Dias de um passado quase esquecido
Capítulo II : Luz do Amanhã Dias de um passado
(quase) esquecido by Lexas Joaotjr@hotmail.com Junho/2001
Tisc ! Tisc ! Tisc ! E, pela, quarta vez , ele tenta . Tisc ! Não funcionara, mais uma vez . Aquilo já o estava
deixando deveras irritado . Mas isso não era o pior . O pior era que ele teria que se levantar .E rápido, se não quisesse sofrer as
conseqüências . Estalando seus (raros) músculos, ele se arrasta pela cama . Tinha mesmo que fazer aquilo ? Esse era o problema da
Tecnologia : gastava-se muito para dar comodidade as pessoas, mas nas horas mais inconvenientes ela ficava de Tecnobabaquice ! Ele vai
se arrastando, passando despercebido pelo travesseiro e pelo cobertor . Silenciosamente, ele vai se aproximando até o pé da cama, de
onde está prestes a executar um salto mortal, aterrissando com perfeição e escapando da Cama da Morte ..... Infelizmente, as coisas
são sempre mais fáceis na nossa mente . Quando se aproxima do pé da cama, ele vê aquela sombra ; Oh, oh ! A entidade maligna ao
qual pertence a sombra o encara, num misto de frieza e desprezo . Ele a encara, suando frio . Calculando friamente seus movimentos, ele se
lança para trás, na esperança de escapar . Infelizmente, a esperança é a última que morre ..... mas hoje ela morre !!! A entidade maligna
agarra a colcha da cama e a puxa, causando um efeito esperado : ele perde a concentração durante o movimento, enquanto é posto no ar
durante alguns instantes . Tão imediato é o movimento que seu corpo também é lançado bem mais para trás do que ele calculara, fazendo-o
sair totalmente do espaço físico que acomodava seu corpo . Durante os longos e sofríveis nanossegundos em que seu corpo permanece no ar,
ele amaldiçoa a si mesmo por ter confiado na tecnologia dos humanos e por não Ter se preparado para uma situação como esta . Seu corpo
termina seu curto vôo e se choca, causando um impacto de pequeno barulho, mas deixando efeitos nada agradáveis em seu corpo . Em outras
palavras, ele foi jogado para fora da cama . - Ohayo, Okaasan ! - Ohayo, Shin-kun . What’s up, guy ? - Anoo .... - Levante-se
daí e vá tomar um banho . Sem questionar ( isso passava pela sua cabeça ?) , ele se coloca de pé e corre para o banheiro, aproveitando
que a criatura oferecera uma trégua . Rapidamente ele tira a roupa , mas surge um dilema : a água fria do chuveiro . Ele passa longos
segundos ali, encarando o chuveiro, tentando juntar coragem para girar o registro, até que .... - Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh !!!!!!!!!!
A água o atinge de surpresa, sem dar tempo de um preparo psicológico . - A senhora é muito cruel !!!! - Seja homem ! Não me diga que
está com medo de um banho frio ? Ele teve que engolir aquilo a seco . Minutos depois , já arrumado, ele se preparava para comer . -
Ande logo, Shin-kun ! Desse jeito, vai acabar se atrasando ! - Mas, haha, ainda ..... - Não discuta . - Tá . O café estava
realmente delicioso . Por ser uma Terça, não era algo muito caprichado, mas tinha seu valor . Assim como em todas as manhãs . Tinha um
ingrediente muito especial : amor . Amor Amor Amor Quanto tempo .... ? Era um luxo que ele não tinha . Embora se lembra-se de
fatos simples, parecia que sua mente brigava consigo mesma quando ele tentava se lembrar de fatos mais profundos . Mas ele se lembrava .
Lembrava da luz ..... luz .....daquele chão, frio, molhado e sujo, do barulho ..... e daquele dia em que ...... - Shin-kun, acorda !
- Hã ? Hã ? Não era um habito, mas ela já havia aprendido a reconhecer aquele tipo de situação . Ela se aproxima dele e coloca a mão
sobre sua testa, verificando que ele estava bem . Em seguida, o abraça carinhosamente, enquanto termina de "despentear" seu cabelo . -
Aí ! Haha, olha o que a senhor ..... ! - Shin-kun ! Nunca te ensinei a nunca reclamar quando uma mulher estiver te fazendo um carinho
? - Não !!!! - Pois é uma boa hora para aprender . Vamos, está na hora ....... * * * * * * * * * * * O chão estava frio, como
sempre . o vento era frio, como sempre . O lixo já não o incomodava mais . Nem a chuva, a não ser em algumas situações em que se tornava
forte demais ..... aquela luz .... ferindo .... - Shin-kun!!! Ela o pega pela gola e o puxa de volta à calçada . Um motorista passa
disparado e faz alguns comentários quanto as mães dos pedestres . Com o coração na mão, ela o segura fortemente e começa a sacudi-lo ; -
Shin-kun, no que é que você está pensando ? Já não te disse para prestar atenção ao atravessar rua ? Há pouco ele havia despertado de
seus pensamentos, no exato instante em que era salvo de um atropelamento . Sua pequena mente ainda se recuperava do choque, tentando
processar a situação . - Shin-kun, está me ouvindo ? Shin-kun ? - Anoo ? Okaasan ? Me .... me desculpe !!! Em algumas ocasiões, o
brilho daqueles olhos castanhos eram capazes de dobrar o seu coração . Essa era uma . Ela o abraça incontrolávelmente, derramando algumas
lágrimas furtivas ; - Shin-kun, por favor ..... tome mais cuidado ! Eu não quero que nada de mal lhe aconteça, ok ? - Un ! Os dois
continuam seu percurso . Haviam saído há dez minutos de casa, e ainda faltava mais um pouco para chegarem ao seu destino, mas tinham tempo
de sobra . "Okaasan sempre foi de acordar cedo", ele pensava . O que não deixava de ser verdade . Antes dele acordar, suas roupas e o café
já estavam prontos . Em sua mais sincera opinião, ela só o acordava bem cedinho por que não queria que ele ficasse mal acostumado ..... -
Chegamos !!!! Ela não deixou de notar esse comentário dele . Não que ele odiasse a escola, mas não se lembrava de alguma vez ele Ter
demonstrado tamanha alegria em vê-lá, ainda mais perto das férias do meio do ano ; - Eu te encontro depois, Shin-kun . Ela dá um
beijo nele e se despede . Calmamente ele entra na escola e se dirige até seu armário, pegando um estojo . - Ohayo, Shin-san ! - Ohayo,
Hitomi-san ! Desde quando você chega tão cedo ? - Okaasan me fez despertar mais cedo hoje, não me pergunte o motivo . - Tá . Vamos
indo . O comentário era válido . Com exceção de alguns "caxias" , a escola estava literalmente às moscas ! - Shin-san, você vai .....
Antes que Hitomi pudesse se dar contar, ele já estava quase virando o corredor, deixando-a para trás . Claro que isso não a deixava nem um
pouco calma ; - Shin-san ! Shin-san ! – ela gritava enquanto corria, ignorando as pessoas que começavam a chegar – Por que fez isso ? -
Hã ? O quê ? Anoo ..... gomen, Hitomi-san . Eu estava meio distraído . - Mas o que houve ? Não dormiu direito ? - Ó, até demais .
Acordar é que foi o problema ...... * * * * * * * * * * * O sinal começaria a tocar dentro de cinco minutos, mas ambos já estavam na
sala há muito tempo . Hitomi ainda não havia se conformado com o fato de ter sido esquecida, mas conversava com ele normalmente . Como eram
os primeiros , puderam observar seus demais colegas entrando na sala de aula . - Ohayo, Shin-san , Hitomi-chan ! - Ohayo, Noriko-chan !
- Oí . - Puxa, Shin-san, o que foi que houve ? Está passando bem ? Nisso, entra um rapaz na sala de aula . Seus olhos verdes e seus
cabelo, negro como a noite, chamavam a atenção de qualquer um . - Ohayo, minna ! Com Shin envolto em seus pensamentos, e Hitomi tentando
entender o que houve com Shin, Noriko havia sido a única que havia prestando atenção e respondido . - Ohayo, Hino-san ! Depois disso,
não demorou muito para que o resto dos alunos chegassem . - Eí, Shin, acorda !!!! Tomado de surpresa, ele perde o equilíbrio (de novo
!!!) e, na vã tentativa de manter o equilíbrio, sua cadeira caí para trás . Grande, era a única coisa que passava pela sua cabeça . Seu
primeiro desejo supremo era esganar o engraçadinho , mas dois alunos em particular que haviam entrado na sala de aula junto com os outros
chamaram sua atenção . Como que se tudo fosse combinado, a professora entra em seguida . O silêncio na sala de aula é geral . - Ohayo,
classe ! - Ohayo, sensei !- diziam todos juntos, quase como se fosse um coro . - Vamos a chamada . Aoi Hitomi . - Presente . Aoi
Hitomi . Delicada, meiga e esforçada . Seu sonho é entrar numa igreja vestida como uma princesa . Faz parte do clube de dança . - Kageyama
Hinorobu . - Presente . Kageyama "Hino" Hinorobu .Bonitinho, mas seus olhos verdes possuem uma tonalidade tão viva que o tornam
impossível de passar desapercebido . Tem um espirito brincalhão, o que às vezes deixa seus amigos irritados, embora ele saiba contornar a
situação . Gosta muito de desenhar e faz parte do clube de Mangá. - Sakai Noriko . - Presente . Uma das garotas mais competitivas da
escola . Faz parte do clube .... ah, sei lá quais os clubes que essa daí faz parte ! Aposto que deve fazer parte de todos ! - Kino Akira .
- Presente Um dos "galãs" da classe . Alto, cabelos castanhos, olhos verdes, só que numa tonalidade diferente dos olhos de Hino-san, mais
.... "atenta" . Faz parte do clube de Artes Marciais ,e não me perguntem qual estilo . Em matéria de atenção, só perde para .... - Por
quê está repetindo o nome de todo mundo, Megumi ? - Porque eu adoro o som da minha voz, Akira-chan ! - Hino Megumi . - Presente
!!!! .......... a rosa vermelha . A mais bela e elegante dama . Seu carisma, superados apenas por sua beleza incomparável, fazem-na uma
das maiores candidatas , e por que não, musa de todos os garotos desta humilde, do resto da escola e de todo o universo !!! - Aino
Shinnosuke . - Presente, okaa ..... anoo , sensei ! E, por último, mas não menos importante, pois como poderíamos esquecer dessa
pessoa ? O líder do grupo que ocupa "o lado esquerdo da sala" , o admirado, certinho, protegido da professora e outros adjetivos dos quais
se eu fosse contar não iria dar tempo pois a chamada terminaria e eu ficaria falando em voz alta ..... Aino "Shin" Shinnosuke !
Puxa-saco-môr da professora e primeiro a chegar todos os dias em Juuban School !!! - Isso tudo , por algum acaso, é inveja de alguém ?
- Que nada, Akira-chan . É que ele é mais bonito que você .... - Como estou desapontado ..... - Você ficaria se a sua mãe fosse a
professora ? Akira deixava escapar um sorriso furtivo enquanto conversava com Megumi . Embora sua atenção estivesse voltada em outra
pessoa, ele não deixara de ouvir tudo o que ela falara . Embora parecesse, Megumi não era uma "megera", como diriam alguns . Era apenas
o seu jeito de ser . Embora parecesse, não era do tipo que implicava muito com as pessoas . Alheio a tudo isso, Shin se encontrava
mais uma vez em seu "mundinho dos sonhos" . Aquela imagem não lhe saia da cabeça . Aquela luz ..... O chão estava frio, como sempre .
o vento era frio, como sempre . O lixo já não o incomodava mais . Nem a chuva, a não ser em algumas situações em que se tornava forte
demais ..... aquela luz .... ferindo .... ferindo seus olhos .... sangue ..... sangue ? Ela .... ela estava sangrando ? Hã ? Mas ....
mas como ele sabia que .... como ele sabia que era .... que era ..... "ela" ? De repente, algo lhe atinge a nuca, fato despercebido
por quase toda a turma, provocando risos nos poucos que estavam prestando atenção . O resultado é uma marca de giz em sua testa, lançado
sorrateiramente pela "professora" para acorda-lo do "País das Maravilhas" .... - Itte !!!!! - Gostaria de compartilhar seus
pensamentos conosco, Shinnosuke ? - Hã .... bem .... E agora ? Droga , ele tinha mesmo que fazer isso ? Shin reconhecia aquele olhar
. Significava "não pense que vou dar mole para você, mocinho", e indicava que estava sozinho nessa ! - Vamos continuar do ponto onde nós
paramos . Estudaram ? A surpresa na sala de aula era geral . Até onde podiam se lembrar, não havia nenhuma prova marcada, logo .....
- Não estudaram ? Vejamos ..... como estamos próximos das férias de meio-de-ano, quero que façam uma redação e, para os que estudaram, será
fácil fazer uma reação criativa e original ! - Sensei, – perguntava Hiro – qual será o tema ? - Vocês são espertos . Vão pensar em um !
Logo após, o tempo corria . Embora todos estivessem empolgados com as férias, imaginação fértil estava em falta . Correção, quase em falta .
O Maior medo deles era no fato da professora Ter o hábito de pedir para as melhores histórias, na sua opinião, serem lidas pelo autor na
frente da classe . Fazer uma péssima redação de propósito estava fora de cogitação : ela sempre percebia isso também, e fazia os autores
destas lerem na frente da classe também ! Mas para alguns, isso não era problema . Vejamos Hitomi, por exemplo ; apesar da idade, ela
escrevia muito bem . Histórias de amor, obviamente . Claro, não era algo "perfeito" , sendo que algumas histórias longas possuíam alguns
"furos de roteiro" . Nada que a prática não resolve e aperfeiçoe . Agora, em se tratando de escrita, tanto em qualidade quanto em
quantidade, ninguém da sala batia Hiro . A máquina de escrever da turma 4-e já estava na metade da Segunda folha, e isso em menos de
cinco minutos, com uma caligrafia bem aceitável . E não parecia que estava no fim ..... Mas, do fundo do seu coração, a professora e
todos os anteriores agradeceriam enormemente se ele parasse de também ilustrar suas redações .... Já Noriko parecia encara-lo quase a
ponto de explodir . Ela não estava se saindo muito bem, e não conseguia entender como alguém conseguia escrever tão rápido . Aliás, ela
se perguntava constantemente de onde ele tirava tanta inspiração para suas histórias . Já havia dado uma olhada em alguns desenhos
deles, os quais ela julgou bons (apesar de quadrinhos não serem o seu forte), e concluiu que não era influência do clube de mangá . Era
ele quem influenciava o clube . - Mas como é que você consegue escrever tanto, Hino ? - Ah, mas é muuuiiiito fácil !!!!! É só voc
– subitamente ambos haviam sido interrompidos por uma força superior, um poder que se encontrava em uma dimensão totalmente diferente da
deles : Olhar de mestre™ . - Vejo que já terminaram . Um outro problema da professora : Redação instantânea . Antes que ela o
alcança-se, Hino adicionava mais algumas linhas a sua redação . Não era o final que havia planejado, mas pelo menos era "entregável" .
Quanto a Noriko, escrevia desesperadamente, implorando no seu íntimo por um milagre : ele veio . A professora passou direto por eles, se
dirigindo até o final da sala . De lá, ela começou a recolher o trabalho dos alunos . Hino, obviamente, não perdeu a oportunidade : -
"E naquele dia eu vi uma luz ......" - Sem graça !- retrucava Noriko enquanto escrevia – Por que não aproveita e termina a sua
história ? Ele nem esperou ela terminar de falar . Megumi não havia achada graça . Não mesmo . Isso porque ela havia ganho menos
tempo . Quando a professora se aproximou de sua carteira, Megumi percebera que já estava condenada . - Ainda não terminou, Megumi ? -
Minako-sensei ! Por favor, só mais um pouco ! Eu já estou quase terminando ! Eu .... eu .... Ao olhar para sua direita, Megumi pôde
perceber um sorrisinho imperceptível escapar de Akira . Problemas . - Megumi, já conversamos sobre isso antes . Não seria justo com o
resto da turma – e, enquanto ela falava, o resto da turma corria o mais rápido possível com a redação - , e você me parecia bem
inspirada ..... Uma face de ódio, escondida por um sorriso de alegria brotava de Megumi, enquanto, com o canto dos olhos, ela olhava
Shin . Nesse meio-período, a professora pegara a redação de sua mesa, junto com a de Akira . Os demais alunos interpretavam aquilo como
o sinal da morte™ . O motivo de tanto medo ? Bem, a professora tinha o hábito de comentar diversas vezes com os pais sobre o
desempenho dos alunos, e redação era um prato cheio . Ao chegar em sua mesa, os alunos torciam por mais um milagre : não veio . As
folhas passeavam lentamente entre seus dedos . Ela fazia questão de ler as redações na sala, causando horrores aos alunos . E, como já
foi dito, as melhores serão interpretadas "lá na frente" pelos autores, com direito a explicação do que estava sentindo quando
escreveu.... Subitamente, ela para de ler . De igual forma, ela pede licença e se retira da sala . Quando algumas bolinhas de papel
passeavam pela sala de aula, um rapaz entra na sala . Era mais velho do que eles, e um pouco mais novo que a professora . Obviamente
..... - Deve ser um estagiário – pensava Hiro, em voz muito alta, embora não tivesse idéia do que fosse um .... A turma toda havia
ficado quieta . Aquilo preocupava o rapaz . Ele já havia estado no lugar daquelas crianças . Isso lhe daria uma vantagem, se ele não
soubesse que naquele jogo você não tem vantagens . É você e somente você . "Sem problema" , ele dizia sempre, mesmo quando a professora Aino
teve que se ausentar por alguns instantes e solicitara um substituto . Era para isso mesmo que ele estava ali . Um dia, teria sua própria
turma . Uma bola de papel em cheio no olho esquerdo o tirava violentamente de seu mundo de planos . Voltando a encarar a turma mais
uma vez, eles com olhares de "anjinhos" , ele com um pouco de suor escorrendo pela face direita ..... Voltando a encarar a turma mais uma
vez, eles com olhares de "mais anjinhos" ainda .... De alguma forma, ele podia sentir que estava na ante-sala do inferno™ .... por
que, nesse instante ..... ele podia jurar por tudo que é mais sagrado que começar a ouvir a música tema de ..... "Rocky" .... * * * *
* * * * * * * Fim do dia . Aquele pobre coitado que foi filho de alguém, irmão de alguém e, depois do dia de hoje, dificilmente pai de
alguém, seguia para casa . Embora tentasse relaxar, sua mente estava em choque . De sua sala, a diretora observava, enquanto se
perguntava se aquele voltava amanhã .... - Se voltar, é por que está determinado a suceder o manto sagrado do conhecimento ! – dizia
sua assistente – Grandes poderes trazem grandes responsabilidades, e elas não são poucas ..... A diretora olhava sua assistente com
uma gotinha de suor no rosto, perguntando-se o que fez para merecer isso ..... * * * * * * * * * * * Mais um dia, assim ele pensava
. O rubro dos céus era lindo, assim como o pôr-do-sol . Sentado no chão, encostado na árvore que ficava em frente a escola, ele aguardava
uma pessoa . Uma pessoa muito especial . Um sorriso se abria em seu rosto no momento em que ela atravessava o portão, caminhando em sua
direção . Naquele momento, foi a vez dela sonhar . Tanto tempo ..... em tão pouco tempo . Aquela árvore .... a escola .... o pátio ....
não, não fazia tanto tempo assim .... ou será que não ? Podia ver as garotas ali, naquela árvore , conversando . A primeira imagem que
lhe vinha a cabeça era a de Rei e Usagi, como sempre, discutindo por algum motivo bobo . De longe, eram as que mais chamavam atenção .
Não que Makoto, com seu tamanho família, e Amy, com seus livros, passassem desapercebidas . Mas, se os antigos inimigos delas tivessem
sobrevivido e montado uma organização do tipo "matem as Sailors Senshi" , com certeza as brigas entre Moon e Mars constariam nos
arquivos da organização .... - Há,há,há ..... - Por quê a senhora está rindo ? - Nada, querido . Não foi nada . Que tal um
sorvete ? - Hai !!!!! * * * * * * * * * * * Chocolate com leite condensado por cima era o seu sabor preferido . Duplo, ainda por cima
..... - Hmmm ..... - Eí, esse é o meu !!!! – Gritava Shin enquanto Minako dava uma lambida no seu sorvete . - Não seja egoísta ! Se
quiser, eu também deixo você dar uma lambida no meu !!! - Jura ? - Alguma vez eu já menti para você ? * * * * * * * * * * * - Há,há
. Não devia acreditar em tudo o que as pessoas dizem, Shin-kun . Sem um pingo de atenção no comentário, Shin andava cabisbaixo .Estava
pensando . Estava lembrando ..... até que um estalo o tira de seu mundinho particular . Dessa vez, o estalo vira dele mesmo . De
alguma forma ele sabia .... ele sentia que não deveria fazer aquilo ali, na rua . De manhã ele estava tão concentrado naquilo que quase
foi atropelado, e não queria que isso se repetisse . - Eí, Shin-kun ! Shin-kun ! Não precisa ficar chateado por causa disso !Toma,
pode ficar com o meu ! Procurando ajuda e, ao mesmo tempo, consolo, ele olha para ela . Demora alguns instantes para que ela entenda o
olhar, mas finalmente entende . Pior, entende algo que ele não havia entendido, e que ela não queria entender . - Conseguiu se
lembrar ? - Hã ? - Você ..... esteve estranho .... pensativo .... o dia todo . Está tentando se lembrar de algo, não é ? - Eu
.... eu .... mãe, eu não sei . Não sei o que tá acontecen – nisso, Minako o encara por alguns instantes . - Shinnosuke . - Desculpe . –
Ele sabia o significado daquele olhar . Se tem algo que ele aprendeu, era que ela não gostava nem um pouco de vê-lo "giriando" , usando um
vocabulário tão vulgar . Nem um pouco . – Não sei o que está acontecendo . A ....a senhora .... a senhoria podia me ajudar ? Ela parara
de olha-lo, abaixando a cabeça . Alguns instantes que mais pareciam uma eternidade ocupavam seu tempo . No final desse curto período de
tempo, ela deixava escapar um suspiro e, embora sua cabeça continuasse abaixada, ela falava, sem no entanto encarar Shin . - Gomen,
Shin-kun . Gomem . - Tá . Durante o resto do percurso, a rua parecia diferente . Tudo parecia diferente . Era como se os dois
fossem os únicos na rua . Como se não houvesse mais nada . A rua, a calçada, os carros, as pessoas, os prédios .... tudo vai sumindo,
lentamente, até que só restam os dois, caminhando pela rua, ou ex-rua, já que tudo ao seu redor era branco, mas um branco sem fim . Ao olhar
para o lado, Minako percebe que Shin havia se afastado um pouco . Ela continua andando e, ao olhar de novo, percebe que ele havia se
afastado um pouco mais . Ela continuava andando, e ele havia se afastado mais um pouco, e mais um pouco, e mais um pouco .... muito antes de
ele sumir de sua vista, ela estava gritando, procurando por ele . E continuava gritando, mais e mais . E mais . E mais. E mais . Mas não
adiantava . Nem um pouco . Não mais . Por que ele havia sumido . Ele não estava mais lá, ao lado dela . Ele a havia deixado, sozinha,
naquele lugar . Mas o que a assustava mais não era o fato de estar ali, sozinha . Era o fato dele Ter sumido . E lá estava ela, ajoelhada,
chorando . Era um choro silencioso, porem muito triste e dolorido . Um choro que não teria fim, pois se estenderia por toda a eternidade .
Isso tudo por que ..... Ao olhar para o lado, percebe que tudo havia voltado . As casas, os prédios, as pessoas, os carros, as ruas .....
Shin . Ele estava lá encarando-a, com aqueles olhos brilhantes e inocentes, acompanhando-a enquanto aguardava uma resposta . Sem perder
tempo, embora com um pouco de hesitação, ela dizia : - Gomen, Shin-kun . Gomen . - Tá . E, pelo resto do percurso, permaneceram em
silencio, sendo que Minako, de tempos em tempos, o observava discretamente, só para ter certeza de que ele estava ali . Mas aquilo era
apenas uma máscara . Por dentro, ela estava quase perdendo o controle . Estava quase chorando . Uma angústia sem fim tomava conta de seu
corpo por completo . Ela estava triste .... por que ..... deixou de fazer .... algo importante .... para Shin ..... e para ela .
Ela poderia ter ajudado-o . Ela podia ter dado um fim as dúvidas dele . Podia ..... Aquilo teria esclarecido suas duvidas .... ou, ao
menos, dado o passo inicial para as respostas . Não importa . Ela sabia perfeitamente qual era o problema com Shin . Sabia perfeitamente
do que se tratava . Suas suspeitas começaram no café-da-manhã, e haviam se estendido durante todo o dia . Uma pergunta tão simples,
feita por uma criança tão adorável de olhos tão doces e meigos . Uma pergunta que ela poderia ter respondido, mas não respondeu .Tudo
isso por um motivo . medo Medo . Medo . Medo . Medo de que tudo acontecesse . Medo de que seus maiores temores se concretizassem .
Medo de que tudo começasse de novo . Medo . Medo das guerras . Medo do sangue . Medo das mortes . Medo . Medo de tudo o que havia
acontecido . Ela só queria uma vida normal, sem aventuras, sem adrenalina, sem decepções, sem mortes .... Sem a incerteza de tornar a ver
um amigo, sabendo que as chances dele voltar são mínimas . Apenas uma vida normal, como a de qualquer um . Uma vida normal que ela
adotou . Uma vida normal que ela adotou no dia em que deixou de ser Sailor Vênus .....
Continua ..... ? Glossário No decorrer do episódio, usei alguns termos não muito comuns . Para os que desconhecem o
significado, eis aqui : Ohayo - Algo como 'olá', mesmo que só usado de manhã. Okaasan - Mãe (quando se fala da própria mãe, geralmente
usa-se a forma "haha"). <nome>- kun - Forma de tratamento equivalente ao "-san", mas usado apenas para meninos. Anoo - Err... <nome>-
san - Sufixo usado quando do se refere a uma pessoa. Bem formal. Gomen - Desculpa <nome> - chan - Usado entre pessoas íntimas, entre
amigas da mesma idade, entre um garoto mais velho e uma garota mais nova, ou entre uma mulher mais velha se referindo a uma garota mais
nova. Minna - Pessoal, amigos, turma. Sensei - professor, mestre. Un - É, Tá Itte - Expressão de dor. 'Ai' Hai - Sim