, e todo o seu resplendo . Era uma pessoa que não podia se dar a esse luxo, pois ela mesma não se
permitia a isso . Para ela, não existia noite, não existia dia : existia apenas dor. Sua dor era mais
forte que a nevasca, que pega os animais desprevenidos e os castiga com um longo inverno . Sua dor ... era sua dor
. Nunca havia sentido tamanha dor em toda sua vida . Nem mesmo quando seu avô morreu . Ao contrário do que se
imaginava, não havia chorado mais . Estava procurando . Seu cérebro havia ignorado, durante horas, que aquilo era
inútil . Nunca iria encontrar os responsáveis pela morte de sua filha daquela maneira . Tinha que pensar, e não
era o que ela estava fazendo . Havia andado, corrido, seguido pistas inúteis ... encontrando o que iria acabar
encontrando : nada . Não estava no seu melhor estado . Não estava no seu melhor momento . E, pelo visto ... nunca
mais estaria . Cansada de andar, afetada tanta pelo cansaço quanto pela fome, ela entra no primeiro beco que
encontra . Pouco depois, ela se encosta em uma das paredes, e se senta . Estava cansada . Estava exausta .
Encolhendo as pernas e colocando a cabeça entre elas, ela procura descansar . Mas não consegue . Ainda estava ali,
atravessando seu coração . Aquela dor incontrolável, contagiante, cruel e assustadora, que a havia assolado
durante o dia inteiro . E que não iria se afastar tão cedo . Lá estava ela, sentada, encolhida ... e chorando .
Chorando muito . Não estava se agüentando de tanto chorar, ao ponto de seu peito doer diversas vezes . Mas, no
entanto, ela não parava . Tentava dormir, sem sucesso, pois o som de seu próprio choro não a permitia . Era
tinha uma coisa extremamente forte : seu orgulho .Esse era um fato . Nem no dia em que foi abandonada, sofreu
tanto . Pelo contrário . No dia em que chegou em sua nova casa e descobriu que seu amor, aquele que a tinha levado
para uma outra casa para morarem juntos, ele, ela e sua filha, naquele dia em que ela chegou e descobriu que ele
as havia abandonado ... nem naquele dia sofreu tanto . Juntou suas coisas, e retornou ao templo de seu avô . Com
toda a alegria do mundo aquele senhor havia recebido de braços abertas aquela neta pródiga . Naquele dia, o
orgulho dela foi arranhado ... mas ainda sobrevivia . Hoje, ele foi destruído . Esta noite, será uma noite
diferente para Rei . Ela vai se lembrar dela pelo resto de sua vida . Essa noite, o sono vai demorar a chegar,
pois, durante quase toda a noite ... ela vai chorar . * * * * *
* * * * * * * Úmido . Muito Úmido . O frio não a
incomodava tanto, mas a umidade em excesso daquela caverna, sim . Felizmente, já estava chegando . Sim, já podia
vê-la . Vista daquele lugar, parecia um simples vilarejo, tirando o fato de que estava embaixo da terra .
Mas ela já havia estado lá . Já havia andado por aqueles lugares . E era hora de fazer uma visitinha a uma certa
pessoa . A cidade se encontrava abaixo dela . Pra ser mais exato, deveriam haver pelo menos uns trezentos
metros de distância entre ela e o chão . E esse era o único caminho . Ela salta e, aproveitando a encosta, vai
saltando, para diminuir o impacto da queda . Em alguns momentos ela salta um pouco mais para baixo, em outros, vai
deslizando pela encosta . Eis que, em determinado momento, a encosta se torna enclinada demais, impedindo que
ela a utilizasse como apoio, fazendo-a despencar em queda livre . Da vila, seus habitantes ficam chocados ao verem
aquele corpo em queda livre, em direção a morte certa . Para a surpresa deles, algo realmente estranho acontece
: faltando poucos metros para atingir o chão, o indivíduo freia(????), diminuindo sua velocidade rapidamente,
atingindo o chão com extrema facilidade, sem maiores problemas . Era uma cena fantástica ... tanto para o novo
visitante ... quanto pra o povo daquela vila . Um estava chocado ao olhar para o outro . O visitante estava
vestido de forma estranha . Vestia uma roupa que se parecia com uma capa que possuía um capuz, o qual impedia seu
reconhecimento, pois cobria seu rosto, e ainda havia um pano cobrindo sua boca . Além, claro, de algumas roupas
que eram percebidas por baixo da capa, como uma calça justa, e uma camisa que parecia não prejudicar seus
movimentos . Quanto a surpresa que o visitante estava tendo ... não era exatamente uma surpresa, uma vez que
ele já conhecia aquele povo . Só estava um pouco assustado, pois fazia algum tempo que não os via . Era um povo
... estranho . A começar pelas suas casas : lembravam muito uma aldeia medieval . Prato cheio para historiadores .
Mas isso era a coisa mais “normal” que a vila possuía, uma vez que seus habitantes não eram exatamente
“humanos”... Ajustando suas roupas, ela vai caminhando pela rua, andando entre as pessoas . Na verdade, ela
estava caminhando com certa folga, uma vez que as pessoas haviam aberto caminho para ela . Eis que, em seu
caminho, surge um homem ... ou o que quer que seja aquilo . Tinha cerca de 1,80m, possuía bastante cabelo ... e um
rabo de lagarto, junto com duas orelhas pontiagudas . Fora isso, passaria normalmente por um humano . A não ser,
claro, pela sua pele verde ... - Você está bem ? - Sim, eu estou . Por que a pergunta ? - Não se machucou
com a queda ? - Eu estou bem, com licença ... - Não parece . Melhor te levar para receber cuidados ... - Saia
da minha frente, pois eu não tenho tempo . - Como ? - Você ouviu . Não irei me repetir . - Eí, cuidado com a
língua ! Ele coloca a mão sobre o encapuzado, segurando-o ; qual sua surpresa quando o mesmo pega seu braço e, com
extrema facilidade, começa a apertar . Ele começa a se contorcer, devido a dor de ter seu braço torcido . Eis que,
enquanto está gemendo, ele observa bem o indivíduo , e nota as roupas que ele usava por baixo da capa ... -
Essas roupas ... arghhh !!! - Passar bem . Agora ... - Espere ! OUÇAM TODOS, TEMOS UM INTRUSO AQUI !!! Não
demora muito para o povo em geral formar um círculo em torno do encapuzado . Oh, céus – ela pensa - o dia realmente
não estava sendo muito bom com ela . Realmente o povo que a cercava era tudo, menos humano . Alguns eram
praticamente idênticos aos humanos, outros apresentavam algumas diferenças mínimas, como era o caso de alguns
serem mais altos, outros mais robustos, alguns possuíam olhos de cor bem estranha, orelhas um pouco pontiagudas
... e outros, apresentavam diferenças bem marcantes, como caldas, chifres, membros extras, garras, cor de pele ...
aquele lugar parecia não mudar . No fundo, não passavam de pessoas comuns, preocupadas em defender seus
semelhantes . Realmente, esse era um lado dos Youmas que era preferia ter conhecido desde o começo ... - Muito
bem, quem é você ? – dizia um youma que se aproximava . Ele lembrava um humano bem robusto, se não fossem pelas
suas unhas, grandes como garras ... se é que não eram . Ela aponta para alguma coisa . Ao olharem o que era,
entendem o que era : o castelo . Antiga sede do governo de Beryl, atual sede do novo governo do ... Reino Negro .
- Como é ? Quem você pensa que é para vir até aqui ? – dizia o youma que havia sido atacado – bem que eu estranhei
não ter te reconhecido ... você é da superfície ! Aquilo assustou a população . Não estavam acostumados ... não
recebiam ... não gostavam de receber visitantes da superfície . Geralmente, ninguém conseguia chegar até ali, de
tão bem escondido que era . Como ele havia conseguido ? - O que você quer aqui ? - Eu solicito uma audiência
com Sytil . - Ele está ocupado . - Eu aguardo . - Você não entendeu ! Ele sempre está ocupado para gente como
você ! Pronto . A partir daí, ficava óbvio que haveria confusão . - Sabe ... eu não posso arrumar confusão com
vocês ... mas posso me defender ... O Youma que havia sido atacado anteriormente por ela salta encima dela, com toda
a fúria . Instantes depois, ele sente o cotovelo dela em seu peito, o qual o arremessa para longe dali, fazendo-o
atingir uma casa ; - Você já criou problemas demais . Os outros haviam ficado impressionados com aquilo ... e
irritados . Havia arrumado confusão . Aquilo não era bom . Se quisesse falar com Sytil, não podia arrumar confusão .
Súbito, as pessoas começam a se afastar dela, devido a faiscas pulsando em seus olhos . Era surpreendente . Seu
medo não dura muito, e eles partem para o ataque . Não conseguem . Estavam sendo repelidos por alguma coisa ... algo
que causavam uma sensação estranha em seus ossos ... Eles se esforçavam, mas não conseguiam . O encapuzado
permanecia parado, mas eles não conseguia se aproximar . Era como se alguma força estivesse bloqueando-os ... -
Quero ver você me barrar ! AAAAHHHHH!!!!! Um youma de pele cinza parte com tudo pra cima dela e salta . No meio
da queda, saca uma espada, e desfere o golpe . Qual a sua surpresa qual o golpe se detém poucos centímetros do
corpo dela . Ele tenta forçar, tenta colocar mais força ... mas a espada não se move . Nessa hora, ele percebe uma
coisa : Estava parado a alguns metros do chão, apoiado na espada, que parecia esta paralisada em pleno ar . Era
como se algo bloqueasse a espada ... Ele a solta, caindo . Rapidamente levanta-se, e saca uma faca . Quando se
aproxima, o impossível acontece : a faca sai de sua mão, e vai parar na mão do indivíduo . - Droga ! Ma o que é
isso ? - Isso é o que eu chamo de campo eletromagnético . Posso usá-lo como escudo e , como já percebeu,
coletar alguns metais . Quer tentar ? - Colete isto ! O youma com garras olhou para ela por um instante, e sua
garras brilharam . Em seguida, elas saíram de sua mão, e atingiram o campo do encapuzado, explodindo em seguida,
causando um tremendo alvoroço no local . - Hunf ! Humano idiot ... que ?!?!?!? Ele não acreditava naquilo . A
explosão havia dispersado bastante energia pelo ambiente, o suficiente para entender o que o encapuzado falara a pouco
. Em determinados momentos, a energia gerada pela explosão, a qual estava dispersa pelo local, quando ela se chocava
com o escudo ... ele conseguia vê-lo realmente . Era invisível aos olhos nus, mas agora conseguia vê-lo, mesmo que por
alguns momentos . Era como se um globo de eletricidade pulsasse ao redor dele, protegendo – o ... - Sytil ... eu sei
que você está ai . Sei que já me percebeu, sei que está nos arredores . Pois bem, apareça ! Vamos ! Não vai
aparecer ? Pois bem, creio que terei que convencê-lo do contrário ... Sua mão, a qual estava coberta pela capa,
se ergue, carregando um estranho objeto . Parecia um pequeno cetro, com uma bola verde na ponta ... - Pelo
Poder do Cristal de Júpiter, Transformação ! Júpiter . Aquele nome os havia assustado, e bastante . A
roda que a prendia rapidamente se desfez, e os aldeões se preocuparam mais em se distanciar . Sabiam que aquilo
representava perigo . Eles não haviam visto quem era o indivíduo por baixo da capa e do capuz, e agora que ele
não os estava mais vestindo, seu rosto sumiu em sua mente . Não restava dúvida . Só havia um tipo de pessoa que
podia fazer isso : uma Sailor ! Eles trataram de correr, horrorizados com seus pensamentos sobre o que ela
significava . - Ah, mas nem pensem em fugir ! Makoto fechou a mão . Todos começaram a se ajoelhar, cair ...
gemer . Um gemido baixo, mas incrivelmente irritante . Todos estavam assim . Súbito a dor cessa . - Sei que está me
ouvindo, Sytil . Quer saber o que estou fazendo ? Pois bem, como deve saber, meus poderes aumentam, e muito,
quando me transformo . Então, não se assuste ... ao saber que eu estou impedindo que se movam por causa do ferro
em seus ossos ! Surpreso ? Pois eu posso fazer muito mais, se quer saber ... Makoto fecha a mão, e eles tornam a
gritar, só que abaixo . - Acho que já entendeu, não é, Sytil ? Posso controlar seus movimentos, através do ferro
em seus ossos ... e também posso fazer outras coisas, como pode ver . Talvez eu deva esmigalhar os ossos de
alguns deles para que você ... - Essa é a sua vingança, Sailor Júpiter ? – disse uma voz . Uma voz grossa . -
Atenda-me agora ... e eu paro de importunar seu povo . Ela olha para trás, e torna a avistar o castelo, só que,
desta vez, sua ponte estava se abaixando . Aquilo devia ser um sim . - Hmmm ... bom, pessoal, sei que não vão
aceitar um pedido de desculpas ... nas não é nada pessoa, são negócios . Espero que não deixem de gostar de mim
por causa disso, é claro! * * * * * * *
* * * * * Estava frio . Muito Frio . Mais do que o usual . Aquela noite
havia sido extremamente cruel com ele . Já tivera dias terríveis, mas aquela noite parecia querer castigá-lo mais
e mais, até que ele morresse . E, pra piorar, a chuva caia de forma cruel e violenta, varrendo qualquer
possibilidade para aquele dia . Nem se abrigar podia, pois o vento destruíra sua caixa de papelão . Seu beco
estava totalmente ensopado, castigando-o mais e mais . Era o pior dia sua vida . De sua curta, pobre e miserável
vida . E estava fadada a terminar ali, naquele instante ... * * * *
* * * * * * * * - Eu sei que não foi esse o nosso
trato ... sei que não foi muito amistoso atacar seu povo ... mas poderia descer essa ponte, Sytil ? Ou terei que
derrubá-la eu mesma ? Obrigada . A ponte levadiça torna a descer, abrindo passagem para Makoto . Realmente, ela
não esperava ter que voltar aqui tão cedo .. nem nessas circunstâncias ... Caminhando lentamente, atravessava os
cômodos do castelo . Aquele que era a sede do atual governo, e do governo anterior : o de Beryl . Quem podia
imaginar isso ? Muitas teorias haviam sido levantadas . Achava-se que só haviam os generais e Beryl, e que os
outros eram criações deles . Pura bobagem . Eram um povo, originário da Terra . Terra ... sempre viveram sob ela ?
Isso, ela não sabia . Nem Sytil sabia responder essa pergunta . Muito da cultura dos youmas foi perdido durante a
guerra que houve há eras atrás, quando atacaram a lua ... Fazia sentido . O milênio de prata deveria ser muito
desenvolvido, assim como os youmas . Depois da guerra, como muito foi perdido de sua cultura, eles regrediram . O
pouco de conhecimento superior devia ser restrito a Beryl e alguns outros . Mas também, para que a tecnologia
num lugar como esse ? Esse povo vivia nos confins da Terra, onde a luz do Sol não tocava . Aliás, não havia
entendido direito a explicação que Sytil havia lhe dado para a luminosidade que havia naquele lugar . Mas, sem
perder a linha de raciocínio, embora tivessem poderes, embora parecessem diferentes ... eles demonstraram ser um
povo bastante pacifico . Eram guerreiros, mas não descartavam a paz . Foi muito interessante descobrir isso . Eram
conveniente para todos que continuassem ali, seguindo suas vidas pacatamente ... não que não fossem bem vindos na
superfície, pelo menos por ela, mas a grande maioria das pessoas que moram na superfície se assustariam com eles
e, embora alguns youmas tivesse a capacidade de gerar um disfarce para se parecer com o povo da superfície, eles
preferiam ficar aqui . Não queriam se arriscar . Eram um povo em extinção . Haviam restado poucos, não eram uma
nação como antigamente . Preferiam ficar aqui, onde podiam preservar o pouco que restava de seus costumes e sua
cultura . Ela encontra uma imensa porta, feita de puro metal, a qual se abre diante de seus olhos . Diante de
seus olhos, surge um sala enorme . Deveria ser maior que seu dojo . Apesar do que se pensava, não haviam peças e
mais peças de ouro e prata, tampouco parecia ser um local muito luxuoso . Pelo contrário, era apenas uma sala bem
grande, a qual abrigava algumas mesas, estantes e caixas .Na parede, algumas armas e armaduras, junto de alguns
quadros . Percebia-se claramente que os quadros eram de youmas e poses bem marcantes, pra não dizer heróicas .
- Eu não havia visto esses quadros da última vez em que estive aqui . Quem são ? – falava, dirigindo-se para uma
pessoa que estava sentada em uma das mesas . Aliás, a única pessoa além dela . - São nossos antecessores .
Ele se levantou, caminhando em sua direção . Mesmo não se virando para ele, sabia quem era . Um youma, como muitos, só
que vestindo uma armadura toda feita de metal, a qual cobria suas pernas, seus braços e tronco, e possuía uma espada
numa bainha que se localizava nas costas . O detalhe era que ele era bastante robusto, sendo um pouco mais alto que
ela, seus olhos eram diferentes, como os de um gato, e possuía uma mancha na testa . Quando ela vira-se para
encará-lo, ele já se encontrava bem perto, e nota-se que a mancha na verdade era uma pequena pedras lilás . Ela se
perguntava se ele a havia encrustrado ali, ou se havia nascido com ela . - Há quanto tempo, Sytil . Vejo que as
coisas vão indo bem, não ? Tem se empenhado em pesquisar a história de seu povo ? Andaram tendo problemas ? -
Sim, tivemos ... há alguns minutos atrás ... - Sim, claro ... mas aquela porcaria que você me deu não funcionou
direito . Você tem bastantes livros aqui . - Não é muito . A maioria é de origem humana . São livros que eu
coletei, que possuíam algumas citações quanto ao meu povo . - Tentando montar o quebra-cabeça, não é ? - Mas
é muito pouco . Sou um dos youmas mais antigos vivo, e mesmo assim, comparado com os que morreram durante a tola
guerra de Beryl, sou considerado uma criança. – súbito, um rápido pensamento interrompe suas palavras – O que você
quer ? - Preciso querer alguma coisa ? Não posso fazer uma visita de vez em quando ? Pensei que fossemos amigos ...
- Não sou seu amigo – disse, num tom bastante frio e agressivo – e não gostei de você ter aparecido por aqui . Não foi
esse o nosso acordo . Vocês ficam lá encima, nós aqui embaixo, lembra-se ? Se um de nós subir, vocês devolvem . Se um
de vocês descer ... nós damos um jeito nele . As regras foram bem claras, inclusive, foram registradas com sangue,
lembra-se ? Quer arrumar mais confusão entre nossos pov ... !!! Apenas um lembrete para Sytil : nunca irritar uma
Sailor . Seu povo ter trágicas lembranças quanto a isso . Segundo lembrete : bom, deixa pra lá . Como havia
dito, a maioria dos livros eram de origem humana, mas haviam em sua coleção alguns raros livros de origem youma
... e uns mais raros ainda de origem Selenita ... era esse mesmo o nome ? Se não fosse, era o único nome que lhe
veio a cabeça quanto ao povo que vivia na época do Milênio de Prata . Havia usado aquele nome devido a rainha
Serenity e, por falta de nome melhor para aquele povo, servia . Um fato importante que voltava a sua mente era que
esses livros não continham material muito útil, apenas poemas, contos, geografia local ... e um breve resumo do
povo . Lembrava-se sobre uma certa observação sobre o povo Selenita : eles, ao contrário dos humanos de hoje, eram
um pouco “superiores”, em alguns aspectos . Alguns eram mais inteligentes, outros mais rápidos, outros mais fortes
. E, da mesma forma que os humanos, eles podiam desenvolver bem mais essas características ... O detalhe é que
esse pensamento veio-lhe a mente no exato instante em que Makoto o agarrara pelo pescoço, levantando-o . Pior,
Aquilo perfurou e lantejou sua mente no exato instante em que a mulher quebrou a proteção metálica do
pescoço, e ele conseguia sentir a mão dela “massageando” seu pescoço . Se aquilo não fosse o suficiente para
fazê-lo crer que iria morrer, o olhar dela seria : frio e vazio . Tão frio quanto da última vez em que ela
estivera aqui, quando aquilo aconteceu . - Gccccc !!!! - O que foi , Sytil ? Está doendo ? POIS É BOM
QUE SIM !!! Não vai chamar seus guardas, seus seguranças ? Ah, sim, eu havia me esquecido ! Vocês agora são um povo
pacifico, que não praticam a guerra ! De qualquer forma, eles não seriam de grande utilidade, não é mesmo ? Pois
bem ... eu não estou tendo um ótimo dia, Sytil . Novos inimigos começaram a atacar, e já causaram muita destruição
. Seu aparelho deu problemas, e eu tive que andar por mais de um dia por aquelas cavernas escuras e úmidas para
chegar aqui ... está me escutando ? Vou diminuir um pouco a força para que possa respirar . Sente-se melhor ?
"timo, como eu dizia, aquela porcaria que me deu não funcionou direito, e eu demorei mais do que esperava e, pra
completar ... uma de nós morreu . Terminando de falar, Makoto solta Sytil . Ao cair no chão, ele se afasta,
tentando recuperar o fôlego . Com muito desespero, ele conseguia, embora o desespero ainda estivesse rondando o
área ... - Arf ! Arf ! Sua ... sua ... louca ! - E então ? - Então o que ? - O que tem a me dizer quanto
a isso ? - Isso o que ? - Os últimos incidentes . - Não fomos nós ! Tínhamos um acordo, lembra-se ? -
Rebeldes, talvez ? - Não fomos nós ! Quantas vezes eu ... espere um pouco ... disse que uma de vocês morreu ? -
Você ouviu muito bem . Atravessei todo esse caminho por que eu queria eliminar todas as suspeitas . - Quem morreu ?
- Uma criança . - De quem ? - Sytil, vocês são responsáveis por isso ? - Entendi . Não, não fomos nós .
Honramos nossas acordos, assim como você, apesar desse incidente ... – dizia, enquanto olhava bem fundo nos olhos dela
... - É bom que esteja falando a verdade, Sytil . Não se esqueça do motivo pelo qual seu povo ainda existe .
Lembre-se disso ! - Vai ficar jogando isso na minha cara, joviana ? Ou será que prefere me espancar ? - Não se
esqueça de como isso começou, Sytil . Se não fosse por nós, sua raça seria bem menor do que agora ... - Nós ? Ah,
sim . Perdoe-me, mas quatro anos fazem muita diferença . E a propósito, eu fiquei curiosa ... o que sua soberana
pensa disso ? - Nós não contamos a ela . - Que ? Quer dizer que estou arriscando meus semelhantes por nada ?
- Nós também não havíamos contado para as outras . Quer dizer, eu revelei isso há pouco tempo, e elas ainda estão
tentando processar a informação ... mas o acordo ainda é valido . - Isso tudo parece muito interessante, Sailor
Júpiter ... mas anos de experiência me dizem que não veio apenas para me espancar ou reafirmar o acordo, não é
?Você queria ter certeza de que não estávamos envolvidos nisso ... - Sim . E vejo que não . - Por que não
passa a noite aqui ? Nós ... - Sytil - ela dá um longo suspiro e, de costas para ele, começa a falar – eu sou
Sailor Júpiter . Também sou conhecida pela minha enorme força e habilidade combativa . E me orgulho disso . Como
deve ter ouvido de sua antiga soberana, todas nós viemos de uma outra época, outrora um paraíso . Um reino sem
igual, que prosperou durante muito tempo ... até que foi destruído . Mas, enquanto as memórias dele permanecer
dentro de cada uma de nós, ele sempre existirá, e poderemos criar um novo lugar, baseado em seus princípios, em
que todos possam viver em igualdade, independente de quem seja . Hoje, eu desrespeitei um desses princípios .
Sytil estava quieto, ouvindo atentamente o que ela dizia . - Nós tínhamos um pacto, que visava o bem comum de
ambos os povos . Sabemos muito bem que o choque entre ambos não seria proveitoso no momento, e que um não está
pronto para encarar o outro . No entanto, sei que, um dia, criaremos uma sociedade que será capaz de criar
oportunidades iguais para ambos . Nesse dia, seremos um só povo . Mas a minha atitude foi uma prova de que ainda
não estamos pronto para isso . Num ato de fúria, eu vim até aqui, desrespeitei nosso acordo, feri seus
compatriotas e o ameacei de morte . E o pior, havia sido um pacto assinado com sangue ... - Júpiter, eu entendo
perfeitamente o que quer dizer . Ainda há muito o que ser resolvido, e sei que coisas como essa estarão longe de
deixar de acontecer, portanto, aceito suas desculpas, Júpiter . - Me chame de Makoto . - Como ? Lentamente
ela se vira para ele . No processo, seu uniforme de guerreira começa a brilhar e a luz que o forma vai sumindo, ao
passo que seu uniforme vai junto . Quando o encara por completo, Sytil estava diante de algo diferente : era uma
mulher, bastante bonita, para uma humana, alta e aparentemente bastante forte . - Um dos maiores trunfos das Sailors
é a capacidade de se camuflar . Nossa transformação cria um efeito especial na mente das pessoas, impedindo-as de
nos reconhecer quando não estamos em nossa forma de guerreiras . Esse é o motivo pelo qual muitas vezes nós
chegávamos rápido ao local dos ataques de Beryl . Mas, pelo visto, ele tem um ponto fraco : não funciona com
pessoas que já nos tenham visto transformar ou destransformar . Agora, ele não tem mais efeito sobre você . Sempre
que nos encontrarmos, não importa em que forma, não encontrará Júpiter, mas Kino Makoto . Acredito no pacto, sei
que nossos povos um dia poderão se unir ... e estou colocando minha vida em suas mãos, como provo do que digo .
Se, em algum momento eu deixar de acreditar nesse pacto, não terão dificuldade em me punir pela afronta .
Enquanto ela falava, Sytil percebia mais uma coisa em seu rosto : lágrimas . Ela estava ... chorando ? - Tudo
bem com você ? - Não . Eu não estou bem . Uma criança morreu, e eu não estou bem . Portanto, deixe-me ir . -
Espere ! Se sair assim ... - Eu sei me cuidar, Sytil . Cuide-se você . - Algo que eu deva saber ? - Apenas uma
provável Sailor furiosa que pode aparecer aqui a qualquer momento . Mas, se que me ajudar, concerte aquele troço que
me deu . Sytil ordenou que o “troço” fosse concertado . O que era ? Um cristal . O que ele fazia ? Armazenava coisas
. O que estava armazenado dentro dele ? Um feitiço . Os youmas possuíam uma forma meio primitiva de magia, só
usada pelo mais antigos, e eles eram poucos, na época atual . No caso, o de Makoto era uma espécie de Cristal de
teletransporte . Ele levava uma pessoa de um lugar a outro . Como se gastava muita energia criando uma peça
dessas, poupavam-se alguns detalhes, como no caso do cristal dela, que permitia apenas viagens da superfície para
um ponto especifico do Reino Negro . Infelizmente, por não tê-lo usado por muito tempo, ele parece ter dado algum
tipo de defeito, deixando-a mais longe do que deveria do ponto de destino ... Concertar aquilo levaria quase um
dia inteiro, ele disse, e conseguiu convencê-la a aguardar no castelo durante esse tempo . Aparentemente ela
aceitou, mas não quis argumentar sobre aposentos : permaneceu parada na sala aonde conversavam, o tempo todo .
Uma coisa não saia da cabeça de Sytil : era meio estranho o fato dela ter vindo aqui só para averiguar sua culpa .
Tinha suspeitas de que ela viera para avisá-lo de um possível ataque, por parte de sua aliada . Outro ponto
estranho . A principio, não aceitou ficar, mas depois mudou de idéia . Será que ela tinha suspeitas de que sua
aliada atacaria o Reino Negro ? E mais importante : ela os ajudaria ? Não tinham a menor chance contra uma
Sailor, ainda mais, uma Sailor raivosa . Se Júpiter, Makoto, ele se corrigiu, uma vez que ela pedira para ser
chamada assim, se ela resolvera ficar ... lutaria contra sua própria colega por eles ? O que pesaria mais nesse
momento ? Sua amizade ... ou a futura união de dois povos ? Sinceramente, ele preferia nem pensar nessa
hipótese . * * * * * * * * *
* * * Ele não podia acreditar naquilo . Aquele fora um dia totalmente estranho, do tipo que
não se tem sempre . Mas aquilo o perturbava . Lá estava ela, de pé, em frente a uma janela, observando a cidade
. A única cidade . De onde se encontrava, podia observar os vestígios do que outrora fora um grande povo . - Jup ...
Makoto, eu não compreendo . Há pouco, tive uma enorme surpresa ao descobri sobre a “transformação” de vocês, e
agora ... talvez ela não aumente tanto assim seus poderes e características físicas ... Ela vira o rosto em sua
direção, observando-o calmamente, enquanto que a luminosidade a atingia . Luminosidade ... de onde vinha ? Aquele
lugar estava com uma claridade menor, mas ainda havia alguma . Como a luminosidade da lua, se não fosse pelo fato
de estarem debaixo da terra . - Está errado . A transformação não aumenta nossos poderes ... ela nos permite
utilizar a totalidade de nossos poderes . No entanto, creio que, com o tempo, isso não será mais necessário .
Segundos meus cálculos, num tempo futuro, não serei mais Sailor Júpiter, tampouco Kino Makoto ... serei as algo
que reúne as duas ao mesmo tempo . - Então, o aumento de poderes de vocês não se dá por treinamento ? - Não,
Sytil . Treinamento sempre ajuda, isso é uma verdade . Mas não pense que é só isso . Nossos poderes podem aumentar de
outra forma que não seja através do treinamento ... e é isso que eu temo . - Refere-se a sua aliada ? - Sim .
- Qual delas ? - Sailor Marte . - Mas o que ... antes que eu me esqueça, não gostaria de descansar um pouco ? Se
pretende viajar amanhã, precisa descansar um pouco . - Não tenho sono ... não posso dormir . Ainda não . Há muito
pela frente . Sou uma guerreira de Júpiter de primeira grandeza, posso resistir alguns dias ser dormir . - Como
foi ? - A criança ? - Sim . - Era uma menina . Muito parecida com a mãe . Na verdade, idêntica a mãe quando
tinham a mesma idade . Invadiram a base de Sailor Marte, e encontraram a garota . Destruíram a base, e ela foi uma das
vitimas . - “Uma das ...” ? Pensei que havia dito que ... - Marte foi a outra vitima . Vitima de sua própria
fúria . Seu próprio ódio . Ela encontrou tudo o que ela mais amava totalmente destruído . Imagino que sua alma tenha
sido rasgada naquele momento . Sua fúria explodiu, fazendo-a atingir níveis de poder nunca antes imagináveis . A
destruição que ela causou foi tremenda . Nenhum dos que foram atingidos sobreviveram . Quer dizer, ouve um deles que
não foi atingido, mas este ... Marte o matou ... mentalmente . - O que quer dizer ? - Melhor não saber . De
qualquer forma, temo que ela venha até aqui . - Mas ela não saberia vir aqui, não é mesmo ? O único caminho que
conhece é no Polo Norte e, pelo que me contou, seriam necessárias todas vocês para executar o teletransporte, mas
isso não será possível, uma vez que você está aqui, estou certo ? - Pode ser ... mas eu tenho minhas duvidas
quanto ao que uma mulher desesperada pode fazer ... mas afinal, Sytil ... de onde vem essa luz, esse brilho ? O
que os ilumina, se estão no subsolo . - Não faço a mínima idéia .- ele solta um riso fraco, meio abafado . -
Você não é o líder deles ? Pois deveria saber ! - Sou um soldado, não um cientista . Liderei equipes de busca e
ataque por toda a minha vida ... não dispunha de muito tempo para ler livros, como agora . - Mas ... e os
anciões ? O que houve com o conselho de anciões daqui ? Havia um, não havia ? - Eles tomaram uma posição mais
ativa, agora . Isso tudo ocorreu depois que o mais velho deles morreu . Pelo visto, perceberam que sua idade não
valia de nada se não pudesse ajudar mais o povo . - E foi ai que você se tornou o líder, não é ? Tinha muitas
chances , uma vez que o povo parecia gostar de você, não é ? - Durante muito tempo nós acreditamos que havíamos
vencido a princesa . Pior, acreditávamos que Beryl estava refugiada neste castelo, recuperando-se; claro, haviam
aqueles que diziam que ela havia vencido, e se esquecera de seu povo . Durante esse tempo, eu os protegi . Muitos
aqui tem habilidades especiais, é verdade, mas poucos são os que tem treinamento correto . E poucos também são
aqueles que tem poderes ligados diretamente ao combate . Reunindo alguns poucos soldados, eu protegi os arredores
desta ... desta cidade . - Não sobraram muitos, não é ? - Infelizmente, não . Essa cidade é tudo o que restou
do Reino Negro ... que nome ! As vezes, discordo, mas as vezes, concordo com ele . Mas, como dizia, possuímos muitas
cavernas ... algumas que dão para a superfície, além daquela no Polo Norte, ao contrário do que vocês pensavam .
Houveram alguns ... encontros com seu povo . Alguns eram exploradores, querendo descobrir alguma coisa, outros,
caçadores, buscando algo mais, baseado em lendas a respeito de um povo que vivia embaixo da Terra . - Você parece
mais ... “sábio” . - Eu estudei muito durante esses quatro anos . E me esforcei para estender isso ao meu povo
também . Muitos dos que invadiam nossos domínios possuíam coisas bem interessantes, o que contribuiu em alguns
pontos . - Inimigos ? - Recentemente, não . E quanto a luminosidade ... você vai rir se eu te contar . O
ancião que morreu, Katlo, disse diversas vezes algo sobre isso . Infelizmente, ele estava bastante “debilitado”, se é
que me entende . - E o que ele dizia ? - Ele dizia que “a Terra nos provia luz” , e que “onde existirmos, haverá
luminosidade”. - Deveria estar louco . - Também acho, mas o mais velhos pensam o contrário . Mas não deixa de ser
muito estranho . É como se houvesse um Sol que não pode ser visto . A não ser pelo fato de que isso não é luz ... -
Também percebi . Parece algum tipo de ... energia . - Sei o que quer dizer, Jup ... Makoto . Luz é energia . Mas
isso parece ser totalmente diferente . - Talvez ... aquela entidade maligna que se uniu a Beryl ... -
Metallia . Alguns a chamam de Negaforça . Sugere que ela provia essa iluminação ? Mesmo que fosse, por que ela se
mantém ? - Vestígios de sua presença ? Lembre-se, ela hibernou aqui durante eras . Mas, de qualquer forma, me
pergunto se um dia descobriremos o verdadeiro significado disso . - Me pergunto se não significará
problemas . Sytil puxa uma cadeira, convidando Makoto a se sentar . Ela reluta durante alguns instantes, mas dá
o braço a torcer . Ele faz o mesmo, e ambos ficam um de frente pro outro . - Diga logo o que quer, Sytil . -
Desejo ser seu amigo . - Como ? - Não quero apenas uma aliança ... quero algo mais duradouro . É óbvio nossa
situação em relação a de vocês . Não queremos ser sugadores, mas cooperadores . Você é uma guerreira . Uma grande
guerreira . Não guardo e nunca guardei recentimentos pelo passado, e sinto que você também não . Poucas vezes
encontrei guerreiros tão valorosos, que iriam contra seus soberanos para fazer o que é certo . Não fiz isso contra
Beryl, e sinto um imenso pesar por isso, mas você o fez, não contou a sua soberana o que fez, mesmo sabendo que teria
problemas se ela descobrisse . Júpiter ... quero que saiba que, a partir de hoje, eu passei a ter um respeito enorme
por você . A partir de hoje, quero que passe a ver os youmas como aliados . Estaremos dispostos a te ajudar sempre que
precisar . - Makoto olhou bem nos olhos dele, entendendo o que queria dizer . Estava disposto a encarar Usagi e as
outras para redimir seu povo diante do passado . Mesmo que isso lhe custasse a própria vida . Era um guerreiro
honrado . Makoto se levanta, ato repetido por Sytil . Ela lhe estica a mão, e ele a aceita . Havia um sorriso
na expressão séria de Makoto . Pouco depois, ela voltou a se sentar, e ficou ali, observando, de perto da janela,
o exterior do castelo . Sytil se retira, resolvido que ela precisava ficar sozinha . No entanto, dá meia volta,
retira uma toalha que forrava uma das mesas, e coloca sobre ela, com o intuito de esquentá-la . Um pensamento era
compartilhado entre ambos : o de que talvez desse certo . Talvez não estivesse longe o dia em que seus povos
viveriam em harmonia ... * * * * * * * *
* * * * Seu corpo doía mais do que o normal, se é que uma vez tiver um estado
normal . Embora desconhecesse o total significado da palavra, ele se amaldiçoava . Se amaldiçoava ... por ter
sobrevivido . A noite, maligna como ela só, castigou-o impiedosamente . Durante todo esse período, ele acho que
finalmente morreria . Embora fosse muito pequeno, tinha conhecimento o suficiente da vida para entender alguns
conceitos . Dor e sofrimento eram um deles . Quanto tempo ? Dias ? Meses ? Anos ? Não importava . Aquela noite o
havia castigado, havia torturado-o, como um prisioneiro acorrentado chicoteado diversas vezes, que no desespero
tentava escapar, alimentando vãs esperanças de salvação, apenas para se desiludir . A chuva havia sido cruel . Não
sabia o real motivo, mas sentia que algo havia acontecido . Algo totalmente diferente . Não sabia como explicar,
mas sentia que a chuva violenta da noite anterior estava ligado a isso . No entanto, ele nada podia fazer, pois
estava ali, estirado no chão, sem o menor controle do corpo . Tamanha era a sua infelicidade, que nem a morte
vinha lhe brindar . Nem morrer ele podia ser dar ao luxo . Provavelmente, ficaria ali, durante dias, agonizando .
Ou então, se tivesse o desprazer de sobreviver, nunca mais seria capaz de se movimentar como antigamente, de
correr, de brincar ... mas o que estava pensando ? Correr ? Brincar ? Sua vida fora um inferno desde o momento que
se conhecera como gente. Embora novo, tinha ciência de que passara sua curta vida à margem da sociedade,
dependendo da boa vontade de outras pessoas . Quem estava querendo enganar ? Andar, não andar, falar, não falar
... que diferença fazia ? Foi, era e sempre seria mais um pobre miserável espalhado pela rua . Vozes .
Quem seriam ? Sim, ela veio . A morte finalmente resolveu livrá-lo de seu sofrimento . E parecia determinada a
isso, uma vez que não veio sozinha ... mas espere ! Era pura impressão sua ... ou a morte parecia ... ferida ?
* * * * * * * * * *
* * Sytil abre a porta de sua biblioteca, apenas para se assustar : ela não estava ali . As coisas não
poderiam ter ficado pior ... Se ela tivesse saído do castelo, com certeza a população se assustaria com ela,
devido ao incidente de ontem . Colocando seus pensamentos em ordem, ele nota que a janela estava aberta .
Impelido pela curiosidade, ele se aproxima, esperando encontrá-la . Nada . - Droga . Onde estará ? - Estou
descendo . Antes que pudesse se virar, ele a vê passando pela janela, vindo decima . Estava no topo do castelo, é
claro . A pergunta é : o que fazia lá ? - Vejo que acordou cedo . - Sempre faço isso . Gosto de sentir o sol
nascer em meu corpo . - Mas aqui ... - É um hábito . Está pronto ? - Pegue . Sytil a joga um pequeno cristal .
Apesar do nome, era branco, tanto que chegava a ser transparente . - Espero que funcione . - O feitiço acumulado
dentro do cristal se enfraqueceu, por isso você foi deixada tão longe do local esperado . Nós o modificamos, para que,
sempre que vier até nós, seja deixada dentro do castelo . - Não que criar alardes, não é ? - Perfeitamente . Vai
sair agora ? - Vou . - Não gostaria de se alimentar ? - Não. Tenho pressa . Estou um pouco – nesse instante, ela
se tocou de uma coisa . Algo que não tinha prestado atenção, embora tivesse acabado de descer do topo do castelo : a
luminosidade do local estava um pouco mais forte . Isso significava que ... querendo tirar suas dúvidas, ela olha pra
seu relógio : Cinco da manhã . Os subalternos de Sytil devem ter trabalhado a noite inteira para consertar aquilo, ela
pensa . Havia dormido alguns instantes, quando não havia ninguém na sala, mas não notara a passagem do tempo devido a
estranha luminosidade do local ... - ... Sytil ... obrigado . Agradeça a eles por mim . Desculpe, mas estou com um
pouco de ... - Espere . Creio que posso ajudá-la . Tokin, Delsmeter e Safion, entrem ! Dois homens e uma mulher
adentram no aposento . - Hmm ? Os três se aproximam, e se ajoelham diante de Sytil e Makoto, em sinal de
reverência ; - Levantem-se – ele gritava, num tom que não escondia seu nervosismo – não precisam se ajoelhar diante
de mim . Sou seu líder, não seu soberano . - Perdão, senhor – dizia a mulher – mas certos hábitos são difíceis
de esquecer . - Pois trate de esquecê-los . Nós, youmas, não nos ajoelhamos à ninguém, entenderam ? Ninguém
aqui é superior a ninguém . Os três acenaram com a cabeça, em sinal de afirmação . - Sytil ... - Qual a
surpresa, Makoto ? Sou um soldado, não um soberano absolutista . - Onde aprendeu sobre isso ? Não me diga que ...!
- Como eu disse ... tenho estudado alguns livros de seu povo . Mas, de qualquer forma ... eles estão aqui para
ajudá-la . - Como é ? Do que está falando ? - Eles vão auxiliá-la contra esse novo inimigo . - Nem pensar ! É
muito arriscado ! E, de qualquer forma, nós podemos resolver isso ! - Não me entenda mal, Júpiter – e ele coloca
bastante “força” ao pronunciar o codinome dela – mas alianças as vezes se fazem necessárias . Sua “base” foi
destruída, assim como tiveram suas primeiras baixas de guerra . Gostaria de experimentar isso novamente ? - Não
sei . Isso pode gerar muitos problemas . Eles podem correr perigo lá encima ... - Eles são especiais e, de
qualquer forma, estão equipados com um cristal especial que os trará de volta em caso de perigo . Eu faço questão
deles irem com você, e eles se ofereceram para acompanhá-la ; Makoto ficou quieta, enquanto os observava .
Aquilo não iria terminar bem . - Eles estão vestidos como o povo da superfície ... até se parecem com o povo da
superfície ... suponho que não vai aceitar um não, não é ? - É só prestar atenção . Nós, youmas, temos a
capacidade de utilizar parte de nossa energia para criar um disfarce . Seja o que quer que esteja incomodando
vocês ... me incomoda também . Se um dia iremos viver juntos ... é bom que comecemos a trabalhar juntos . Ele
tinha razão, e ela sabia disso . Oh, droga . - Está bem . Eles vem comigo . Mas é bom que não me criem
problemas . E afinal, o que eles tem de tão especial assim ? Superforça ? Agilidade sobre-humana ? Garras ? -
Não exatamente . Digamos ... você não se arrependerá ! - Que seja . Mais alguma coisa ? Não ? Pois bem,
aproximem-se ! Vamos utilizar o meu cristal para levar todos nós ! Não quero que o cristal de vocês fique sem
carga no momento em que mais precisarem ! Os três se aproximam, e Makoto estende sua mão . O cristal começa a
flutuar, e emana um brilho . A luz, de tonalidade esverdeada, espalha-se pelo corpo dos três, lentamente . Em
seguida, a luz, após cobrir os corpos de todos, vai diminuindo, diminuindo, diminuindo . Como Sytil já esperava, a
luz vai diminuindo sem, no entanto, se afastar do corpo dos quatro . Na verdade, a luz era parte do feitiço, o
qual reunia todos em um só ponto, e depois encolhia . Quando estava do tamanho de uma bala, ela dá uma pequena
explosão, desaparecendo no ar . De onde estava, Sytil estava pensativo . Algo o assolava . Culpa : teria sido
uma boa idéia enviá-los, mesmo com uma provável “Sailor Psicótica” à solta ? Isso não podia ser discutido .
Havia agido certo . Havia oferecido apoio quando um aliado precisou . Havia agido certo . De certa forma, ele
estava certo . Estava certo ao pronunciar uma frase, a qual, mais tarde, Makoto iria concordar : “O que o Reino
Negro tinha à oferecer para a Terra” ? * * * * * *
* * * * * * Novamente, aquilo . A Morte viera lhe
buscar ... e veio acompanhada . No entanto, algo o surpreendia : ela estava ferida ? Não conseguia
entender, mas o que importava ? Que diferença faria para sua morte se a Morte estivesse machucada ? Talvez fosse um
sinal do quão terrível morreria . No entanto alguém discutia com a Morte . - O que pensa que está
fazendo ? Pare ! - N-não ... eu ... eu tenho que fazer ... eu tenho ... - Pare ! Mal pode se mover !
Olhe para seu corpo ! Seus ferimentos são críticos ! Se não te levar para um hospital, você vai ... - Não
importa . Eu tenho que fazer isso ... eu tenho que fazê-lo ... você ... você não sente ? Ele ... ele está aqui .
Aquilo que tanto buscávamos ... aqui ... - Mas do que é que está falando ? Quem nós buscávamos ?
- Você não consegue ... sentir ... mas ... eu sinto ... está ... a-a-apontando para mim ... como um farol.
- Mulher, do que está falando ? O que está te chamando ? - Eu ... eu não sei ... mas me chama . Está
aqui, me chamando, gritando meu nome . Se eu não for até lá ... ele ... ele vai ... morrer ! - Espere !
Pare com isso ! Volte aqui ! Está sangrando muito ! Se continuar assim, você é quem vai morrer !!!! Ele
não estava entendendo muito bem o dialogo que estava ouvindo . Apenas conseguia se concentrar numa coisa : passos,
indo em sua direção . - Mas que droga ! Você sabe que eu vou me odiar pelo resto da vida se você morr ...
oh, meu ... ! - V-v-você está v-vendo ? Aqui, veja . Ele ... precisa de ajuda . Ele precisa ... de mim .
Mesmo caído no chão, desprovido e suas forças, ele tenta erguer sua cabeça, não conseguindo . Num esforço enorme,
ergue seus olhos, conseguindo, durante poucos segundos, ver algo surpreendente : duas pessoas . Duas mulheres . Uma
delas, não parecia estar muito bem . Pelo contrário, estava muito ... ferida . Vestia uma roupa estranha ...
totalmente rasgada . Dilacerada . E, espalhado por diversas partes de seu corpo ... sangue . Muito sangue . E ele que
estava se odiando por continuar vivendo depois da noite anterior ... não conseguia entender como, embora estivesse
gravemente ferida, aquela mulher continuasse demonstrando aquele belo sorriso . Mais do que isso, embora seu corpo
dissesse o contrário, ela se abaixa, colocando-o em seus braços, e o abraça . ele não entendia o que era aquilo . Na
verdade, nunca passara por algo parecido . Passara toda sua curta e odiosa vida ali, largado . Nunca havia sentido
algo assim, tão intenso . Para alguém que só havia esperimentado a dor, era estranho sentir um pouco de ... calor
humano . Lentamente, seu corpo se esquentava . Ela o esquentava . Podia sentir seus músculos, severamente castigados
pela chuva, voltarem a se mover . Podia sentir tudo isso e muito mais, apenas por causa de um pouco de calor humano .
Podia sentir, também, o corpo dela, e o sangue que a cobria . Podia sentir, mesmo que ela não demostrasse, a dor que
ela sentia . Pela primeira vez, sentia que havia encontrado alguém igual a ele . Uma pessoa na qual podia confiar .
Sequer imaginava o por que desse pensamento, desse sentimento ... apenas sentia . Ignorando toda a dor
sentida pelo seu corpo, ele move seus braços . Apesar da dor, ele coloca seus pequeninos braços em torno do corpo
dela ... e a abraça . Não sabia por que fazia aquilo , apenas sentia que deveria fazer . Puramente por instinto .
E, feito isso, ele pôde sentir outra coisa : as lágrimas dela, banhando seu corpo . Ela afasta seu rosto, o
suficiente para ambos pudessem se olhar : era a visão mais bonita que ele já tivera . Uma bela mulher . No
entanto, ela chorava . Seus olhos estavam encharcados ... mas, em seu intimo, ele sabia o motivo . Sabia que, esse
choro ... não era pela dor ... era por ele . No momento em que se abraçaram, ambos passaram um ao outro todos os
seus sentimentos, toda a sua emoção . Ele sabia que podia confiar nela . Sabia que ela o protegeria .
Sabia que podia se entregar ao cansaço e que, quando acordasse, ela estaria ali, ao lado dele . Isso
tudo, por vira aquele rosto belo, sereno, que, em sua eterna simplicidade, inspirava uma paz e alegria
inimagináveis . * * * * * * * *
* * * * - Acorda, seu dorminhoco ! - Hã ? Quem ? Onde ? Como ? - Acorda, seu
pateta ! Não tem vergonha de dormir tanto ? Acordado a força pelo seu “amigo”, ele olha para o relógio da parede .
Aquilo o deixa furioso . - AAAAHHHHH !!!!! Akira, por que fez isso ? Ainda falta uma hora antes da hora
em que eu costumo acordar !!! -Não tem vergonha de acordar tão tarde, Shin ? Eu acordo todo dia bem cedo ! -
Isso é porque sua mãe é instrutora e te obriga a treinar vinte e seis horas por dia, nove vezes por semana ! - E a
sua mãe é professora da escola ! Deveria dar o exemplo ! Aquilo, obviamente, havia deixado Shin um tanto quanto
encabulado ... e envergonhado . - Hã ... bem ... é que eu ... tive um sonho estranho ... - Uáááááá !!!!
Puxa, que nosso ! Vejo que acordaram cedo . Devem estar bastante empolgados para irem a escola, não é ? É bom
aproveitarem, pois quando entrarem nas férias, ficarão um bom tempo sem vê-la ... - Glup ! Ohayo, Okaasan ! -
Ohayo, Minako-sensei . - Ohayo, Akira . Ohayo, Shin-kun .... Continua ...